Dançarinos acrobatas do Quênia chegam ao Brasil pela primeira vez

Curte acrobacia? E acrobacia com dança? Melhor ainda, não? Pois o Quenian Boys (ou Kenyan Boys), grupo africano formado por seis bailarinos acrobáticos, fazem isso tudo e ainda se aventuram em números com fogo.

O grupo, treinado por acrobatas chineses, começou no Quênia, nos anos 1990, e migrou em 2005 para os Estados Unidos depois de fazer sucesso no mundo inteiro. Lá, eles se apresentaram em parques temáticos da Disney e também participaram de shows de intervalo da NBA, maior liga de basquete do mundo, e apareceram no Dance On!, programa de dança da Big Apple Circus.

Eles chegam ao Brasil pela primeira para compor a nova temporada do Le Cirque, tradicional circo francês.

O circo informou que o elenco deste ano está todo novo, mas segue com artistas e acrobatas de vários países. Além dos Quenian Boys, as atrações variam das mais tradicionais, como palhaços e globo da morte, aos que os bailarinos curtem mais, como os contorcionistas (quem nunca invejou a flexibilidade deles?).

Para quem mora em Salvador, a nova temporada apresenta espetáculos com 1h40 de duração de quarta a sexta às 20h30 e aos sábados e domingos às 15h, 18h e 20h30.

Os ingressos custam R$ 40 (Platéia Comum – inteira) | R$ 20 (Platéia Comum – meia) | R$ 60 (Platéia Central – inteira) e R$ 30 (Platéia Central – meia).

Abaixo um videozinho de quando eles se apresentaram no Zippos Circus, no Reino Unido:

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Falamos sobre improvisação na dança com Guego Anunciação

Eu sei que tem mais de uma semana que eu prometo lançar esse post aqui, mas nossa, sobra trabalho e falta tempo nesse 2017! Mas eis que posso contar um pouco da minha experiência com dança contemporânea e, mais especificamente, sobre improvisação na dança – que pode ser qualquer estilo, ok?

Aproveitei as férias do ballet para me jogar num estilo que eu não tenho tanta intimidade, mas que adoro acompanhar, que é o contemporâneo. Só que o que eu não sabia era que o professor, o bailarino, pesquisador e meu amigo Guego Anunciação, resolveu fazer mais do que apenas passar técnica de passos e fazer algumas experimentações com os sortudos que resolveram fazer as aulas.

 

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Guego sendo divo (Foto: acervo pessoal)

Brincamos muito com a voz, entre sons e palavras. E depois passamos para a parte difícil: improvisação. Como assim? Assim mesmo. Liga a música (ou não!) e dança da forma que dá na telha. E vale tudo, até ficar parado. Uma coisa que poucos sabem: improvisação diz MUITO do seu repertório como dançarino. É quando você se solta das combinações de uma coreografia, os passos fluem de uma maneira bem diferente. Dá um medo danado, mas chega uma hora que a mente dá um estalo começa, automaticamente, a buscar o que faz mais sentido para o corpo. Em miúdos: você pega o jeito.

“Eu, como bailarino clássico, encontrei esse meio para pensar na minha pesquisa corporal, mesmo. De como eu posso aliar a improvisação com um repertório que eu já tinha de ballet clássico e das outras  experiências que vieram depois com dança contemporânea. Fora que tem a dificuldade de se encontrar essa técnica de improvisação no espaço de ballet, onde os alunos geralmente trabalham como intérpretes condicionados a uma coreografia. Eu acho que a improvisação é muito libertadora nesse sentido, abre possibilidades para que o balarino possa ter acesso a outros repertórios”, disse Guego com muita propriedade.

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Guego em Missa de Sétimo Dia (Foto de Marcus Socco)

Acho que a palavrinha mágica aí é técnica. Assim como qualquer passo, você precisa de uma técnica para improvisar da melhor forma possível para pensar rápido nos ligamentos, fazer aquilo que seja mais natural para o corpo e ainda dê um caldo coreograficamente falando. De certa forma, não deixa de ser um exercício 😉

Resgatamos esse videozinho dele no nosso instagram! Saca só:

 

Motivos para assistir: Romeu e Julieta!

