Gabriel Matheó: “O Bolshoi não forma apenas bailarinos”

A Bahia está danada para mandar bailarinos para fora do Brasil! O mais novo é Gabriel Matheó Bellucci, formado pela Escola Bolshoi e ex-bailarino da companhia da escola, que bate as asas rumo à Europaballett, na Áustria.

Conversamos um pouquinho com ele para saber como foi sua preparação aqui na Bahia e de que forma sua formação no Bolshoi contribuiu para que ele tivesse uma projeção internacional tão rápido. O que percebemos foi muito carinho e reconhecimento tanto à Escola Bolshoi quanto à Academia de Dança Adalgisa Rolim, onde ele deu os primeiros passos no ballet clássico. E, assim como muitos bailarinos, Gabriel pensa em voltar ao Brasil para ensinar e contribuir para o melhorar o cenário de dança que o formou.

Como foi que você conheceu a dança? Qual foi a academia daqui da Bahia que te “revelou”?

Na minha escola em Villas do Atlântico (zona metropolitana de Salvador) existe uma gincana anual onde os alunos de cada ano se organizam e criam coreografias, cartazes, apresentações de teatro etc. Foi meu primeiro contato com a dança, mas nada profissional. Quando tinha 10 anos fui matricular minha irmã na Academia de Dança Adalgisa Rolim, e acabei fazendo uma aula experimental. Resultado: ela saiu meses depois e eu fiquei, durante quatro anos. Foi lá que dei meus primeiros passos com o ballet clássico e jazz. Foi uma época muito importante, tia Gisa me deu bolsa nesses quatro anos e a ela sou muito grato por ter me encaminhado futuramente pro Bolshoi e por ter me orientado desde o comecinho.

Quando foi que você decidiu se tornar profissional? Qual o impacto que a escola do Bolshoi teve na sua vida?

Em 2010 participei da audição do Bolshoi no concurso Ballace em Camaçari e fui aprovado com bolsa integral. Até me formar eu não tinha ideia do quanto o Bolshoi tinha me dado, tanto tecnicamente (por ser uma escola de método russo, Vaganova, a excelência cobrada é altíssima) quanto psicologicamente. O Bolshoi não forma apenas bailarinos, lá aprendi a ter disciplina, zelo, paciência, respeito, persistência, força … É uma rotina muito puxada, estudava pela manhã, e fazia aulas à tarde. Sem ter passado por isso, hoje, não estaria indo pra Europa, não teria conhecido artistas com almas tão bonitas e talentos excepcionais, sou muito grato por tudo que aprendi na minha época de Escola Bolshoi.

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Gabriel em apresentação no Bolshoi (Foto: Acervo pessoal)

Você está realizando o sonho de muitos bailarinos e bailarinas brasileiros, que é dançar numa companhia internacional. Como foi que você chegou à audição?

Ano passado quando me formei na escola, fui contratado pela companhia jovem Bolshoi Brasil, que é o primeiro contato profissional que nós, ex-alunos, podemos ter assim que nos formamos. Até ano passado eu era aluno formando, esse ano fui funcionário e pude conhecer um outro lado da escola, tão rígido quanto antes, porém com um tratamento diferente. A cia jovem me trouxe muita experiência artística ou “de palco” como a gente chama. Em agosto fui pra Áustria fazer audição e passei, voltei pro Brasil há duas semanas (final de agosto) para finalizar meu período com o Bolshoi e viajo para a Áustria dia 6 de setembro para começar uma nova etapa.

Outros bailarinos que saíram do Bolshoi – como a também baiana Mariana Miranda – também estão a caminho de companhias fora do país. Acha que é uma tendência?

Com certeza é uma tendência e um desejo de muitos. Somos preparados e treinados pra isso. No Brasil sabemos o quanto é difícil em viver da arte em geral, então somos “obrigados” a buscar oportunidades fora do país.

Quais são seus planos pro futuro? Pensa em voltar a dançar aqui no Brasil?

