O que você não sabe sobre Darcey Bussell

Darcey Bussell é uma das minhas bailarinas preferidas: poucas dançarinas tiveram ou têm a mesma presença de palco, intensidade e a meticulosidade com os passos, a limpeza dos movimentos e delicadeza que ela sempre, sempre, sempre apresentou nos palcos. Fora que ela é de uma simpatia contagiante!

Por isso fiquei tão encantada com esse vídeo abaixo, em que Darcey fala sobre sua trajetória no ballet clássico e no Royal Ballet, única companhia em que dançou em toda sua carreira. Ela, que de longe não faz o esteriótipo da bailarina inglesa, conta que precisou insistir muito para que sua mãe deixasse que ela investisse na dança. E que penou para conseguir acompanhar as colegas quando ingressou na academia preparatória. Tá aí uma coisa que eu não consigo imaginar…

Darcey Bussell se aposenta
Darcey em sua última apresentação, dançando Song of the Earth (Foto: Jonathan Lodge)

Ela também fala de como era complicado, na época, para bailarinos e bailarinas conseguirem contratos. Especialmente no Reino Unido, em que o cenário cultural não era como é hoje. Na época existiam apenas duas companhias, ambas braços do que hoje conhecemos como o Royal Ballet. Quantos bailarinos brilhantes ficaram sem trabalhar? Tipo da coisa que faz a gente pensar…

Uma das minhas partes preferidas é quando ela fala sobre Sir Frederick Ashton, responsável por coreografar ballets como Cinderella, Ondine, La Fille Mal Gardée e Sylvia – um dos repertórios que consagrou Darcey – e como ele influenciou sua carreira e sua formação como bailarina profissional desde os primeiros anos.

Além da narração da bailarina, a entrevista tem também fotos e vídeos marcantes da sua carreira. É bem curtinho e vale a pena – se você não entender inglês muito bem, já vale pelas imagens 😉

 

Márcia Jaqueline deixa TMRJ e vai para austríaco Salzburg Ballet

Após 20 anos como bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dez deles como primeira bailarina, Márcia Jaqueline aceitou a proposta do Salzburg Ballet, na Áustria, e vai deixar o Brasil para abraçar essa nova oportunidade.
A gente fica com o coração meio apertadinho ao ver mais uma estrela brasileira precisando sair do país para brilhar, mas felizes em ver que nossos artistas vão crescer e levar mais beleza para outros lugares do mundo!
Confira abaixo a despedida que a bailarina fez em suas redes sociais:

“Há exatamente 20 anos, com apenas 14 anos, ingressei ao Corpo de Baile do Teatro Municipal, onde sou Primeira Bailarina desde 2007. Sempre sonhei em fazer a minha carreira nessa casa que tanto amo, nunca pensei em ir embora. No entanto, na triste situação que nos encontramos, não posso desanimar. Preciso continuar minha caminhada e alçar novos vôos… Fui convidada a fazer parte do Ballet do Teatro de Salzburg na Áustria. Uma grande oportunidade nesse momento da minha carreira de dançar ballets criados especialmente pra mim. Isso não é um adeus, é apenas um até logo… O bom filho sempre retorna à sua casa!!!

Talvez não existam palavras suficientes e significativas que exprimam minha gratidão a algumas pessoas que, como verdadeiros anjos, me ajudaram ao longo da minha vida. Gostaria de agradecer primeiramente a Deus pelo dom que me deu, minha família, em especial meus pais Lizie Xavier Araújo e Manoel, meu marido Guilherme Tomaselli Gomes, minha primeira professora Vania Reis, a Escola de Danças Maria Olenewa, em especial Tia Regina e Tia Amelinha ( in memoriam ), Tia Edy e Marialuisa Noronha, meus amigos do Theatro Municipal, a todos os diretores e ensaiadores com quem tive a honra de trabalhar durante esses anos, a Ana Botafogo e Cecília Kerche que tiveram a generosidade e sensibilidade de me apoiar nesse momento, ao grande amigo Reginaldo Oliveira,que nesse momento me convida para partilhar esse grande projeto na Áustria!!
E para finalizar , minha reverência e gratidão ao público que sempre me recebeu com tanto carinho.

Até Breve!”

Vídeo da Semana #28!

Eu amo a rotina de aula. Sério mesmo! Adoro que, no ballet, os passos têm uma sequência lógica pra acompanhar o aquecimento do corpo.

