Vídeo da Semana #29!!

Para quem adorou nossa resenha sobre o espetáculo “O Quebra-Nozes” do Russian State Ballet (que você pode conferir clicando aqui), aí vai mais uma enxurrada desse espetáculo MA-RA-VI-LHO-SO para vocês!!!!!!!

Hoje, vamos apresentar uma achado bem despretensioso do nosso blogueiro Felipe Souza. Como ele assiste vários vídeos de ballet clássico pelo YouTube, o site recomenda vídeos de categoria similar. Com isso, ele achou esse documentário da BBC sobre os bastidores da produção do Royal Ballet, que leva o nome de Behind the Nutcracker by the Royal Ballet.

Quebra-Nozes
Quebra-Nozes enfileirados (Foto: Reprodução / Behind The Nutcracker)

Nele, acompanhamos alguns dos bailarinos que vão ajudar a compor essa aura de magia e dança que acompanha toda a obra. A belíssima Francesca Hayward, como sua primeira Fada Açucarada junto ao seu príncipe mais experiente, Alexander Campbell, a estudante da Royal Ballet School Nadia tendo sua oportunidade como floco de neve em sua primeira coreografia de corpo de baile da cia, e o pequeno Thomas, também estudante da escola do Royal, tentando seu papel como o coelho baterista.

Francesca Hayward e Alexander Campbell
Francesca e Alexander passam o grand pas de deux pela primeira vez (Foto: Reprodução)

Assim como na sua escola de dança, gente boa que consegue os papéis e que não consegue, e é interessante ver como isso acontece dentro das companhias profissionais também.

E, assim como na sua escola – embora que em proporções diferentes – dá para acompanhar a evolução dos bailarinos, das coreografias e da própria montagem do espetáculo ao longo do documentário. Ou seja: assistir vale SUPER a pena!

Confira a galeria que fizemos:

Quer ver mais #videodasemana? Clique aqui!

O que achamos de O Quebra-Nozes do Russian State Ballet

Prometemos que teria resenha, não foi? Pois então: assistimos à estreia da nova turnê do Russian State Ballet nessa temporada, que foi com a primeira montagem de O Quebra-Nozes no Brasil, que aconteceu no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Como a gente assistiu à passagem deles por aqui no ano passado, pudemos ver bem a diferença das duas apresentações. Menção honrosa para Elizaveta Lobacheva, nossa Clara, que arrasou demais!

Para começar, essa produção foi bem amarradinha. O cenário e os figurinos eram, em geral, simples, mas bem bonitos. Notamos que algumas músicas foram editadas, mas só porque conhecemos a obra de trás pra frente! Os cortes foram bem feitos e não comprometeram em nada a montagem.

Primeiro ato

Os ‘adultos’ do Natal em família roubaram a cena. As danças foram lindas, super bem ensaiadas, e nesse momento os russos abusaram no que têm de melhor: os port de bras! Muito braço bonito, carão e pé esticado. Arrasaram!

Vou ser sincera: não gosto muito de adulto fazendo papel de criança – talvez por isso minha montagem d’O Quebra-Nozes preferida seja de Balanchine – mas achei que os bailarinos ‘incorporaram’ bem os pequenos. A parte das crianças e dos solistas foi bem leve, uma graça! E respirei aliviada quando vi que o quebra-nozes enquanto soldadinho não era uma criança (como na produção do Bolshoi), mas o próprio bailarino que vira príncipe depois. Muito melhor!

O que sentimos falta: a árvore não sobe quando Clara começa a sonhar! Ficamos um pouco frustrados, não tem como negar. A luta dos soldadinhos com os ratos também poderia ter sido melhor. Estava muito bem ensaiada, mas parecia que os bailarinos estavam mais preocupados em executar os passos do que interpretar.

Pas de Deux O quebra-Nozes
Grand pas de deux d’O Qubra-Nozes (Foto: Reprodução/ Ballet da Rússia)

Segundo ato

Se a Clara já estava roubando a cena no primeiro ato, ela se apropriou do espetáculo no segundo. A melhor parte, disparadamente, foi o grand pas de deux entre Clara (essa versão não tem Fada Açucarada) e o príncipe. Elizaveta mostrou muita técnica e leveza no pas de deux e na variação, que é super difícil e precisa de muita musicalidade. Tirou de letra!