Depois de muito tempo longe das resenhas, eis que o Oito Tempos volta a fazer uma das coisas que mais gosta: compartilhar análises sobre obras que assistimos! Dessa vez, assisti Romeu e Julieta do ballet La Scala com Roberto Bolle e Misty Copeland nos papeis principais. Foi uma experiência tão envolvente que resolvi colocar aqui, num formato novo, os motivos que me levaram a amar essa produção e colocá-la na minha lista (longa, verdade!) de montagens favoritas. Vamos lá!

 

Primeiro encontro de Romeu e Julieta (Foto: Reprodução)
Primeiro encontro de Romeu e Julieta (Foto: Reprodução)

1.Misty Copeland e Roberto Bolle como principais

Nós aqui do blog já amamos o Roberto Bolle como solista, pois ele é aquele tipo que toma toda a atenção para si e você praticamente nem olha para quem tá do lado dele, não é verdade? Agora, quando essa outra pessoa é a Misty Copeland, ficamos divididos e apaixonados em cena pelos dois. Primeiramente, a química deles no palco é incrível!! Eles incorporam os personagens de uma maneira muito real e que convence (de verdade!). Minha grande e maravilhosa surpresa foi ter visto pela primeira vez a Misty em um ballet completo, e uma técnica impecável que só foi valorizada ainda mais pelo partner.

2. A música de Sergei Prokofiev

Com certeza é o que há de mais importante nesse ballet. A música basicamente dita o tom de toda a produção e casa bem com todas as cenas que correspondem a ela. É o tipo que arrepia nos primeiros movimentos dos violinos e entra nos ouvidos de maneira agradável e marcante ao mesmo tempo.

O pas de deux mais emocionante! (Foto: Reprodução)
O pas de deux mais emocionante! (Foto: Reprodução)

3. Pas de deux do balcão ❤

Esse com certeza absoluta é o momento coreográfico clímax de todo o espetáculo. Todo o sentimento dos personagens aparece em forma de uma coreografia muito técnica e, ao mesmo tempo, sentimental e envolvente. Aí que a química deles fica em evidência total, e a gente até se questiona se os bailarinos sentem alguma coisa um pelo outro! Dá para, literalmente, se sentir transportado para aquele momento de amor do jovem casal!!

 

4. Conjunto da obra

Figurino com cores vibrantes e alegres, cenário histórico que nos leva diretamente à Verona do século XVI, atuações fantásticas do corpo de baile que compõem as cenas, música, protagonistas… Enfim, os motivos para você assistir ao ballet são muitos!

Figurino do corpo de baile também tem seu lugar!
Figurino do corpo de baile também tem seu lugar!

 

Se ficou interessado, clique aqui para baixar diretamente do nosso blog parceiro, Videos de Ballet Clássico.

Mais fotos aqui!

 

 

Vídeo da Semana #29

Hoje é um dia bom para soprar as teias de aranha do blog e fazer o PRIMEIRO POST DE 2017 (uhuul!) por dois motivos: é sexta-feira 13 tem vídeo novo rolando e é da brasileira linda Ingrid Silva, que dança no Dance Theatre of Harlem, nos Estados Unidos. Obrigada especial à leitora Paula Lima pela dica 🙂

A gente já falou aqui de uma colega dela (a também brasileira mas radicada nos EUA Alison Stroming), e quem acompanha nosso instagram e Facebook sabe o quanto somos fãs de Ingrid. E por isso esse vídeo é tão emocionante: conta um pouquinho da história dela em imagens, música, dança e algumas palavras.

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Ingrid nasceu no Rio de Janeiro, e no bairro de Benfica, onde morava, começou a fazer aulas de ballet. Depois de vários anos treinando e já reconhecida pelo seu talento inegável como bailarina, foi tentar a sorte nos Estados Unidos, onde fez audição para o Ballet do Haelem e passou. Hoje é uma das maiores bailarinas da sua geração – ao lado de ícones como Michaela DePrince e a própria Alison Stroming.

Sem pieguismo mas com muita sutileza e elegância, o pequeno filme nos conduz à trajetória dessa bailarina que ainda vai dar muito o que falar.

Confira!