Adoro também que bailarin@ é um bicho tão apaixonado pelo que faz que carrega na cara (e no corpo!) resquícios da dança. Quem nunca parou numa quarta posição enquanto falava com alguém? Fez um penchée pra pegar alguma coisa no chão? Esticou a ponta pra começar a andar?

Felipe dando aula no Ballet Marília Nascimento

Por isso que esse #videodasemana é o da leitora (e coleguinha de ballet!) Clara Gibson, que filmou uma aula/ensaio no Ballet Marília Nascimento, em Salvador, e o resultado ficou bem fiel à nossa realidade.

Além do mais, você pode ver Felipe tirando onda como professor! 😁

Mandaram bem, bailarinos!

O vídeo foi produzido pela bailarina através do Núcleo de Práticas Comucacionais (Nuprac) da Universidade Jorge Amado, na capital baiana.
Pode apertar o play!

Quer mais #videodasemana? Veja nosso acervo!

Perfil: Anna Pavlova

Essa bailarina russa do século XIX ainda é, nos dias de hoje, uma das maiores referências ao ballet clássico. Anna Pavlova revolucionou o jeito de dançar nas pontas e consagrar a Rússia como ‘berço’ da dança, ao se tornar uma verdadeira celebridade. Uma das suas representações mais famosas foi A Morte do Cisne – repertório criado especialmente para ela e que foi apresentado pela primeira vez em 1905 – e Aurora, em A Bela Adormecida, seu repertório preferido.

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Anna Pavlova como cisne branco, papel que a consagrou (Foto: Reprodução)

Anna Matveievna Pavlova nasceu em São Petersburgo em 12 de fevereiro de 1881, numa família humilde. Nunca conheceu seu pai: quem cuidou de sua formação e educação foi sua mãe, Lyubov Fedorovna, que ganhava a vida lavando roupas. Lyubov foi a responsável pelo primeiro contato de Anna com a dança: levou-a ao Teatro Mariinsky em seu aniversário de oito anos para assistir A Bela Adormecida.

Fascinada, Anna resolveu se matricular na  Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, mas só conseguiu ser admitida dois anos depois, em 1891, quando completou dez anos. Com 18 anos estava formada na escola e entrou para o corpo de baile do Ballet Imperial Russo em 1899. A partir daí, sua carreira deslanchou.

Mas não sem antes quebrar barreiras. Anna tinha biotipo magro e longilíneo, bem diferente do ideal para bailarinas na época, que priorizava dançarinas fortes e musculosas. Ela também foi responsável por revolucionar a forma de subir à ponta – colocando todo o peso do corpo nos dedos, e esticando os pés.

anna-pavlovaEm 1906 chegou ao posto de prima ballerina, já famosa em sua terra natal. Nesse mesmo ano realizou seu sonho de infância e apresentou-se como Aurora em A Bela Adormecida no Teatro do Mariinsky.

Sua primeira apresentação internacional foi em 1908, emParis, quando dançou no Théâtre du Châtelet com o Ballets Russes de Sergei Diaghilev. De 1908 a 1911, apresentou-se com a companhia de Diaghilev, passando a dividir o seu tempo profissional entre as turnês e as apresentações no teatro Mariinsky. Em 2010 dançou em Nova York pela primeira vez, também com o Ballets Russes.

Em 1913 sai do Ballet Imperial e passa a se apresentar por sua própria conta, empresariada por Victor d’Andre, com quem casou-se no ano seguinte, em meio à Primeira Guerra Mundial. Os dois passaram a viver em Londres, e nessa época Anna excursionou nos Estados Unidos e na América do Sul – dançou no Municipal do Rio de Janeiro e São Paulo, além do Teatro da Paz, em Belém do Pará. Dançou também na Ásia, Oriente e África do Sul.

Olha só sua interpretação de Odette em A Morte do Cisne:

Anna morreu vítima de pneumonia, no auge da fama, e a duas semanas do seu aniversário de 50 anos.

Quer ver mais perfis? Clica aqui!

 

 

 

Alison Stroming: “Adoraria dançar e ensinar no Brasil”

Uma das bailarinas mais promissoras de sua geração, a brasileira radicada nos Estados Unidos Alison Stroming quer mais do que ser apenas uma estrela do ballet: ela quer fazer a diferença. Nascida no Recife (PE), ela foi adotada aos quatro meses de idade por um casal americano e, desde então, só voltou ao Brasil uma vez. No que depender dela, isso vai mudar! Além de dançar, Alison quer treinar pequenas bailarinas na sua cidade natal, e trazer para o Brasil a inclusão na dança (algo que discutimos muito por aqui!).