O bailarino, Sergei, também é muito bom, o que fez desse par protagonista um acerto enorme. Ele girou SUPER bem, mesmo com máscara de soldadinho (já mereceu meu respeito), esticou os pés nos saltos (sempre um plus!) e foi muito expressivo.

O foco do Russian State Ballet realmente é com os solistas: eles foram a melhor parte do ballet como um todo. Com uma ou outra exceção, os solos estavam super bem ensaiados (especialmente os mirlitons, a dança chinesa, a valsa das flores e a dança árabe) e casaram super bem com os bailarinos escolhidos. Achamos que os flocos de neve, a principal dança de corpo de baile, deixou a desejar um pouquinho.

Dica para quem gostou da resenha e se interessou em assistir: não fique tirando fotos ou gravando o espetáculo. É muito chato, além de proibido, e desconcentra os bailarinos. Teve gente do nosso lado fazendo foto com flash! Melhor se preocupar em assistir ao espetáculo do que ficar documentando, né?

Segue agenda d’O Quebra-Nozes do Russian State Ballet (sujeita a mudanças!):

26/04 (quarta-feira): Rio de Janeiro (RJ), no Oi Casagrande. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/04 (sexta-feira): Ribeirão Preto (SP), no Theatro Pedro II, às 20h. Ingressos à venda no site ou no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/04 (domingo) – São Paulo (SP), no Tom Brasil. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

02/05 (terça-feira) – Campinas (SP), no Teatro Iguatemi. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

04/05 (quinta-feira) – Belo Horizonte (MG), no teatro Palácio das Artes às 21h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido

07/05 (domingo)  – Brasília (DF), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

09/05 (terça-feira) – Curitiba (PR), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

11 e 12/05  (quinta e sexta-feira) – Porto Alegre (RS), no Salão de Atos da UFRGS às 20h. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

13 e 14/05 (sábado e domingo) – Florianópolis (SC), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

18/05 (quinta-feira) – Paulínia (SP), no Theatro Municipal de Paulínia às 20h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia)

27/05 (sábado) – Recife (PE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/05 (domingo) – Maceió (AL), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

29/05 (segunda-feira) Natal (RN), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/05 – (terça-feira) – João Pessoa (PB), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

31/05 (quarta-feira) – Fortaleza (CE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

Informações aqui ou no WhatsApp (11) 981817623

Motivos para assistir: Romeu e Julieta!

Depois de muito tempo longe das resenhas, eis que o Oito Tempos volta a fazer uma das coisas que mais gosta: compartilhar análises sobre obras que assistimos! Dessa vez, assisti Romeu e Julieta do ballet La Scala com Roberto Bolle e Misty Copeland nos papeis principais. Foi uma experiência tão envolvente que resolvi colocar aqui, num formato novo, os motivos que me levaram a amar essa produção e colocá-la na minha lista (longa, verdade!) de montagens favoritas. Vamos lá!

 

Primeiro encontro de Romeu e Julieta (Foto: Reprodução)
Primeiro encontro de Romeu e Julieta (Foto: Reprodução)

1.Misty Copeland e Roberto Bolle como principais

Nós aqui do blog já amamos o Roberto Bolle como solista, pois ele é aquele tipo que toma toda a atenção para si e você praticamente nem olha para quem tá do lado dele, não é verdade? Agora, quando essa outra pessoa é a Misty Copeland, ficamos divididos e apaixonados em cena pelos dois. Primeiramente, a química deles no palco é incrível!! Eles incorporam os personagens de uma maneira muito real e que convence (de verdade!). Minha grande e maravilhosa surpresa foi ter visto pela primeira vez a Misty em um ballet completo, e uma técnica impecável que só foi valorizada ainda mais pelo partner.