 

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O que esperar de The Golden Age

Ser jornalista tem seus pontos positivos, e um deles é poder assistir a filmes e produções antes que elas estreiem para o público. Isso aconteceu comigo nessa semana, quando assisti ao The Golden Age (A Era de Ouro) do Bolshoi pelo jornal que eu trabalho (a matéria que eu fiz está aqui!). Esse repertório terá transmissão ao vivo nos cinemas UCI hoje e amanhã, e resolvi postar aqui uma impressão mais técnica para quem está pensando em assistir.

OBS: Se você não quiser ir ao cinema, pode baixar no blog Vídeos de Ballet Clássico!

Primeiro: importante contextualizar que esse ballet foi montado, originalmente, em 1930. Nessa época, a Rússia era a União Soviética e estava nos primeiros anos do regime socialista. Isso resultou num repúdio cultural aos países capitalistas, como os Estados Unidos e, também, a Europa.

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Nina Kapsova e Ruslan Skvortsov como Rita e Bóris (Fotos: Damir Yusupov / Bolshoi Theatre)

The Golden Age reflete isso muito bem. A trama se passa numa ilha litorânea no Sul da União Soviética nos anos 1920, num ambiente bem sensual e boêmio – lembrando bastante os cabarés parisienses.

A história segue o clássico enredo romântico: os personagens principais, a dançarina Rita e o pescador Bóris, se apaixonam e querem ficar juntos. Mas os vilões Yashka, líder de uma gangue criminosa, e Lyuska, sua fiel escudeira, tentam separá-los. Durante o espetáculo há muita dança e confusão no restaurante que, curiosamente, se chama The Golden Age. Spoiler: o final é dramático, mas feliz!

No geral, achei que a sátira funcionou muito bem no ballet. Não é exagerada, fica numa malícia implícita, bastante sensual e alegre. O Bolshoi soube usar os figurinos e combinar passos da dança de salão com o ballet clássico. Ponto para Yuri Grigorovich, que assina a coreografia.

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Ekaterina Krisanova e Mikhail Lobukhin como Lyuska e Yashka

A costura dos movimentos, especialmente nos solos, lembra muito Balanchine, embora Grigorovich tenha um estilo muito inspirado nas extensões, marca registrada da escola russa. Mas, ainda assim, ele cobra mais agilidade e giros mais certeiros das bailarinas, e exige delas uma musicalidade aguçada para fazer caber os passos na música. Achei bem interessante!

Quem gosta de pas de deux vai se encontrar nesse repertório: Rita e Bóris dançam juntos três vezes ao longo dos dois atos. Rita e Yashka mais uma vez, e Lyuska, de longe a personagem mais interessante da produção, apenas flerta com outros bailarinos durante suas aparições.

Acho que The Golden Age é uma boa pedida para esse fim de semana, especialmente porque é uma produção exclusiva do Bolshoi – nenhuma outra companhia no mundo apresenta esse repertório!

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Nina Kapsova e Mihkail Lobukhin como Rita e Yashka

Ballets da temporada do Bolshoi com transmissão nos cinemas:

A Era de Ouro: 19/11 (sábado) às 13h30 e 20/11 (domingo) às13h

O Quebra Nozes: 10/12 (sábado) e 11/12 (domingo)

O Lago dos Cisnes: 11/02/2017 (sábado) e 12/02/2017 (domingo)

A Bela Adormecida: 11/03/2017 (sábado) e 12/03/2017 (domingo)

Uma Noite Contemporânea: 29/04/2017 (sábado) e 30/04/2017 (domingo)

O Herói do Nosso Povo: 27/05/2017 (sábado) e 28/05/2017 (domingo)

Mais informações aqui.

Segue o trailer da temporada 2016/2017 do Bolshoi pra te convencer a ir 🙂

Quer mais notícias do Bolshoi? Tem aqui! Quer ler outras resenhas? Tem aqui!

World Ballet Day 2016 – National Ballet Of Canada

Mais um post para celebrar o #WorldBalletDay nosso de cada ano, evento que marcou a estreia do OITO TEMPOS como blog e que temos o prazer de acompanhar e resenhar para vocês!!