Calma que tem mais: ela ainda fala da importância de companhias como Alvin Ailey e Dance Theatre of Harlem, onde ela dança, duas das mais importantes instituições dos Estados Unidos e que têm uma base muito forte na cultura e dança negras e afro-americanas. Para ela, isso (junto ao apoio às artes) permite que os Estados Unidos estejam vivendo uma onda de diversidade e pluralidade na dança.

Segue a nossa entrevista!

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Alison em ensaio para o Ballet Zaida (Foto: Reprodução / Ballet Zaida)

Quantos anos você tinha quando começou a dançar? E como foi sua carreira até agora?

Eu comecei a dançar aos dois anos de idade. Eu tenho quatro irmãos mais velhos que dançaram em algum ponto de suas vidas, então minha mãe me colocou na aula de dança achando que seria um hobby legal para mim e nunca achou que seria algo a mais.

Enquanto menina eu pratiquei vários esportes e fiz um monte de atividades extracurriculares, mas dança sempre foi minha favorita.

Eu tinha nove anos quando comecei a treinar na School of American Ballet (SAB). Eu me apaixonei pelo ballet e soube desde pequena que eu queria ser uma bailarina. Eu estudei na SAB por três anos e depois fui para a Divisão Junior da Escola de Ballet Jacqeline Kennedy Onassis (JKO), onde continuei minha educação até eu me formar.

Desde que me formei na escola e na JKO na American Ballet Theatre, eu tive a sorte de ter meu primeiro contrato de corpo de baile na Alberta Ballet, no Canadá. Eu dancei no Alberta Ballet por dois anos participando de produções de George Balanchine, Kirk Peterson e vários outros coreógrafos canadenses. Eu tive a oportunidade de me apresentar com a artista Sarah McLachlan em seus concertos por Toronto, o que foi uma experiência incrível. Então, fui para o Ballet San Jose, na Califórnia. Minha mãe e meus irmãos se mudaram para Los Angeles, e eu fiquei extasiada em ficar perto deles. Eu dancei lá por um ano e agora estou na minha segunda temporada no Dance Theatre of Harlem.

Olhando pra trás, eu certamente me mudei muito nos últimos quatro anos, mas estou muito feliz em chamar Nova York de ‘casa’ novamente.

 

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Causando no metrô! (Foto: Reprodução / Underground NYC)

Quando foi que você decidiu se tornar profissional?

Ainda como aluna da Escola do American Ballet  eu tive várias oportunidades de participar em espetáculos do New York City Ballet em papeis infantis. Eu nunca vou esquecer dançar Polichinelle numa performance d’O Quebra Nozes e assistir das coxias os dançarinos da companhia e Maria Kowrowski como Fada Açucarada. Eu me senti tão inspirada em ver a companhia tão de perto e dividir o palco com eles que eu sabia que o ballet era o que eu queria buscar para minha vida.

Você disse que nasceu no Recife, mas se mudou para os Estados Unidos ainda muito jovem. Você acompanha o cenário de dança brasileiro?

Não tanto quanto eu gostaria! Felizmente eu tenho grandes amigos brasileiros no Dance Theatre of Harlem e é bom ouvir as histórias deles, e eles me mantêm informada do que está acontecendo com a dança no Brasil. Não existem tantas oportunidades para bailarinos e artistas no Brasil. Eu conheço muitos dançarinos brasileiros que estão agora dançando em grandes companhias  no mundo e suas histórias são muito inspiradoras.

Você pensa em se apresentar aqui?

Claro! Eu adoraria me apresentar no Brasil. É um país belíssimo e seria um sonho dançar no meu país de origem. Eu estive no Rio uma vez de férias com a família quando eu tinha 13 anos, mas seria muito bom voltar para visitar Recife, que é onde eu nasci. Além de dançar, eu adoraria ensinar e treinar meninas no Brasil.

Você dança numa companhia muito cultural e conhecida pela proximidade com a cultura negra. Qual é a importância desse tipo de companhia, como o Harlem, Ballet Black e Alvin Ailey?