2. A música de Sergei Prokofiev

Com certeza é o que há de mais importante nesse ballet. A música basicamente dita o tom de toda a produção e casa bem com todas as cenas que correspondem a ela. É o tipo que arrepia nos primeiros movimentos dos violinos e entra nos ouvidos de maneira agradável e marcante ao mesmo tempo.

O pas de deux mais emocionante! (Foto: Reprodução)
O pas de deux mais emocionante! (Foto: Reprodução)

3. Pas de deux do balcão ❤

Esse com certeza absoluta é o momento coreográfico clímax de todo o espetáculo. Todo o sentimento dos personagens aparece em forma de uma coreografia muito técnica e, ao mesmo tempo, sentimental e envolvente. Aí que a química deles fica em evidência total, e a gente até se questiona se os bailarinos sentem alguma coisa um pelo outro! Dá para, literalmente, se sentir transportado para aquele momento de amor do jovem casal!!

 

4. Conjunto da obra

Figurino com cores vibrantes e alegres, cenário histórico que nos leva diretamente à Verona do século XVI, atuações fantásticas do corpo de baile que compõem as cenas, música, protagonistas… Enfim, os motivos para você assistir ao ballet são muitos!

Figurino do corpo de baile também tem seu lugar!
Figurino do corpo de baile também tem seu lugar!

 

Se ficou interessado, clique aqui para baixar diretamente do nosso blog parceiro, Videos de Ballet Clássico.

Mais fotos aqui!

 

 

O que esperar de The Golden Age

Ser jornalista tem seus pontos positivos, e um deles é poder assistir a filmes e produções antes que elas estreiem para o público. Isso aconteceu comigo nessa semana, quando assisti ao The Golden Age (A Era de Ouro) do Bolshoi pelo jornal que eu trabalho (a matéria que eu fiz está aqui!). Esse repertório terá transmissão ao vivo nos cinemas UCI hoje e amanhã, e resolvi postar aqui uma impressão mais técnica para quem está pensando em assistir.

OBS: Se você não quiser ir ao cinema, pode baixar no blog Vídeos de Ballet Clássico!

Primeiro: importante contextualizar que esse ballet foi montado, originalmente, em 1930. Nessa época, a Rússia era a União Soviética e estava nos primeiros anos do regime socialista. Isso resultou num repúdio cultural aos países capitalistas, como os Estados Unidos e, também, a Europa.

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Nina Kapsova e Ruslan Skvortsov como Rita e Bóris (Fotos: Damir Yusupov / Bolshoi Theatre)

The Golden Age reflete isso muito bem. A trama se passa numa ilha litorânea no Sul da União Soviética nos anos 1920, num ambiente bem sensual e boêmio – lembrando bastante os cabarés parisienses.

A história segue o clássico enredo romântico: os personagens principais, a dançarina Rita e o pescador Bóris, se apaixonam e querem ficar juntos. Mas os vilões Yashka, líder de uma gangue criminosa, e Lyuska, sua fiel escudeira, tentam separá-los. Durante o espetáculo há muita dança e confusão no restaurante que, curiosamente, se chama The Golden Age. Spoiler: o final é dramático, mas feliz!

No geral, achei que a sátira funcionou muito bem no ballet. Não é exagerada, fica numa malícia implícita, bastante sensual e alegre. O Bolshoi soube usar os figurinos e combinar passos da dança de salão com o ballet clássico. Ponto para Yuri Grigorovich, que assina a coreografia.

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Ekaterina Krisanova e Mikhail Lobukhin como Lyuska e Yashka

A costura dos movimentos, especialmente nos solos, lembra muito Balanchine, embora Grigorovich tenha um estilo muito inspirado nas extensões, marca registrada da escola russa. Mas, ainda assim, ele cobra mais agilidade e giros mais certeiros das bailarinas, e exige delas uma musicalidade aguçada para fazer caber os passos na música. Achei bem interessante!

Quem gosta de pas de deux vai se encontrar nesse repertório: Rita e Bóris dançam juntos três vezes ao longo dos dois atos. Rita e Yashka mais uma vez, e Lyuska, de longe a personagem mais interessante da produção, apenas flerta com outros bailarinos durante suas aparições.