A quarta companhia que protagonizou a transmissão ao vivo foi o National Ballet Of Canada (quer ver o post do ano passado? clique aqui), que dessa vez faz sua transmissão em casa, na cidade de Toronto, já que ano passado estavam em turnê e realizaram o World Ballet Day durante a viagem.

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Aquecimento básico para começar o dia 🙂

De cara, começamos com a aula que é a minha parte favorita. Além de acompanharmos as extensões das linhas e técnica dos bailarinos também posso pegar alguns passos de inspiração para as minhas aulas (hehe). Muita roupa para aquecer e alongamento são essenciais antes da aula começar, e é claro, não podem faltar as bolinhas nossas de cada dia, item que somos muito adeptos aqui no blog (não é Ju?).

A aula foi comandada pelo professor Aleksandar Antonijevic de uma maneira bem tranquila com passos simples, prezando sempre a manutenção da técnica. Pausa para o professor falando com os bailarinos sobre a necessidade de levar a pirueta como um todo. Importante vermos como até mesmo companhias grandes passam pelos mesmos problemas de nós mortais náo é mesmo :-). Pausa Nº 2 para momento fisioterapia com o bailarino Naoya Ebe, parte do processo de ser um bailarino de alto rendimento. E pausa Nº 3 para falar o quanto a galera do blog achou super legal o look jovial e descontraído do nosso professor, continue assim!!

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Melhor professor: SIM ou COM CERTEZA?

Karen Kain, diretora artística da companhia falou sobre os repertórios da companhia para a temporada: Onegin, Lago dos Cisnes, Cinderella e O Quebra-Nozes, repertórios de peso dentro do ballet clássico. Além da maravilhosa estreia do Ballet Pinnochio : o que estamos ansiosos para ver se sai algum pedacinho no canal deles para o público. A companhia esse ano comemora sua 65ª Temporada. Parabéns aos envolvidos!!

Ensaios:

Cinderella com certeza foi o carro chefe da transmissão desse ano, ocupando quase metade do tempo, onde tivemos ensaio das fadas mais os homens cabeça-de-abóbora (cena muito interessante por sinal!), onde a companhia ainda afina os pontos da coreografia. A bailarina Sonia Rodriguez nos apresenta o backstage da produção durante os ensaios: sapatos, perucas e figurino da obra que envolve muitos profissionais.

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Fadas de Cinderela

O próximo ensaio foi do ballet Onegin, criado em 1964 pelo renomado coreógrafo John Cranko. Algumas cenas mais simples de mise en scéne (atuação durante o espetáculo de ballet) e danças de grupo, que demandam sincronia do grupo. É um repertório pouco conhecido por nós do blog, o que não quer dizer que tenhamos menos vontade de vê-lo.

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Corpo de Baile de Onegin

Durante o streaming do evento, tivemos a grata interrupção do Boston Ballet e do Miami City Ballet apresentando suas instalações e os ensaios de suas temporadas. Mas, calma! Não se preocupem que nós nos lembramos deles sim, mas isso é assunto para outro post (surpresa!).

Confira a nossa galeria de fotos:

 

Perfil: Anna Pavlova

Essa bailarina russa do século XIX ainda é, nos dias de hoje, uma das maiores referências ao ballet clássico. Anna Pavlova revolucionou o jeito de dançar nas pontas e consagrar a Rússia como ‘berço’ da dança, ao se tornar uma verdadeira celebridade. Uma das suas representações mais famosas foi A Morte do Cisne – repertório criado especialmente para ela e que foi apresentado pela primeira vez em 1905 – e Aurora, em A Bela Adormecida, seu repertório preferido.

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Anna Pavlova como cisne branco, papel que a consagrou (Foto: Reprodução)

Anna Matveievna Pavlova nasceu em São Petersburgo em 12 de fevereiro de 1881, numa família humilde. Nunca conheceu seu pai: quem cuidou de sua formação e educação foi sua mãe, Lyubov Fedorovna, que ganhava a vida lavando roupas. Lyubov foi a responsável pelo primeiro contato de Anna com a dança: levou-a ao Teatro Mariinsky em seu aniversário de oito anos para assistir A Bela Adormecida.