Por enquanto quero passar algum tempo fora ainda, viajando e conhecendo novas companhias e novas cidades. A carreira em cima dos palcos é curta, então temos que aproveitar o máximo, pra depois trabalhar no “bastidores” dando aula, ensaiando, repassando o que um dia nos foi ensinado.

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Cerimônia de Encerramento da Olimpíada: o que teve!

A Olimpíada chegou ao fim, mas ainda ficamos com nossas resenhas de vídeos para alegrar nossa audiência, não é mesmo? Então, ainda em clima olímpico, faremos uma análise um pouco maior sobre a coreografia apresentada pelo Grupo Corpo no encerramento Rio 2016. Lembrando que ainda tem as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Paralímpicos, então podemos voltar a esse tema a partir do dia 7 🙂

Já falamos nesse post sobre a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, que contou com coreografia de Deborah Colker e foi um show incrível para abrir com chave de ouro essa cerimônia que une culturas tão diferentes em prol do esporte.

Agora, vamos ao que interessa! No encerramento da Olimpíada, foram apresentados quatro minutos de um trecho de Parabelo (1997), obra pertencente ao Grupo Corpo e que traz fortes referências nordestinas em sua coreografia. Composto de um jogo de pernas rápido e aparentemente “solto”, porém perceptivelmente coreografado, os bailarinos trazem junto com seus movimentos a força da música nordestina. Apresentando também figurinos simples e com cores vibrantes, valorizando ainda mais o movimento.

 

Apesar da chuva ocorrida durante o encerramento, não houve o que desanimasse os bailarinos durante a coreografia, o que se tornou ainda mais marcante diante do evento. Afinal de contas, não é todo dia que temos a honra de encerrar uma Olimpíada, não? Durante a narração do evento, muitos comentaristas disseram que foi justamente a chuva que deu uma dramaticidade maior ao encerramento, no maior estilo “Cantando na Chuva”. E é verdade! Só ficamos meio tensos ao assistir com medo de que algum bailarino escorregasse.

Infelizmente, não conseguimos encontrar nenhum vídeo oficial desse momento, mas fica aí um dos registros que achamos e que vai ficar para a posteridade:

 

Deixaremos também um vídeo oficial do canal no YouTube do Grupo corpo, que mostra esse mesmo trecho apresentado na festa de encerramento. Lembrando que vale suuuuuuuper a pena conferir os demais vídeos da companhia, tão bons quanto esse 🙂

 

Para quem ficou interessado em conhecer mais da companhia pode visitar o site oficial clicando aqui!

Para ver outras resenhas, essas do #videosdasemana, clique AQUI!

(Foto da capa: Getty Images/Alexander Hassenstein)

Márcia Jaqueline: “O Theatro Municipal do Rio de Janeiro é feito de tradição”

Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Márcia Jaqueline é uma das bailarinas brasileiras mais bem-sucedidas aqui no país. Ela começou seus estudos de ballet clássico na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e, aos 14 anos de idade, formou-se e foi logo chamada pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ) para trabalhar como bailarina estagiária. O convite partiu do então diretor Jean-Yves Lormeau. Ela foi tão bem que, dois anos depois, foi contratada para o corpo de baile do TMRJ – instituição que ela nunca deixou. Aqui ela fala um pouquinho sobre sua carreira, com o é ser dançarina no Brasil, momentos marcantes no palco e fora dele… E algumas coisinhas a mais!
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Márcia Jaqueline como Kitri, em Dom Quixote
Ser primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro é coisa para poucas. Acha que o cargo vem com um ‘peso’ da tradição?
Com certeza, eu estou numa companhia onde Bertha Rosanova foi primeira bailarina, e outros grandes nomes da dança brasileira, como Cristina Martinelle, Aurea Hammerli, Nora Esteves, Ana Botafogo, Cecília Kerche…O Theatro Municipal é feito de tradição e ser primeira bailarina hoje me faz querer continuar escrevendo essa história que há anos vem sendo construída, sempre respeitando os que começaram esse trabalho.
Muitos bailarinos e bailarinas brasileiros estão decidindo sair do país para conseguir apostar em suas carreiras. Continuar no Brasil é um ato de resistência?
Eu acho que não somos valorizados o tanto que merecemos. Os bailarinos que estão aqui são incríveis, mas estamos sempre precisando superar alguma dificuldade que nos é colocada. Sempre nos é dito que não somos prioridade. Claro que estamos muito defasados em várias áreas, como educação e saúde, mas há muito tempo se ouve que vão priorizá-las também e não vejo melhorias. Se até lá demora, então até chegar alguma melhoria na cultura acho que vai demorar muito ainda. Isso se chegar um dia. Por isso tantos talentos indo embora, e nós que ficamos, fazemos porque amamos nosso Theatro, nosso público – esses sim, nos dão força pra continuar.
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Foto clássica Giselle, no segundo ato do ballet