Acho que The Golden Age é uma boa pedida para esse fim de semana, especialmente porque é uma produção exclusiva do Bolshoi – nenhuma outra companhia no mundo apresenta esse repertório!

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Nina Kapsova e Mihkail Lobukhin como Rita e Yashka

Ballets da temporada do Bolshoi com transmissão nos cinemas:

A Era de Ouro: 19/11 (sábado) às 13h30 e 20/11 (domingo) às13h

O Quebra Nozes: 10/12 (sábado) e 11/12 (domingo)

O Lago dos Cisnes: 11/02/2017 (sábado) e 12/02/2017 (domingo)

A Bela Adormecida: 11/03/2017 (sábado) e 12/03/2017 (domingo)

Uma Noite Contemporânea: 29/04/2017 (sábado) e 30/04/2017 (domingo)

O Herói do Nosso Povo: 27/05/2017 (sábado) e 28/05/2017 (domingo)

Mais informações aqui.

Segue o trailer da temporada 2016/2017 do Bolshoi pra te convencer a ir 🙂

Quer mais notícias do Bolshoi? Tem aqui! Quer ler outras resenhas? Tem aqui!

Vídeo (ou canal!) da semana #27

Retornamos com nosso #videodasemana de uma forma diferente! Normalmente selecionamos apenas um vídeo para análise, massssss, como se trata de uma blogueira parceira e super empreendedora, resolvemos dar um upgrade no post e falar logo da iniciativa dela, que é super bem-vinda.

Estamos falando da Julimel, aquela que já é idolatrada por quem adora um vídeo de repertório (ainda não conferiu o Vídeos de Ballet Clássico? Clique  e comece a baixar seus ballets preferidos!), agora lançou um canal para expandir o relacionamento dela com os fãs da dança.

Até agora, minha xará já publicou quatro vídeos: um de introdução, um sobre a própria Julimel e sua trajetória na dança, um sobre o compositor Tchaikovsky, e o primeiro de uma série sobre O Lago dos Cisnes. Ou seja, temas SUPER relevantes para a dança!

“Ter um canal no YouTube era um desejo antigo. Acho que é um jeito das pessoas conhecerem melhor quem está por trás de toda a engrenagem do Vídeos de Ballet Clássico, além de poder conversar sobre o universo da dança de forma divertida e interativa” – palavras da própria Julimel!

Confira os videozinhos – são todos curtinhos, até oito minutos! – e conte pra gente o que achou! Abaixo selecionei o meu preferido 😉

Veja mais #videodasemana aqui!

World Ballet Day 2016 – Bolshoi

O Bolshoi fez de tudo para atrapalhar nossa resenha, mas não contou com a astúcia da nossa leitora Joana Medeiros (MUITO obrigada!), que nos mostrou o caminho das pedras para encontrar a transmissão da companhia. Para ter acesso ao vídeo, basta fazer um cadastro no site do próprio Bolshoi, clicar na aba ‘video’ e assistir. É fácil e super simples!

A companhia quer mesmo mostrar que está focada em inovação, tanto é que a primeira coisa que aparece no streaming são as turmas infanto-juvenis (algo que senti falta nos demais ballets!), com entrevista com alunos e professores. A técnica de ensino do Bolshoi, que já foi questionada e até mesmo criticada por aqui, foi abordada logo de cara. Achei interessante essa forma mais direta de lidar com o público.

Meninos fofinhos que sonham em ser os novos Baryshnikovs (Foto: Reprodução)
Meninos fofinhos que sonham em ser os novos Baryshnikovs (Foto: Reprodução)

O Bolshoi realmente usou o World Ballet Day como promoção da companhia: teve entrevista com diretor artístico, coreógrafo, professor… Achei meio exagerado, até, porque só tinha gente falando maravilhas do ballet russo, da companhia, da escola, de como lá é o ‘berço’ do ballet clássico… Menos, né? O Bolshoi realmente se mantém como uma das maiores companhias do mundo e os russos continuam nos presenteando com bailarinos e bailarinas incríveis. Mas o resto do mundo também 🙂

Aula, mesmo, só depois de mais de uma hora de transmissão. E foi com o mesmo professor do ano passado, Boris Akimov, que é uma figura! Mais uma vez, o que dá pra notar é que o foco das aulas é na extensão de pernas e braços, marca registrada do método russo. Isso fica beeeem claro nos adagios e port de bras. Mas achei interessante que no centro tem um passo específico de fondue (!) com piruetas. Bolshoi inovando.

