O que achamos de O Quebra-Nozes do Russian State Ballet

Prometemos que teria resenha, não foi? Pois então: assistimos à estreia da nova turnê do Russian State Ballet nessa temporada, que foi com a primeira montagem de O Quebra-Nozes no Brasil, que aconteceu no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Como a gente assistiu à passagem deles por aqui no ano passado, pudemos ver bem a diferença das duas apresentações. Menção honrosa para Elizaveta Lobacheva, nossa Clara, que arrasou demais!

Para começar, essa produção foi bem amarradinha. O cenário e os figurinos eram, em geral, simples, mas bem bonitos. Notamos que algumas músicas foram editadas, mas só porque conhecemos a obra de trás pra frente! Os cortes foram bem feitos e não comprometeram em nada a montagem.

Primeiro ato

Os ‘adultos’ do Natal em família roubaram a cena. As danças foram lindas, super bem ensaiadas, e nesse momento os russos abusaram no que têm de melhor: os port de bras! Muito braço bonito, carão e pé esticado. Arrasaram!

Vou ser sincera: não gosto muito de adulto fazendo papel de criança – talvez por isso minha montagem d’O Quebra-Nozes preferida seja de Balanchine – mas achei que os bailarinos ‘incorporaram’ bem os pequenos. A parte das crianças e dos solistas foi bem leve, uma graça! E respirei aliviada quando vi que o quebra-nozes enquanto soldadinho não era uma criança (como na produção do Bolshoi), mas o próprio bailarino que vira príncipe depois. Muito melhor!

O que sentimos falta: a árvore não sobe quando Clara começa a sonhar! Ficamos um pouco frustrados, não tem como negar. A luta dos soldadinhos com os ratos também poderia ter sido melhor. Estava muito bem ensaiada, mas parecia que os bailarinos estavam mais preocupados em executar os passos do que interpretar.

Pas de Deux O quebra-Nozes
Grand pas de deux d’O Qubra-Nozes (Foto: Reprodução/ Ballet da Rússia)

Segundo ato

Se a Clara já estava roubando a cena no primeiro ato, ela se apropriou do espetáculo no segundo. A melhor parte, disparadamente, foi o grand pas de deux entre Clara (essa versão não tem Fada Açucarada) e o príncipe. Elizaveta mostrou muita técnica e leveza no pas de deux e na variação, que é super difícil e precisa de muita musicalidade. Tirou de letra!

O bailarino, Sergei, também é muito bom, o que fez desse par protagonista um acerto enorme. Ele girou SUPER bem, mesmo com máscara de soldadinho (já mereceu meu respeito), esticou os pés nos saltos (sempre um plus!) e foi muito expressivo.

O foco do Russian State Ballet realmente é com os solistas: eles foram a melhor parte do ballet como um todo. Com uma ou outra exceção, os solos estavam super bem ensaiados (especialmente os mirlitons, a dança chinesa, a valsa das flores e a dança árabe) e casaram super bem com os bailarinos escolhidos. Achamos que os flocos de neve, a principal dança de corpo de baile, deixou a desejar um pouquinho.

Dica para quem gostou da resenha e se interessou em assistir: não fique tirando fotos ou gravando o espetáculo. É muito chato, além de proibido, e desconcentra os bailarinos. Teve gente do nosso lado fazendo foto com flash! Melhor se preocupar em assistir ao espetáculo do que ficar documentando, né?

Segue agenda d’O Quebra-Nozes do Russian State Ballet (sujeita a mudanças!):

26/04 (quarta-feira): Rio de Janeiro (RJ), no Oi Casagrande. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/04 (sexta-feira): Ribeirão Preto (SP), no Theatro Pedro II, às 20h. Ingressos à venda no site ou no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/04 (domingo) – São Paulo (SP), no Tom Brasil. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

02/05 (terça-feira) – Campinas (SP), no Teatro Iguatemi. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

04/05 (quinta-feira) – Belo Horizonte (MG), no teatro Palácio das Artes às 21h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido

07/05 (domingo)  – Brasília (DF), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

09/05 (terça-feira) – Curitiba (PR), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

11 e 12/05  (quinta e sexta-feira) – Porto Alegre (RS), no Salão de Atos da UFRGS às 20h. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

13 e 14/05 (sábado e domingo) – Florianópolis (SC), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

18/05 (quinta-feira) – Paulínia (SP), no Theatro Municipal de Paulínia às 20h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia)

27/05 (sábado) – Recife (PE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/05 (domingo) – Maceió (AL), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

29/05 (segunda-feira) Natal (RN), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/05 – (terça-feira) – João Pessoa (PB), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

31/05 (quarta-feira) – Fortaleza (CE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

Informações aqui ou no WhatsApp (11) 981817623

Disney + Quebra Nozes = Queremos!

Acabamos de ver que a Disney vai produzir um filme d’O Quebra-Nozes (com atores reais que podem receber elementos de animação) e já estamos vibrando! O diretor é ninguém menos que  Lasse Hallstrom, que já concorreu ao Oscar de melhor direção três vezes, e quem assina o roteiro é  Ashleigh Powell . E o longa já tem nome: The Nutcracker and the Four Realms (O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, em tradução livre).