 

Você já pensou em dançar fora?

Eu nunca pensei, não, sempre quis fazer carreira aqui e dançar para os que eu amo.  E também nunca quis ficar longe da minha família. Nossa carreira não é fácil, todo dia temos que provar que somos capazes, são muitas dores,  às vezes decepções. Longe deles, que são meu alicerce, eu não conseguiria.
Sua história com o ballet começou muito cedo, aos três anos – e aos 14 você começou sua carreira no TMRJ. Você sempre quis ser bailarina?
Dos três aos nove anos eu fazia jazz, nunca pensei em ser bailarina profissional, não. A paixão veio quando entrei para a Escola de Danças Maria Olenewa. Ali eu estava tão pertinho dos bailarinos do Theatro, assistindo os balés, aí sim a vontade foi crescendo dentro de mim.
Todos os grandes dançarinos tiveram – ou têm – grandes mestres. Quem foi que mais te marcou enquanto aluna?
Três professoras me marcaram enquanto aluna, porque além de me ensinarem, cuidaram de mim como uma filha também. Tia Edy (Edy Diegues), tia Amelinha (Amelia Moreira) e tia Regina (Regina Bertelli). As duas últimas não estão mais nesse mundo, mas tia Edy continua sempre comigo, me liga sempre, nunca esquece meu aniversário, e sempre que nos falamos diz que estou sempre em suas orações.
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Márcia como Nikyia, em La Bayadère

Na sua carreira você já dividiu o palco com várias estrelas – uma delas foi Marcelo Gomes, no ano passado, quando dançaram O Quebra-Nozes. Tem algum momento que você considere como o mais memorável da sua vida na dança?

Foi incrível dançar com Marcelo, com certeza umas das experiências mais incríveis da minha carreira. Eu tive vários momentos memoráveis, cada balé que me é dado é um desafio, que quando dançado fica guardado pra sempre. Tem um momento muito especial sim, foi em Romeu e Julieta, que foi remontado por Marcia Haydée. Passei dois meses com ela na sala ensinando o balé. Eu já admirava muito  toda sua história e carreira, mas fiquei mais encantada ainda com sua generosidade. Ela passava cada detalhe, cada sentimento, e quando ela mostrava alguma cena, era um momento de pura emoção – muitas vezes não conseguia segurar as lágrimas. É uma verdadeira diva, sou muito fã.
Você tem algum sonho não realizado? Qual é?
As coisas que sonhei quando estudante de balé , eu realizei. Claro que sempre quero mais! Acho que não um sonho, mas um desejo, é dançar mais fora do Brasil. Sonho, eu tenho um sim, mas isso mais pra frente, quando estiver parando de dançar. Não posso contar ainda.
Um pouquinho de Márcia Jaqueline em cena! Ela e Cícero Gomes no pas de deux d’O Quebra Nozes no TMRJ.
*Todas as fotos foram tiradas do site oficial de Márcia Jaqueline

Um presente agregador!

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Grupo Experimental de Jazz em cena (Foto: Arquivo pessoal)

A gente já tinha conversado aqui com o diretor do Grupo Experimental de Jazz, Victor Hugo, sobre as dificuldades de se manter uma companhia de dança no Brasil. E são muitas: desde o público, que não enxerga uma atividade cultural como lazer, ao custo enorme de organizar apresentações sem qualquer tipo de patrocínio.