Não teve muita interação dos bailarinos com a transmissão, salvo quando diretamente abordados pela apresentadora. A disciplina é muito mais rígida em comparação com outras companhias – os bailarinos não brincam muito, não fazem muitas gracinhas ou mesmo falam com o professor. Quem faz ballet há algum tempinho vai se identificar com essa metodologia, que era abordada aqui no Brasil por professores, maîtres e dames de ballet até algum tempo atrás!

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Professor bom é o que faz o passo e ainda se alonga! (Foto: Reprodução)

E o melhor foi deixado para o final! Os ensaios foram de Jewels de George Balanchine (no programa consta Diamonds, mas, como apontou a Julimel, em Jewels a coreografia com tutu romântico é Emeralds), e The Golden Age, de Yuri Grigorovich – coreógrafo contemporâneo (apesar dos seus 89 anos) e uma das apostas do Bolshoi. Gostei muito das coreografias dele que assisti, como O Lago dos Cisnes e Spartacus, e o original A Flor de Pedra, com música de Sergei Prokofiev.

Jewels foi ensaiado no palco (amo!), já com orquestra e simulação de figurino, e The Golden Age foi em sala, no piano – o que dá a impressão que esse ballet começou a ser ensaiado há pouco tempo. Achei bem interessante a escolha desses repertórios para acompanhar, porque mostra dois estágios bem distintos de produções.

Marcação no palco com orquestra de Diamonds, de Balanchine (Foto: Reprodução)
Marcação no palco com orquestra de Jewels, de Balanchine (Foto: Reprodução)

 

Quer ver mais fotos? Tem galeria aqui:

 

 

 

Mais World Ballet Day? Clica aqui!

World Ballet Day 2016 – Royal Ballet

A gente bem que tentou publicar os posts respeitando a cronologia do World Ballet Day 2016, mas não deu! Esperamos o máximo que pudemos para ver se o Bolshoi, segunda companhia a fazer a transmissão, liberava o vídeo, mas isso não aconteceu – e infelizmente não sabemos se vai acontecer. Dedos cruzados!

Por isso, pulamos da primeira companhia, The Australian Ballet, direto para a terceira, The Royal Ballet – uma das mais queridinhas do mundo!

Mesmo um pouco carente de estrelas – Carlos Acosta, Tamara Rojo e Alina Cojocaru, grandes nomes que marcaram os palcos do Covent Garden, saíram do Royal nos últimos anos – a companhia britânica ainda tem prestígio de sobra e talentos tanto no campo coreográfico como no elenco.

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Algumas apostas são Steven McRae, o australiano que vem bombando em interpretações contemporâneas solo e arrasando nos clássicos, e a deslumbrante Natalia Osipova, russa que arrebatou o coração de Sergei Polunin, também ex-Royal, e talvez o maior bailarino da atualidade. Tem também Iana Salenko, ucraniana principal do Staatsballet Berlin que dança como convidada. Nenhuma das duas, ou Yuhui Choe (minha bailarina do Royal preferida!) participaram da aula. Em compensação, tivemos três (e não duas! Obrigada, Joana) brasileiras lá: Letícia Dias,  artista, Letícia Stock, primeira artista, e Mayara Magri, solista. Além delas temos Roberta Marquez, bailarina principal, na companhia. Infelizmente ela não apareceu nesse World Ballet Day!