Ainda não se sabe como vai ser a produção: se vai ter dança, se vai ter muitas músicas de Tchaikovsky (esperamos que sim!) e se a história vai ter uma conotação mais ‘sombria’ do que o ballet – tudo indica que sim. Parece que o roteiro se baseia na história O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos (que, inclusive, virou animação em 2004!), que conta a história completa na qual o ballet se inspira.

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Cartaz da produção d’O Quebra-Nozes do English National Ballet

O ballet não conta a primeira parte, que é sobre uma princesa. Ela foi enfeitiçada pelos ratos logo quando bebê, transformada numa criatura horrível. Para quebrar o feitiço, um jovem precisaria quebrar uma noz (algo até então impossível) e dar sete passos para trás. O sobrinho de Drosselmeier, padrinho de Clara, consegue desfazer o feitiço, mas tropeça ao dar o último passo e se transforma num quebra-nozes. A princesa expulsa o jovem do reino e a história segue o padrão conhecido – o boneco é o que Drosselmeier entrega à afilhada na noite de Natal.

Essa não é a primeira vez que a Disney brinca com O Quebra-Nozes: basta lembrar da animação Fantasia, de 1940. E não foi a única: a Warner Brothers lançou a animação Nutcracker Prince (O Príncipe Quebra-Nozes) em 1990 e, três anos mais tarde, o ballet do New York City com a participação de Macaulay Culkin (já falamos sobre ele aqui, inclusive). A produção mais recente foi em 2010, em 3D, estrelando Elle Fanning (a mesma que interpretou Aurora em Malévola).

Quem você gostaria de ver interpretando Clara? E o príncipe? E Fritz? 🙂

Então é Nat… Quebra Nozes!

Pra qualquer bailarino ou amante da dança, Natal e fim de ano são sinônimos de “O Quebra-Nozes”. É o único repertório que podemos ter certeza que vai constar no calendário de todas as companhias clássicas do mundo. E – o mais legal! – todas as versões têm diferenças e sutilezas, o que faz com que nosso clássico natalino nunca perca o frescor.

“O Quebra-Nozes”é, muitas vezes, responsável por transformar crianças em bailarinos. A música de Tchaikovsky, a magia dos personagens, o corpo de baile que se apresenta em diversas danças – seja como flores ou flocos de neves – e o ambiente de sonho faz com que a atmosfera do repertório traduza, para muitos, o significado da própria dança.

E a gente, claro, não sairia imune a esse encantamento. Felipe conta que a versão que mais lhe marcou foi a do Royal Ballet, em 2009 – de fato, uma das mais populares da companhia.

“Essa foi a primeira vez que assisti o repertório completo, e a versão da companhia é altamente atrativa e lúdica. A parte que mais gosto, com certeza, é o pas de deux da Fada Açucarada com o príncipe, com a Miyako Yoshida e o atual queridinho do Royal, Steven McRae. Dancei esse repertório apenas uma vez, no qual fiz o personagem Fritz (irmão da protagonista, Clara) e um pas de trois dos Mirlitons, já no segundo ato, no Reino dos Doces. Esse, para mim, ficou muito marcado, e ainda espero dançar novamente!”

Steven McRae e Miyako Yoshida como príncipe e Fada Açucarada do Royal Ballet, em 2009 (Foto: Royal Ballet)
Steven McRae e Miyako Yoshida (Foto: Royal Ballet)

Já eu me rendi aos encantos d’O Quebra Nozes bem antes. A versão que mais me marcou foi do New York City Ballet, de 1993, que tinha Macaulay Culkin como o Príncipe Quebra-Nozes e narração de Kevin Kline. Foi uma versão muito teatral e extremamente bem-produzida, e lembro que, mesmo pequenininha, me encantei com a Dança Cigana e, com os flocos de neve e, claro, com o pas de deux da Fada Açucarada e seu Cavaleiro, protagonizado por Darci Kistler Damian Woetzel.  Minha experiência com os palcos também é pequena: dancei uma vez, quando tinha sete aninhos, e participei da Dança Chinesa.

 

Marie/Clara e o príncipe (Macaulay Culkin) se despedem do Reino dos Sonhos (Foto: Reprodução)
Marie/Clara e o príncipe (Macaulay Culkin) se despedem do Reino dos Doces (Foto: Reprodução)

Uma outra coisa que amamos fazer é assistir ensaios, para entender como é que a mágica acontece. Nesse sentido temos muito a agradecer ao Royal Ballet, que volta e meia disponibiliza ensaios dos bailarinos principais conduzidos por mestres e répétiteurs (remontadores) da companhia. Nesse abaixo temos a Lauren Cuthbertson e Matthew Golding sendo dirigidos pelo diretor Kevin O’Hare. Vejam a atenção que ele tem com a musicalidade, delicadeza e o olhar dos dançarinos! Dicas impagáveis 🙂

Para quem quiser assistir à versão do New York City de 1993, tem o link para o ballet completo aqui!

E você? Qual é seu “O Quebra Nozes” preferido?