Pois bem: nesta semana foi o aniversário dele (parabéns!!!), e, como todo aniversariante, Victor Hugo pediu um presentinho. Só que em vez de roupas, acessórios ou um jantarzinho à luz de velas, o presente que ele pediu não foi só pra ele. Foi um pedido de ajuda para custear o novo espetáculo do grupo.

Ficamos muito tocados com essa iniciativa, e resolvemos divulgar a mensagem que ele mandou aos amigos do Facebook. Esperamos que Victor Hugo receba MUITOS presentes, e que ele continue a nos presentear com a dança 🙂

“Pois é, como o Facebook cumpre muito bem o papel de avisar datas de aniversário, todos os meus amigos do Face sabem que o meu está chegando. Esse ano eu não quero presentes específicos, quero pedir aos meus amigos, ou às pessoas que admiram meu trabalho, ou às que simplesmente acreditam na arte para ajudar na arrecadação de verba para a produção do novo espetáculo do Grupo Experimental de Jazz. Então peço a todos como forma de presente que doem o que puderem!”

O link para a Vakinha está aqui, e quem quiser saber um pouquinho mais da companhia dele pode assistir aqui:

Ballet muda vidas nas favelas cariocas

Essa matéria linda veio de uma sugestão da leitora Paula Lima (obrigada!!!), e resolvemos traduzir para que todo mundo possa ter acesso. Basicamente, a Marie Claire americana resolveu ver o que algumas meninas no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, faziam na quadra vestidas de bailarinas.

O resultado é que uma escolinha de ballet, montada por Tuany Nascimento, de 22 anos, começou a fazer a diferença na vida de dezenas de meninas que têm, agora, aula de dança na escolinha Na Ponta dos Pés. Ao todo, são 49 alunas no projeto, que já tem dois anos.

Tuany conta que não tinha ideia de montar uma escola, mas sim de praticar sozinha depois que desistiu de ser profissional. “Eu vinha sozinha, mas sempre tinha uma ou outra menina que vinha ver o que eu estava fazendo e queria fazer também”. Foi daí que surgiu Na Ponta dos Pés, escolinha que oferece três aulas de dança duas vezes na semana.

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Mini bailarinas imitam a professora (Foto: Na Ponta dos Pés / Divulgação)

“Ballet clássico é uma das formas de arte que mais transformam a pessoa. Quando você está aqui você tem regras, disciplina, desafios… Tudo que você vai encontrar na vida real. Eu sei que não vou ter 49 bailarinas profissionais. Se tiver uma, maravilha! Mas vamos ter 49 bailarinas, meninas com a mente mais educada que vão buscar mais opções na vida, por um futuro melhor”, diz Tuany, que está cursando Educação Física na Faculdade Celso Lisboa.

“A maioria pensa: eu vou arranjar um trabalho perto de casa, depois vou ser mãe. Elas não ultrapassam os muros da comunidade, e eu quero mostrar que o mundo é muito maior do que isso e que existe chance pra todo mundo”.

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(Foto: Na Ponta dos Pés / Reprodução)

Além disso, é uma boa oportunidade de afastar o preconceito das pessoas – e policiais – em relação às favelas. “Não adianta muito trocar as armas dos traficantes pelas armas da polícia (diz, em referência à pacificação nas comunidades). O ideal é trocar as armas por uma luva de boxe, um computador, um par de sapatilhas”.

Quer ver a matéria original? Clica aqui!

Quer saber mais sobre o projeto? Clica aqui!

 

 

Junior Oliveira: “Em 10 anos de Workdance aprendi a lidar com o outro”

Professor de ballet clássico e jazz, Junior Oliveira comanda, há dez anos, o projeto Workdance, que tem como propósito levar a dança para o interior da Bahia. Hoje, o programa já é consagrado em 14 cidades, e em sete* delas, a ação atual possui apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) através do edital Setorial da Dança. Mesmo assim, Junior garante que vai continuar levando o Workdance Bahia afora mesmo com recursos próprios, como vinha fazendo antes. De novidade para 2016 temos a reedição do Workdance Competition, modalidade competitiva que estreou ano passado, e um curso de preparação para professores de dança nas cidades do interior, que ainda vai começar.