A importância de companhias como a Dance Theatre of Harlem e Alvin Ailey é de abraçar a noção de diversidade e abrir mais oportunidades para bailarinos de diferentes trajetórias e contextos, particularmente afro-americanos. Essas instituições representam essa transformação do ballet e são fortes ícones na história da dança. Com o passar dos anos, muitos bailarinos quebraram barreiras e deixaram o caminho pronto para a geração seguinte. Com essas companhias, o mundo do ballet ficou mais diverso e se transformou numa reflexão mais verdadeira da nossa sociedade.

 

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Linhas! (Foto:Reprodução/ Underground NYC)

O ballet está se tornando mais inclusivo?

Absolutamente. Os bailarinos são muito diversos e diferentes, particularmente nessas companhias nos Estados Unidos. Aqui os bailarinos podem ser eles mesmos, e não se preocupam em ter que parecer um com o outro nem em se enquadrarem no esteriótipo típico de como uma bailarina deve ser. A arte ficou ainda mais bonita por causa dessa ‘leva’ de diversidade e como os bailarinos podem mostrar sua individualidade.

Existe algum papel que você gostaria de representar? Você já dançou seu repertório preferido?

Um papel que eu gostaria de dançar é Odette/Odile em O Lago dos Cisnes. Eu simplesmente amo a qualidade suave e graciosa de Odette e depois a energia forte e misteriosa exigida para Odile, o cisne negro. O Lago é uma das minhas histórias de ballet preferidas, e eu tive a oportunidade de dançar a produção de Kirk Peterson quando eu estava no Alberta Ballet. Eu também dancei Serenade, de George Balanchine, que é outro repertório preferido que eu me sinto muito honrada de ter dançado.

Quais são suas metas para o futuro?

Tenho muitas metas para o futuro e a lista está sempre expandindo e crescendo. Mas a maior delas é dançar como bailarina principal numa grande companhia de ballet nos Estados Unidos ou na Europa. Tem muitos coreógrafos contemporâneos com quem eu sonho em trabalhar e aprender. Além do ballet, eu também treino sapateado e jazz, então eu adoraria dançar na Broadway, em TV ou em filmes.

MAIS:

Além disso tudo, ela tem um eixo in-crí-vel! Olha só esse vídeo:

 

Perfil: Aurélie Dupont

Aurélie Dupont é a personificação do Ballet Opéra de Paris. Após 26 anos como bailarina  (sendo 17 como étoile – ou estrela), ela hoje responde pela direção artística da companhia.

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Aurélie como Raymonda (Foto: Reprodução)

De estilo bem eclético, Aurélie interpretou todos os grandes papéis dos ballets mais tradicionais, como A Bela Adormecida, Sylvia, La Bayadère; aos neo-clássicos, como Balanchine, Forsythe e Roland Petit; e contemporâneos, como Pina Bausch e Wayne McGregor.

Por conta dessa característica e também do seu carisma para com o público francês, a expectativa é que sua gestão seja bem-sucedida. Na sua noite de despedida como étoile do Opéra, ela foi ovacionada por 25 minutos.

Nascida em Paris, na França, em 15 de janeiro de 1973, Aurélie começou a dançar somente depois de se interessar pelo piano e pela ginástica, e aos dez entrou na Escola de Dança da Ópera Nacional de Paris. Ela foi aluna de Claude Bessy, um dos maiores professores da academia.

Estilo

Aurélie é, talvez, a bailarina que melhor define a Opéra de Paris:  uma característica muito forte da sua dança é a limpeza, aliada ao rigor técnico e à elegância – traços, aliás, comuns também à escola francesa.

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Aurélie Dupont e Joshua Hoffalt em La Bayadère  (Foto: Reprodução)

Mas se engana quem pense que ela é pouco expressiva. A interpretação da bailarina também é uma característica marcante especialmente em tragédias, como A Dama das Camélias e Romeu e Julieta. Ela foi musa inspiradora de alguns coreógrafos, como Benjamin Millepied (que a antecedeu na direção artística no Opéra), que criou dois ballets para ela, Amoveo e Triade;  e o japonês Saburo Teshigawara, da companhia Karas, com o repertório Sleep.

Aurélie também teve bailarinos maravilhosos como partners: Manuel Legris, Nicolas Le Riche e Harvé Moreau.