Fascinada, Anna resolveu se matricular na  Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, mas só conseguiu ser admitida dois anos depois, em 1891, quando completou dez anos. Com 18 anos estava formada na escola e entrou para o corpo de baile do Ballet Imperial Russo em 1899. A partir daí, sua carreira deslanchou.

Mas não sem antes quebrar barreiras. Anna tinha biotipo magro e longilíneo, bem diferente do ideal para bailarinas na época, que priorizava dançarinas fortes e musculosas. Ela também foi responsável por revolucionar a forma de subir à ponta – colocando todo o peso do corpo nos dedos, e esticando os pés.

anna-pavlovaEm 1906 chegou ao posto de prima ballerina, já famosa em sua terra natal. Nesse mesmo ano realizou seu sonho de infância e apresentou-se como Aurora em A Bela Adormecida no Teatro do Mariinsky.

Sua primeira apresentação internacional foi em 1908, emParis, quando dançou no Théâtre du Châtelet com o Ballets Russes de Sergei Diaghilev. De 1908 a 1911, apresentou-se com a companhia de Diaghilev, passando a dividir o seu tempo profissional entre as turnês e as apresentações no teatro Mariinsky. Em 2010 dançou em Nova York pela primeira vez, também com o Ballets Russes.

Em 1913 sai do Ballet Imperial e passa a se apresentar por sua própria conta, empresariada por Victor d’Andre, com quem casou-se no ano seguinte, em meio à Primeira Guerra Mundial. Os dois passaram a viver em Londres, e nessa época Anna excursionou nos Estados Unidos e na América do Sul – dançou no Municipal do Rio de Janeiro e São Paulo, além do Teatro da Paz, em Belém do Pará. Dançou também na Ásia, Oriente e África do Sul.

Olha só sua interpretação de Odette em A Morte do Cisne:

Anna morreu vítima de pneumonia, no auge da fama, e a duas semanas do seu aniversário de 50 anos.

Quer ver mais perfis? Clica aqui!

 

 

 

Cerimônia de Encerramento da Olimpíada: o que teve!

A Olimpíada chegou ao fim, mas ainda ficamos com nossas resenhas de vídeos para alegrar nossa audiência, não é mesmo? Então, ainda em clima olímpico, faremos uma análise um pouco maior sobre a coreografia apresentada pelo Grupo Corpo no encerramento Rio 2016. Lembrando que ainda tem as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Paralímpicos, então podemos voltar a esse tema a partir do dia 7 🙂

Já falamos nesse post sobre a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, que contou com coreografia de Deborah Colker e foi um show incrível para abrir com chave de ouro essa cerimônia que une culturas tão diferentes em prol do esporte.

Agora, vamos ao que interessa! No encerramento da Olimpíada, foram apresentados quatro minutos de um trecho de Parabelo (1997), obra pertencente ao Grupo Corpo e que traz fortes referências nordestinas em sua coreografia. Composto de um jogo de pernas rápido e aparentemente “solto”, porém perceptivelmente coreografado, os bailarinos trazem junto com seus movimentos a força da música nordestina. Apresentando também figurinos simples e com cores vibrantes, valorizando ainda mais o movimento.

 

Apesar da chuva ocorrida durante o encerramento, não houve o que desanimasse os bailarinos durante a coreografia, o que se tornou ainda mais marcante diante do evento. Afinal de contas, não é todo dia que temos a honra de encerrar uma Olimpíada, não? Durante a narração do evento, muitos comentaristas disseram que foi justamente a chuva que deu uma dramaticidade maior ao encerramento, no maior estilo “Cantando na Chuva”. E é verdade! Só ficamos meio tensos ao assistir com medo de que algum bailarino escorregasse.

Infelizmente, não conseguimos encontrar nenhum vídeo oficial desse momento, mas fica aí um dos registros que achamos e que vai ficar para a posteridade:

 

Deixaremos também um vídeo oficial do canal no YouTube do Grupo corpo, que mostra esse mesmo trecho apresentado na festa de encerramento. Lembrando que vale suuuuuuuper a pena conferir os demais vídeos da companhia, tão bons quanto esse 🙂

 

Para quem ficou interessado em conhecer mais da companhia pode visitar o site oficial clicando aqui!

Para ver outras resenhas, essas do #videosdasemana, clique AQUI!