De onde veio o ‘estalo’ para você criar um projeto de dança pelo interior da Bahia?

Junior: Partiu da necessidade da inclusão da dança no interior da Bahia, e da necessidade de me formar melhor como professor. Um bom bailarino pode não ser um bom professor, ou coreógrafo, e vice-versa. Eu acho que o estudo e a pedagogia fazem a diferença, e percebi mais ainda quando entrei na Faculdade de Dança da Universidade Federal da Bahia. Eu quis explorar mais esse lado teórico, mesmo já dando aulas em escolas de ballet há muitos anos. Daí, em 2006, eu resolvi colocar a teoria em prática nas cidades do interior do estado, começando por Senhor do Bonfim, porque lá a arte chega com alguma dificuldade.

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Aula de ballet clássico (Foto: Workdance / Divulgação)

O que aconteceu nesses 10 anos?

Junior: Nesses 10 anos de projeto aprendi a lidar com outro, com a leitura que o outro tem do projeto e da sua imagem. Por causa disso eu inclusive mudei minha forma de me vestir, de me apresentar aos pais no final do projeto, sabia? Algumas pessoas ainda vêem uma forma mais informal de vestimenta com desleixo, especialmente no interior. Então me adaptei a essa realidade. O projeto é voltado para o interior do estado, com a cultura e arte. atendemos a 14 cidades e nesse ano vamos atender a mais duas capitais. Hoje já temos até outros projetos nas cidades que não apenas culturas. Em algumas cidades ficamos uma semana, em outras ficamos 12 dias… Depende da disponibilidade.

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O professor Junior Oliveira (Foto: Acervo pessoal)

E como é a apresentação aos pais?

Junior: Nos finais das oficinas sempre realizamos uma mostra, uma apresentação de dança aos pais. Às vezes até os prefeitos das cidades comparecem. Tem algo curioso: os professores premiam os alunos que mais se destacam na oficina. Mas essa premiação não tem caráter competitivo, é apenas para fazer com que os alunos se superem e busquem aprimorar o desempenho. Normalmente esse prêmio é um artigo de dança, como sapatilhas. Mas mesmo sendo algo pequeno, os alunos ficam enlouquecidos!

 

Qual é a sua proposta com o Workdance?

Junior: Eu venho do ballet clássico, e uma das coisas que proponho é a gente ver até onde podemos chegar na dança com os nossos corpos. Além disso, gosto de discutir e desconstruir o papel do gênero no ballet. E até mesmo os contos de fadas, né, que é tudo mentira. Não é só o homem que precisa ser a força na dança, por exemplo. E não é só a mulher que pode ser delicada.

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Apresentação pós-oficina (Foto: Workdance / Divulgação)

Você já percebeu algum aluno ou aluna que poderia ter futuro na dança?

Junior: Sim, e estamos com projetos para lançar esses alunos e alunas. Em 2015 tivemos a primeira edição do Workdance Competition, esse sim um projeto de competição. Nele, contemplamos quatro bailarinos do interior para ficarem aqui em Salvador com tudo pago no mês de janeiro. Eles fizeram cursos, foram a apresentações… Fizeram teste para a escola de Dança da Funceb, também. Os cinco alunos que fizeram – um outro menino veio só para fazer o teste – passaram, mas hoje só dois estão cursando. As meninas voltaram para o interior porque passaram no vestibular. São coisas da vida que acontecem, as pessoas mudam de ideia, percebem que dançar não é bem o que elas querem… Enfim. Meu papel é levar a dança para quem não conhecia, e abrir portas para as pessoas.

 

Veja mais fotos:

*As cidades que contam com o aporte financeiro do Governo do Estado da Bahia no edital de 2014 são Senhor do Bonfim, Santo Amaro, Itabuna, Valença, Jacobina, Miguel Calmon e Alagoinhas.

 

Russian State Ballet vem ao Brasil

Tem ballet russo chegando em terras tupiniquins! Solistas do Russian State Ballet vão percorrer capitais de todos os estados do país com o espetáculo de divertimentos “Estrelas do Ballet Russo”. A programação conta com com trechos de clássicos como O Lago dos Cisnes, Romeu e Julieta, A Bela Adormecida, O Quebra Nozes, Giselle, Spartacus, O Corsário, Cinderella, e Don Quixote, dentre outros.