Veja aqui um trecho de Amoveo, de Benjamin Millepied:

Veja mais perfis:

Toshie Kobayashi

Larissa Lezhnina

Marius Petipa

Rudolf Nureyev

Darcey Bussell

 

Perfil: Larissa Lezhnina

Pedido de blogueira competente a gente não nega, né? Ainda mais blogueira competente e parceira, como é o caso da Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico. A gente perguntou aos leitores e leitoras quem el@s gostariam de ver com perfilzinho aqui no blog, e Julimel sugeriu a bailarina preferida dela, Larissa Lezhnina. Então, vamos lá!

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Larissa (Foto: Het Nationale Ballet/ Reprodução)

Larissa integra o vasto time de bailarin@s russ@s que deixaram a terra natal para crescerem em companhias ocidentais – como Natalia Makarova, Mikhail Baryshnikov e Rudolf Nureyev. Larissa começou a dançar ainda criança, por incentivo da mãe. Foi uma das professoras dessa escola que viu o potencial dela e sugeriu que fizesse o teste para a Escola Vaganova, em Leningrado, e seguisse a carreira de bailarina profissional.

Da formatura, seguiu para o então Kirov (hoje ballet do Teatro Mariinsky), onde começou a crescer internacionalmente. Mesmo quando solista, Larissa já era reconhecida pela elegância nos palcos e, especialmente, por sua interpretação de Aurora em “A Bela Adormecida”. Em 1994, após alguns anos como principal da companhia de São Petersburgo, Larissa decidiu migrar para o Het Nationale Ballet. Ela tinha 25 anos. O motivo? “É impossível trabalhar com um diretor que te odeia”. Palavras da própria Larissa – o diretor, na época, era Oleg Vinogradov.

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Larissa em Serenade, de Balanchine, pelo Het Nationale Ballet (Foto: Reprodução)

Foi na companhia holandesa que Larissa realmente desabrochou. Para ela, que até então só tinha dançado peças extremamente clássicas, ousar em repertórios mais modernos, de coreógrafos como Ashton, Van Manen, Van Dantzig, Forsythe, e Tharp, foi muito gratificante. “Eu acho que é ótimo você exigir mais de si mesmo e tentar algo completamente diferente”, disse.

“Na época em que eu estava no Kirov, as únicas peças modernas que a gente tinha eram algumas de Balanchine e Robbins, que raramente eram apresentadas”. Mas, claro, os ballets preferidos continuaram sendo os clássicos, que ela cresceu apreciando e dançando.

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Nota pessoal: a primeira vez que vi Larissa dançando (sempre em DVDs e vídeos no YouTube, que fique claro!) foi numa apresentação de gala de divertimentos que o Kirov fez em Londres, em 1992, para a princesa Diana. Na época, Larissa dançou a suíte de Diana e Acteon com Faroukh Ruzimatov, outro bailarino brilhante. Eles tinham uma sintonia incrível!

Larissa se aposentou em 2014, após 20 anos como primeira bailarina no Het Nationale Ballet. Olha que lindo o vídeo de apresentação que a companhia fez dela!

Fonte: For Ballet Lovers Only

Mônica Nascimento: Me orgulho de estar há 24 anos no BTCA

Que abril é mês da dança isso já não é novidade, certo? Além de ser um mês cheios de atrações, também é o mês em que o Balé Teatro Castro Alves completa 35 anos! Além do post já dedicado a esse marco (que você confere aqui), o OITO TEMPOS conversou com Mônica Nascimento, bailarina cuja história na dança está entrelaçada à da companhia. Seu relato, com certeza, vale esse post à parte:

“A ideia de comemorar os 35 anos do BTCA, inicialmente, foi um grande desafio para mim. Não tinha certeza se esse seria um momento de comemoração. Sem orçamento desde 2015, passamos por dificuldades para realizar projetos artísticos, dançar para população… enfim, desempenhar nossa função como Companhia Oficial de Dança do Estado da Bahia.

Minha motivação foi crescendo com o (re)encontro com o coreógrafo Luis Arrieta, um mestre que transpira arte, devoção e amor à dança, inteireza! Lembranças incríveis de tempos idos, crescimento! E, também uma oportunidade de nessa linda e emocionante festa informar aos nossos amigos e à população como o BTCA se encontra nos dias de hoje.