(Foto da capa: Getty Images/Alexander Hassenstein)

Vídeo da Semana ESPECIAL da Cerimônia de Abertura Rio-2016

Como prometido, esse #videodasemana é diferente e especial: analisamos o que teve de dança na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016, que teve coreografia de Deborah Colker e bailarinos da companhia que leva seu nome.

Primeiro: o que foi essa abertura, gente? Foi muito emocionante, cheio de efeitos especiais e batendo na tecla daquela coisinha que a gente vive falando aqui: inclusão e empoderamento. Na coreografia, isso foi representado pelas danças populares de várias regiões do país – teve samba, maracatu, funk, passinho…

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Teve Carol Konka e MC Soffia conduzindo o rap e batidão na cerimônia

A coreografia de Deborah Colker também foi variada: ela que ‘conduziu’ 1500 pessoas no palco em alguns momentos de cenografia, e, em outros, bailarinos profissionais e acrobatas em partes mais específicas, em que se trabalhava com efeitos especiais.

Um deles foi o parkour: os bailarinos foram apresentados com a ilusão, em 3D, de prédios subindo no solo do Maracanã. Tudo foi tão bem ensaiado que a gente jurava mesmo que o pessoal pulava de prédio para prédio, e não que eles, na realidade, não enxergavam as projeções. Isso a própria Deborah comentou em entrevista à SporTV, hoje de manhã.

“Trabalhei com acrobacia e, com o parkour,eu tinha que fazer as pessoas acreditarem nas projeções dos prédios, que eram fake. A gente teve que estudar o espaço, e depois foi experimentando ao vivo a partir do que seria a projeção, vendo o momento de subida e descida dos prédios. E tem uma turma danada de acrobacia, de saltos, de parkour… Depois dos prédios subindo, quando eles vão para o ‘morro’, na verdade são 72 caixas e 32 pessoas fazendo parkour. Então eu criei rotas de parkour para se chegar aos lugares. Eu não tive uma quantidade de ensaios suficientes, então tive que estar pré-preparada”, explicou.

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Inspiração! Cerimônia x VeRo

Quem conhece o trabalho de Deborah Colker viu várias cenas na cerimônia de abertura. “VeRo”, da roda, “Velox”, das paredes, e “Casa”, de ambientes internos. Isso tudo foi misturado, como disse, com estilos populares, como o carioquíssimo funk. A mistura de cores e luzes deu uma cara toda especial para a dança.

Pra terminar com conteúdo, deixamos pra própria Deborah o resumão da obra! “Eu sempre falei que a gente estava construindo um espetáculo, que seria no próprio Maracanã, para milhares de pessoas, mas que seria, também, televisionado por 60 câmeras. E a organização desses ensaios foi complicada! A gente teve cenas com 1500 pessoas. E eu adoro precisão, sou perfeccionista. Sou que nem o pessoal do esporte, adoro competir e adoro ganhar”, disse ao SporTV. Mandou bem!!!

Atenção: o vídeo abaixo é de ensaio. O blog não tem direito de reproduzir imagens em movimento da Olimpíada, infelizmente! Preferi colocar um ensaio a fazer compilação de imagens, como muitos veículos de imprensa fizeram.

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Márcia Jaqueline: “O Theatro Municipal do Rio de Janeiro é feito de tradição”

Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Márcia Jaqueline é uma das bailarinas brasileiras mais bem-sucedidas aqui no país. Ela começou seus estudos de ballet clássico na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e, aos 14 anos de idade, formou-se e foi logo chamada pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ) para trabalhar como bailarina estagiária. O convite partiu do então diretor Jean-Yves Lormeau. Ela foi tão bem que, dois anos depois, foi contratada para o corpo de baile do TMRJ – instituição que ela nunca deixou. Aqui ela fala um pouquinho sobre sua carreira, com o é ser dançarina no Brasil, momentos marcantes no palco e fora dele… E algumas coisinhas a mais!
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Márcia Jaqueline como Kitri, em Dom Quixote
Ser primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro é coisa para poucas. Acha que o cargo vem com um ‘peso’ da tradição?
Com certeza, eu estou numa companhia onde Bertha Rosanova foi primeira bailarina, e outros grandes nomes da dança brasileira, como Cristina Martinelle, Aurea Hammerli, Nora Esteves, Ana Botafogo, Cecília Kerche…O Theatro Municipal é feito de tradição e ser primeira bailarina hoje me faz querer continuar escrevendo essa história que há anos vem sendo construída, sempre respeitando os que começaram esse trabalho.
Muitos bailarinos e bailarinas brasileiros estão decidindo sair do país para conseguir apostar em suas carreiras. Continuar no Brasil é um ato de resistência?
Eu acho que não somos valorizados o tanto que merecemos. Os bailarinos que estão aqui são incríveis, mas estamos sempre precisando superar alguma dificuldade que nos é colocada. Sempre nos é dito que não somos prioridade. Claro que estamos muito defasados em várias áreas, como educação e saúde, mas há muito tempo se ouve que vão priorizá-las também e não vejo melhorias. Se até lá demora, então até chegar alguma melhoria na cultura acho que vai demorar muito ainda. Isso se chegar um dia. Por isso tantos talentos indo embora, e nós que ficamos, fazemos porque amamos nosso Theatro, nosso público – esses sim, nos dão força pra continuar.
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Foto clássica Giselle, no segundo ato do ballet

 

Você já pensou em dançar fora?

Eu nunca pensei, não, sempre quis fazer carreira aqui e dançar para os que eu amo.  E também nunca quis ficar longe da minha família. Nossa carreira não é fácil, todo dia temos que provar que somos capazes, são muitas dores,  às vezes decepções. Longe deles, que são meu alicerce, eu não conseguiria.
Sua história com o ballet começou muito cedo, aos três anos – e aos 14 você começou sua carreira no TMRJ. Você sempre quis ser bailarina?
Dos três aos nove anos eu fazia jazz, nunca pensei em ser bailarina profissional, não. A paixão veio quando entrei para a Escola de Danças Maria Olenewa. Ali eu estava tão pertinho dos bailarinos do Theatro, assistindo os balés, aí sim a vontade foi crescendo dentro de mim.
Todos os grandes dançarinos tiveram – ou têm – grandes mestres. Quem foi que mais te marcou enquanto aluna?
Três professoras me marcaram enquanto aluna, porque além de me ensinarem, cuidaram de mim como uma filha também. Tia Edy (Edy Diegues), tia Amelinha (Amelia Moreira) e tia Regina (Regina Bertelli). As duas últimas não estão mais nesse mundo, mas tia Edy continua sempre comigo, me liga sempre, nunca esquece meu aniversário, e sempre que nos falamos diz que estou sempre em suas orações.
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Márcia como Nikyia, em La Bayadère

Na sua carreira você já dividiu o palco com várias estrelas – uma delas foi Marcelo Gomes, no ano passado, quando dançaram O Quebra-Nozes. Tem algum momento que você considere como o mais memorável da sua vida na dança?

Foi incrível dançar com Marcelo, com certeza umas das experiências mais incríveis da minha carreira. Eu tive vários momentos memoráveis, cada balé que me é dado é um desafio, que quando dançado fica guardado pra sempre. Tem um momento muito especial sim, foi em Romeu e Julieta, que foi remontado por Marcia Haydée. Passei dois meses com ela na sala ensinando o balé. Eu já admirava muito  toda sua história e carreira, mas fiquei mais encantada ainda com sua generosidade. Ela passava cada detalhe, cada sentimento, e quando ela mostrava alguma cena, era um momento de pura emoção – muitas vezes não conseguia segurar as lágrimas. É uma verdadeira diva, sou muito fã.
Você tem algum sonho não realizado? Qual é?
As coisas que sonhei quando estudante de balé , eu realizei. Claro que sempre quero mais! Acho que não um sonho, mas um desejo, é dançar mais fora do Brasil. Sonho, eu tenho um sim, mas isso mais pra frente, quando estiver parando de dançar. Não posso contar ainda.
Um pouquinho de Márcia Jaqueline em cena! Ela e Cícero Gomes no pas de deux d’O Quebra Nozes no TMRJ.
*Todas as fotos foram tiradas do site oficial de Márcia Jaqueline