A turnê, que acontece no mês de maio, é composta por 50 bailarinos de grandes companhias russas que, divididos em dois grupos, vão se revezar entre as apresentações. De acordo com a assessoria do espetáculo, a iniciativa de trazer a companhia ao Brasil foi do produtor brasileiro Augusto Stevanovich, com apoio do ministério da cultura da Rússia.

“Levar o espetáculo do Amazonas ao Rio Grande do Sul, do Mato Grosso ao Rio de Janeiro é um grande desafio. Essa emoção fica marcada para toda vida e fideliza nosso público. Além de fazer com que cada vez mais pessoas queiram assistir ao ballet”, diz Stevanovich.

O que nós achamos: parece que o ballet russo está, mesmo, querendo se aproximar do público brasileiro. Primeiro, com as transmissões ao vivo de espetáculos do Bolshoi nos cinemas UCI (já falamos sobre isso aqui!) e, agora, com mais essa edição do Ballet da Rússia no Brasil. Adoramos a iniciativa, só achamos que os precinhos poderiam ser menos salgados, né? Em Salvador, variam entre R$ 280 (inteira mais cara) e R$ 90 (meia-entrada mais barata).

 

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O Lago dos Cisnes faz parte do repertório (Fotos: Divulgação/ Ballet da Rússia)

Serviço (capitais de estado com datas e locais confirmados):

São Paulo: Teatro Tom Jobim, nos dias 23 e 24 de abril (sábado e domingo), Teatro Frei Caneca no dia 25 de abril (segunda-feira) e Teatro das Artes no dia 26 de abril (terça-feira)

Rio de Janeiro: Teatro Oi Casagrande nos dias 3 e 4 de maio (terça e quarta-feira)

Belo Horizonte: Cine Theatro nos dia 5 e 6 de maio (quinta e sexta-feira)

Vitória: Arena Vila Velha no dia 7 de maio (sábado)

Salvador: Teatro Castro Alves, nos dias 11 e 12 de maio (quarta e quinta-feira), às 21h. Ingressos à venda na bilheteria do teatro, nos SACs do Shopping Barra e Bela Vista e pelo site ingressorapido.com.br

Aracaju:Teatro Atheneu, no dia 13 de maio (sexta-feira)

Teresina: Teatro Teresina Hall, no dia 14 de maio (sábado)

Fortaleza: Teatro Unifor, no dia 15 de maio (domingo) e Riomar, no dia 17 de maio (terça-feira)

Mais informações: http://www.balletdarussia.com/

Perfil: Marius Petipa

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Petipa é o autor dos ballets clássicos mais tradicionais

Marius Ivanovich Petipa pode ser facilmente apelidado de “pai” do ballet romântico. O coreógrafo viveu entre 1818 e 1910 e foi responsável por assinar a montagem de repertórios clássicos ainda extremamente populares entre as maiores companhias do mundo. Entre eles estão O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra-Nozes, Don Quixote, Raymonda, Giselle, O Corsário e La Bayadère.

Nascido em Marseille, na França, Petipa teve contato com a dança desde cedo. Seu pai era bailarino e ele mesmo começou a acompanhá-lo em turnês com a companhia aos nove anos. Aos 16, entrou no Théâtre Nantes, e foi lá que ele começou a coreografar algumas peças.

Em 1847, após alguns anos trabalhando como dançarino na França, ele foi para a Rússia, onde seu trabalho tomou proporções históricas.Dois meses depois da sua chegada, tornou-se bailarino principal e maître de ballet do Mariinsky, até hoje a maior companhia de São Petersburgo. Lá, Petipa ficou conhecido como coreógrafo em 1859, ao assinar a montagem de A Filha do Faraó. No entanto, foi apenas em 1869 que ele se tornou o coreógrafo-chefe da companhia.