Tenho orgulho do empenho do nosso diretor atual, ex-bailarino do BTCA, Antrifo Sanches, para realizar esse ‘niver’! Também tenho orgulho de como demostramos o amor por essa companhia e sua história. Tenho orgulho de estar há 24 anos no BTCA e, perceber a vital importância dela na minha vida profissional e pessoal (será que tem diferença?). Meu primeiro filho se chama Guilherme e sei que esse nome surgiu por inspiração de um coreógrafo que foi relevante para minha formação, Guilherme Botelho!

Que o Balé Teatro Castro Alves continue sendo um importante propagador da arte por muitos e muitos anos!”

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Mônica Nascimento e seu sorriso inseparável! (Fotos: Arquivo pessoal)

Não poderíamos dizer melhor, Mônica! Arrasou no depoimento da mesma forma que você arrasa nos palcos 🙂

Fortalecendo o arco dos pés

A gente sabe que não é todo mundo que dá a sorte de nascer com os pés da Sylvie Guillem, Tamara Rojo ou Steven McRae, mas todo mundo (todo mundo!) pode fortalecer e até mesmo alongar o arco dos pés, e deixar as linhas mais bonitas.

Encontrei essa série de exercícios que pode ser um complemento aos que a gente já postou (não lembra ou não viu? Clica aqui!) e, a melhor parte: você só vai precisar de uma bolinha de tênis (ou um foot roller) e um pano. Só. Isso.

A primeira parte é aquela velha conhecida: dar uma ‘acordada’ na parte do corpo que a gente vai trabalhar. Isso vale para QUALQUER exercício! Depois de sentir os pés mais aquecidos, com o sangue correndo com mais intensidade, aí sim é hora de ir adiante. Não sentiu? Repete até sentir! O que não pode é se machucar. Alongamento nenhum funciona se você estiver com a musculatura fria.

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Exercício do paninho: é menos fácil do que parece! (Foto: Reprodução)

No vídeo, a bailarina começa o aquecimento e fortalecimento em pé, esticando os pés gradativamente em meia ponta e ponta, e só depois seguindo para a bolinha de tênis. Particularmente, prefiro fazer o contrário. Acho que a bolinha ‘solta’ alguns nós de tensão dos pés, e me sinto mais preparada para esticá-lo completamente depois desse exercício. Mas é claro: cada um tem seu estilo e faz o alongamento da forma que o corpo responde melhor e mais rápido!

No mais, tudo lindo! Vou adotar pra vida os exercícios do paninho 🙂

Sara Mearns: Por quê amo o ballet

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Sara Mearns em ensaio ao site The Every Girl. Foto: Erin Kestenbaum

Uma das bailarinas mais expressivas e vibrantes de sua geração, a americana Sara Mearns, que é principal do New York City Ballet, listou suas razões para amar o ballet clássico — e nós reproduzimos aqui*!

1. Você descobre algo novo sobre si mesmo todo dia. Seja bom ou ruim, uma força ou uma fraqueza, algo físico ou emocional, você vai acabar ficando mais forte.

2. Você fica extremamente em forma!

3. Quando você está no palco, pode criar um mundo de fantasia só seu.

4. Você pode brilhar e cintilar da cabeça aos pés — dos adereços do cabelo à maquiagem, fantasia e sapatilhas.

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Sara Mearns em Dances at a Gathering. Foto: Paul Kolnik

5. O ballet me fez perceber que você não pode ser perfeito. Perfeição não existe, e por que você ia querer? Perfeição é chata e não deixa espaço para crescimento ou busca por lugares mais altos.

6. Como uma bailarina, você pode dançar com as mais lindas e incríveis músicas —do tipo que deixa você com frio na barriga.

8. You get to meet interesting people from all around the world. These people are creating something brand-new—and they could be creating it on you.7. Criar uma parceria com alguém e um dos mais sagrados e pessoais aspectos de ser um bailarino. Você entende o que ‘confiança’ realmente significa.

9. Você pode viajar o mundo e se apresentar em lugares maravilhosos, desde is teatros mais antigos da França até os palcos ao ar livre em ruínas da Itália.

10. A razão mais importante pela qual eu amo o ballet é a oportunidade que eu tenho em ser uma mentora positiva para a geração mais nova. Eu consigo inspirar dançarinos jovens a seguir suas paixões e permitir que a arte da dança continue.

 

Quer saber mais sobre Sara Mearns? Visite o site oficial dela clicando aqui 🙂

*A postagem original dessa lista foi na revista americana Dance Spirit