O que mais gostei foi que chamaram a diva musa maravilhosa impecável mitológica Darcey Bussell (quer saber mais sobre ela? Clica aqui!) para comentar a aula. Ela se aposentou da companhia em 2012, depois de 20 anos lá. Ela é uma querida, e dava altas dicas de como funciona para o bailarino as aulas técnicas do início do dia. Como falamos antes, é um momento para aquecer o corpo e prepará-lo para os ensaios do dia, mas também é um momento importante para turbinar a técnica. Por isso não devemos esquecer das aulas no fim do ano e apenas privilegiar os ensaios!

Na barra, Steven McRae usou uma GoPro para mostrar o que os bailarinos vêem durante os passos. Achei a iniciativa interessante, mas o resultado não ficou tão bom… Achei que os ângulos que a câmera mostrava não correspondiam ao que a gente acaba vendo quando dança. Mas é legal ver que uma companhia tão tradicional vem abraçando a tecnologia nas aulas!

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Principal do Royal Ballet fez aula com GoPro no corpo (Foto: Reprodução)

Ensaios

O primeiro e talvez mais impactante é Anastasia, agora sim com Natalia Osipova! Eu não conhecia esse repertório, que tem coreografia de Kenneth Macmillan, por isso adorei a explicação da diva Darcey sobre a cena. É menos dançante e mais teatral, já que é um momento de autodescoberta da protagonista. Exige uma interpretação muito intensa, o que Osipova sabe fazer com maestria.

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Natalia Osipova interpreta a filha perdida da realeza russa (Foto: Reprodução)

Antes do ensaio seguinte, o Royal mostrou um pouquinho do programa social da companhia, Chance to Dance, que recebe meninas e meninos que não têm condição de pagar por aulas de dança na Royal Ballet School. É uma ação de integração social que acaba levando o ballet a lares que normalmente não conheceriam a dança clássica, o que acaba trazendo um público diferente para o Covent Garden e o Opera House. Pra gente, que fala sempre que pode sobre os benefícios da inclusão na dança, ver isso é um deleite!

Marianela Núñez, que no ano passado acabou não participando do World Ballet Day, apareceu em ensaio de La Fille Mal Gardée com Vadim Muntagirov, bailarino revelado pelo English National Ballet que já chegou como principal no Royal. E dá para ver por quê: mesmo muito jovem – ele tem 26 anos – ele tem a serenidade dos bailarinos mais experientes, linhas incríveis e altura. Não são muitos que podem dançar de igual para igual com Marianela (tanto tecnicamente quanto fisicamente!) e ele tira de letra.

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Vadim Muntagirov e Marianela Núñez ensaiam La Fille Mal Gardée (Foto: Reprodução)

O meu repertório preferido, A Bela Adormecida, teve ensaio! E foi com dois bailarinos novinhos em folha, recém-saídos do Royal Ballet School. Formado em 2013,  Matthew Ball ensaiava seu primeiro trabalho como solista no World Ballet Day do ano passado, e Yasmine Naghdi, primeira-solista da companhia, formou na escola do Royal em 2010. Além do mais, ver Darcey Bussell acompanhando os dois novinhos e dando dicas primordiais é incrível!

Eis o vídeo completo:

Quer ver nossa resenha do ano passado? Clica aqui!

Mais fotos? Veja nossa galeria:

 

O que esperar do Russian State Ballet?

Na quinta-feira (12 de maio) nós assistimos a uma apresentação do Russian State Ballet no Teatro Castro Alves, em Salvador (BA). A programação, como esperado, contou com trechos de vários ballets famosos – a maioria pas de deux –  e teve duração aproximada de duas horas.

Mas o que teve? Bom, teve muito bailarino bom, algumas decepções, mas, no geral, adoramos a experiência. É diferente, de fato, ver os russos no palco, pois a colocação dos braços (bem esticados, chegando até a ficar hiperextensos) e aquelas coisinhas que já falamos sobre extensões, velocidade e explosão.

De cara, sentimos falta de um programa! A gente adora saber quais são os bailarinos que vão dançar, bem como a ordem das danças. Os nomes foram anunciados antes das danças, mas, mesmo assim, é difícil gravar. Fica a dica, produção!