Pierina, a pioneira dos 32 fouettés
Pierina, a pioneira dos 32 fouettés

O trabalho de Petipa se caracteriza pelo virtuosismo e pelo rigor técnico, além dos gestos carregados de dramaticidade. O Lago dos Cisnes é prova disso: a gente falou sobre as mímicas dos mis-en-scènes, verdadeiros diálogos com o corpo. Ainda no Lago, podemos comprovar o rigor técnico na coda de Odile, o cisne negro. Foi nesse ballet que a exigência dos 32 fouettés apareceu pela primeira vez. A bailarina que “inspirou” essa ideia foi Pierina Legnani, muito por conta da sua habilidade técnica.

Os 32 fouettés na coda se tornaram uma assinatura de Petipa, que a reaplicou em vários de seus repertórios. Outra assinatura do mestre foi o uso extensivo do corpo de baile durante toda a apresentação, com coreografias que exigiam sincronia precisão milimétrica das bailarinas.

O último grande ballet coreografado por Petipa foi Raymonda, em 1898. O mestre se aposentou em 1903, com dezenas de repertórios (entre montagens originais e recriações) no currículo. Fica difícil precisar quantos porque alguns deixaram de ser apresentados e caíram no ostracismo e outros se “fundiram”.

American Ballet Theatre
O corpo de baile, marca registrada do maître de ballet!

 

Mais perfis:

Rudolf Nureyev

Darcey Bussel

 

Vídeo da semana #15!!

O #videodasemana de hoje é uma sugestão da nossa leitora Bruna Coutinho Beloso. Você provavelmente já conhece a música e também o videoclipe, ambos fizeram sucesso em 2014 e ainda fazem a cabeça das pessoas: no caso é “Chandelier”, da cantora Sia.

Inicialmente, vamos falar da bailarina que protagoniza o clipe. Maddie Zigler, um prodígio que se tornou conhecida pela sua participação no reality americano Dance Moms. Ela se tornou garota propaganda da marca Capezio em 2015 e além disso protagonizou outros dois clipes da cantora Sia: Elastic Heart e Big Girls Cry. E isso tudo tendo apenas 13 anos. Uau!! Haja talento!!

Sobre o clipe: Chandelier se passa em uma casa aparentemente abandonada, com uns poucos móveis, figurino com um collant nude e peruca loira, característica marcante dos clipes da cantora Sia. Uma coreografia forte, onde a Maddie usa e abusa de expressividade facial, que em muito constitui a sua dança. Ela passa rapidamente da alegria e euforia para tristeza, medo, e contando sempre com uma flexibilidade de dar inveja (você já-já vai saber do que estamos falando).

Tanto é que Juliana, sócia do blog, arrisca dizer que ela é a futura Miko Fogarty! Bem, não sabemos ainda seu futuro com certeza, mas podemos dizer que ela arrasa – e muito!-  aqui no presente. Vamos ao vídeo:

 

Clique aqui para conferir nosso acervo de #videosdasemana !

Dica indicada!

Dia de segunda-feira a gente normalmente coloca aqui uma dica de aquecimento, fortalecimento, técnica ou até de alimentação. E hoje não será diferente! Só que, em vez de um post, indicamos um blog: o Academia de Estrelas, que (não por acaso, hehe!) nos entrevistou na semana passada sobre nossa experiência com o ballet ‘fitness’ (não viu? clica aqui!)

O blog, coordenado pela jornalista Giovanna Castro, tem sempre dicas legais de como se manter saudável com uma dieta balanceada, fazer exercícios diferentes e aponta novidades no mundo ‘fit’. Nem sempre tem a ver com dança, mas a gente já falou aqui que é importante fazer atividades de fortalecimento para não sobrecarregar o corpo!

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A prancha, por exemplo, é um excelente exercício de fortalecimento!

 

Esperamos que gostem das dicas e que sirvam de complemento à dança! Aproveitamos para deixar aqui nosso pedido: Sugiram posts! Contem pra gente sobre o que vocês querem ler por aqui que nós corremos atrás 🙂

Nosso contato: oitotemposblog@gmail.com ou @oitotemposblog no Instagram, Facebook e Twitter!