 

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As linhas de ‘Carmen’ (Foto: Tomas Kolisch Jr/ Divulgação)

Vamos às apresentações: assistimos A Morte do Cisne; Carmen; A Bela Adormecida; O Quebra-Nozes, pas de deux do cisne negro; Romeu e Julieta; Sherazade; A Dama e o Vagabundo; pas de deux de Escrava e Mercador, d’O Corsário; e Spartacus.

Adoramos a bailarina Viktoria (por motivos de falta de programa não sabemos exatamente o nome dela! Apenas que dançou Carmen, Romeu e Julieta e brilhou em Spartacus). Foi a dançarina mais completa, que abusou das linhas, da flexibilidade e controle nos giros e balances.

O partner dela, Abel (?) também foi muito feliz nos repertórios, em especial nas codas. Saltos super controlados e, o mais importante: pés esticados!

Outra que arrasou nos giros e no carão foi a que dançou o pas de deux do cisne negro. Apesar de não ter um développé na orelha, controlou super bem os fouettés e as descidas.

Poréns

Se tivemos performances lindas, tivemos algumas que não foram lá de encher os olhos. No pas de deux de A Bela Adormecida, a bailarina Marta (?) não parecia muito confortável com o papel – talvez muito ‘delicado’ para ela. Em Sherazade (achamos que foi a mesma bailarina) ela se ‘encontrou’e foi bem melhor. Os fouettés de Dalia, bailarina que dançou O Quebra-Nozes e O Corsário, deixaram a desejar. Uma pena, porque até então ela estava super bem nos dois papéis: super delicada e com linhas lindas!

Entendemos que quando uma apresentação é composta por divertimentos, fica complicado investir num cenário que case bem com todos os trechos. Mas normalmente um bom jogo de luz no fundo branco resolve! No TCA, o fundo era escuro, e não valorizou a iluminação – ou alguns figurinos.

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Trechinho de ‘A Dama e o Vagabundo’, ballet que não conhecíamos (Foto: Divulgação)

Valeu a pena?

Se você ainda está na dúvida se deve ou não assistir, nós recomendamos. Apesar de alguns pesares, a apresentação é muito amarradinha e os trechos são de ballets lindos, com algumas versões diferentes (não conhecíamos a de Romeu e Julieta, por exemplo!) que podem incrementar ainda mais sua biblioteca de repertórios! Não foi muito diferente do que Anastasia Kazakova (que infelizmente não vimos dançar) nos disse.

 

Bolshoi de cara nova?

Nessa semana (mais precisamente na segunda, dia 29) chegou a notícia que Makhar Vaziev, até então responsável pela direção artística do La Scala, em Milão, assumiria o posto de Sergei Filin como dirigente do Bolshoi.

Em 2013, Filin foi vítima de um episódio em que teve ácido jogado em seu rosto e, como consequência, teve a visão seriamente comprometida. No entanto, sua saída não teria sido movida por questões médicas, mas pela necessidade de mudança na companhia – considerada por muitos amantes da dança, críticos e especialistas do meio como extremamente conservadora.

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Vaziev comandava o La Scala desde 2009 (Foto: Reprodução)

A chegada de Vaziev, então, viria como uma “rajada de ar fresco” para o Bolshoi, modernizando o repertório e trazendo peças mais contemporâneas. E tudo indica que ele tem mesmo credenciais para isso: na companhia italiana, onde estava desde 2009, o diretor produziu trabalhos de coreógrafos como Alexei Ratmanski (muito populares no Australian Ballet, por exemplo) e Serguei Vikharev. Além disso, ele saberia como “trabalhar” o público e o ego russos. À frente do  Mariinsky por 13 anos, o diretor ganhou as graças de  estrelas como Svetlana Zakharova, Diana Vishneva e Evgenia Obraztsova.

O que muda?

Então virão novidades no Bolshoi? Sim. Serão boas? Talvez. Essa mudança me lembra muito a ida de Benjamin Millepied à também super conservadora Opéra de Paris com a mesma proposta. Um ano depois, o marido de Natalie Portman saiu do comando da companhia por ter uma abordagem supostamente vanguardista demais. Foi substituído por Aurélie Dupont, étoile recém-aposentada e queridinha do público e staff do  Opéra.

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Aurélie Dupont e Benjamin Millepied

Não sei se a mesma coisa vai acontecer com o Bolshoi. A verdade é que sinto tristeza que as companhias mais tradicionais hesitem em incorporar ao repertório tradicional peças de autores contemporâneos ou modernos, porque a impressão que fica é que não dá para harmonizar os dois. Considero a direção de Tamara Rojo no English National Ballet um acerto tremendo. Ela, que além de dirigente ainda dança pela companhia desde 2013, conseguiu equilibrar os ballets clássicos com novas produções em ‘divertimentos’ muito bem produzidos. Tanto que atraiu bailarinos de calibre, como Alina Cojocaru.

Fica aqui o desejo que Vaziev tenha um destino mais parecido com o de Tamara Rojo do que o de Millepied. E que a dança, no final, saia ganhando!

O Quebra Nozes do Bolshoi

Como a gente já gosta de uma resenha e não é todo dia que dá para assistir uma produção do Bolshoi ao vivo – ainda que via transmissão no cinema (amamos a tecnologia!!!!) – achamos que valia a pena mostrar nossas impressões da montagem d’O Quebra Nozes.

A produção assistida foi do dia 27 de dezembro, com Anna Nikulina como Marie, Denis Rodkin como príncipe Quebra Nozes e Andrei Merkuriev como Drosselmeier. A assinatura da montagem e da coreografia é de Yuri Grigorovitch.

Como em outras produções que assisti do Bolshoi, o diferencial da companhia é o corpo de baile. Flocos de Neves e a Valsa das Flores (ou equivalente, pois a versão do Bolshoi é diferente da tradicional e de Balanchine) estavam impecavelmente ensaiadas, tanto as bailarinas como os bailarinos. Palmas, também, para a transmissão da Pathé, que nos presenteou com imagens do topo do palco e de ângulos que normalmente não temos acesso quando estamos no teatro.

No geral, também gostei muito da escolha dos principais: ambos muito limpos e entrosados. Anna começou o repertório um pouco ‘travada’, ousando pouco nas extensões (ela tem braços e pernas super longilíneos!) e com uma expressão meio assustada. Foi bonito ver que, assim como a personagem, Marie, ela foi se soltando mais durante a apresentação, e simplesmente arrasou no solo da protagonista, que tem uma coreografia tecnicamente muito mais difícil do que as tradicionais. Também gostei do Drosselmeier acompanhando e conduzindo o sonho de Marie.

Denis também cresceu durante o espetáculo, mostrou muita qualidade e suavidade nos movimentos, mas não me cativou tanto. Achei a produção dele exagerada – muito laquê no cabelo, que chegava a brilhar com a luz do palco – e maquiagem desnecessariamente forte.

No mais, achei que a montagem deixou a desejar no cenário e, especialmente, no primeiro ato. Não gosto de ver bailarinos crescidos interpretando crianças, especialmente meninas vestidas de menino. Achei uma bola fora, até porque o Bolshoi é uma escola super tradicional e não teria dificuldade em ensaiar crianças para o primeiro ato.

Anna e Denis no pas de deux de Marie e o príncipe Quebra Nozes (Foto: Reprodução / Pathé Live)
Anna e Denis no pas de deux de Marie e o príncipe Quebra Nozes (Foto: Reprodução / Pathé Live)

O Quebra-Nozes, que foi presenteado a Marie, era uma criança, e não um brinquedo. Achei estranha essa escolha, e até demorei a entender – muito por conta da fantasia, também – que se tratava do Quebra Nozes e não de mais um boneco-vivo do padrinho da menina, Drosselmeier. Além disso, confesso que senti falta da Fada Açucarada também, ainda que num papel mais de mis-en-scène.

No mais, fiquei satisfeita com a experiência e já estou ansiosa pelas próximas produções do Bolshoi na temporada 2016. Mas não escondo que esperava mais da companhia – e ainda espero! – porque sei que o Bolshoi é capaz de montar espetáculos ainda mais envolventes.

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