Falamos sobre improvisação na dança com Guego Anunciação

Eu sei que tem mais de uma semana que eu prometo lançar esse post aqui, mas nossa, sobra trabalho e falta tempo nesse 2017! Mas eis que posso contar um pouco da minha experiência com dança contemporânea e, mais especificamente, sobre improvisação na dança – que pode ser qualquer estilo, ok?

Aproveitei as férias do ballet para me jogar num estilo que eu não tenho tanta intimidade, mas que adoro acompanhar, que é o contemporâneo. Só que o que eu não sabia era que o professor, o bailarino, pesquisador e meu amigo Guego Anunciação, resolveu fazer mais do que apenas passar técnica de passos e fazer algumas experimentações com os sortudos que resolveram fazer as aulas.

 

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Guego sendo divo (Foto: acervo pessoal)

Brincamos muito com a voz, entre sons e palavras. E depois passamos para a parte difícil: improvisação. Como assim? Assim mesmo. Liga a música (ou não!) e dança da forma que dá na telha. E vale tudo, até ficar parado. Uma coisa que poucos sabem: improvisação diz MUITO do seu repertório como dançarino. É quando você se solta das combinações de uma coreografia, os passos fluem de uma maneira bem diferente. Dá um medo danado, mas chega uma hora que a mente dá um estalo começa, automaticamente, a buscar o que faz mais sentido para o corpo. Em miúdos: você pega o jeito.

“Eu, como bailarino clássico, encontrei esse meio para pensar na minha pesquisa corporal, mesmo. De como eu posso aliar a improvisação com um repertório que eu já tinha de ballet clássico e das outras  experiências que vieram depois com dança contemporânea. Fora que tem a dificuldade de se encontrar essa técnica de improvisação no espaço de ballet, onde os alunos geralmente trabalham como intérpretes condicionados a uma coreografia. Eu acho que a improvisação é muito libertadora nesse sentido, abre possibilidades para que o balarino possa ter acesso a outros repertórios”, disse Guego com muita propriedade.

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Guego em Missa de Sétimo Dia (Foto de Marcus Socco)

Acho que a palavrinha mágica aí é técnica. Assim como qualquer passo, você precisa de uma técnica para improvisar da melhor forma possível para pensar rápido nos ligamentos, fazer aquilo que seja mais natural para o corpo e ainda dê um caldo coreograficamente falando. De certa forma, não deixa de ser um exercício 😉

Resgatamos esse videozinho dele no nosso instagram! Saca só:

 

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Mães e filhas que dançam (e se apresentam) juntas

Acho que a essa altura todo mundo (ou pelo menos a maioria) dos bailarinos e bailarinas já encerraram as apresentações de fim de ano com suas escolas, né?

Uma coisa que eu pude perceber neste ano – mas que, sem dúvida, é uma tendência que vem crescendo há algum tempo – é o número de mães e filhas que se apresentam juntas nos festivais. E gente, que negócio bonito de ver!

No meu caso, vi de perto a emoção da colega Andrea Passos, que voltou a dançar depois de quase 20 anos longe das barras e sapatilhas. Muito por influência da filha, Maria, de cinco anos, que começou a fazer aula justamente na antiga academia dela. Não deu outra: depois do primeiro festival da filha, Déa (é minha amiga, né, gente?) resolveu que não apenas voltaria a dançar, mas participaria do festival também. E, do camarim aos palcos, ela transbordava emoção. Nas redes sociais, só davam fotos e vídeos dela com a pequena.

Déa e Maria “se curtindo” depois do festival

“Pense numa pessoa muito feliz nesse fim de semana… Morta de cansada, mas amando tudo: backstage , cheirinho de Gumex no cabelo, dançar ‘cazamigas’ lindas e minha filhota curtindo tudo… Dancei despreocupada, sorrindo, ‘me achando’ mesmo”, disse . Déa fez ballet dos nove aos 18 anos, e depois jazz até o 3º /4º ano de medicina.

A partir de então, não conseguiu mais continuar. Isso até ano passado, quando se reencontrou com a dança no grupo de ballet adulto (com ex-bailarinas e amigas antigas) graças a Maria. Sorte nossa – e do público – de termos essa bailarina linda de volta aos palcos!

Fotos nos bastidores com as amigas do ballet

“Identificação total com a turma e contente de reencontrar as minhas amigas. Participar do festival com a minha filha foi um sonho! Ela muito pequena, mas já demonstrando compromisso e prazer em dançar! Impressionante como ela sabia a história,nome das personagens. E ela perguntou ‘Mamãe, eu sou fadinha. Você vai ser o quê?’ Não tinha mais jeito, iria participar nem que fosse uma árvore!”, brincou. Pros autos: ela foi uma linda flor do amor-perfeito no espetáculo Sonho de Uma Noite de Verão do Ballet Marília Nascimento!

Também conversei com Morgana Carvalho, que, curiosamente, também é mãe de uma Maria. A dela já não é tão pequena, e já está paquerando o jazz além do ballet clássico. Mas a história até que é parecida: a mãe sempre gostou de dançar – e sempre foi uma bailarina linda! – e, naturalmente, passou adiante o amor à dança.

Morgana e Maria nos bastidores

Para Morgana, a vontade de voltar a fazer aulas (mesmo longe da escola ela continuava dançando, ainda que esporadicamente, por conta própria) também aflorou por conta da filha. Maria começou a dançar aos três anos, e, no ano passado, participou do concurso de poesia promovido pela escola, o Studio de Ballet Ana Campello, sendo premiada com a seguinte:

“Minha é flor do dia/ dançar é alegria / dançar com minha mãe /seria pura magia!”

Fofo, né? Claro que ela resolveu atender ao pedido de Maria. E tudo ficou ainda mais emocionante por conta do falecimento da antiga professora de Morgana, Mônica Ballalai.

“Na minha vida, a dança comunicou muito. Despertei para a dança cedo, quando via meninas mais velhas indo à escola de ballet que tinha em frente à minha casa. Até que minha mãe me matriculou. Eu tinha sete anos, e e ir à aula de ballet era a melhor parte do meu dia. Fazia aulas todos os dias.  Amava. A vontade de querer render uma homenagem à Mônica e de atender ao desejo de Maria contido no versinho da poesia povoou meu juízo até julho (de 2015) quando decidi voltar para o ballet e participar do festival, dançando com Maria e homenageando de forma singela e sincera a memória de minha admirada professora Mônica. Sabia que seria um desafio, dado o tempo que estava fora das aulas, dos palcos e dos ensaios (20 anos), e que seria uma maratona, dado que tenho muitas atividades profissionais para dar conta”, contou.

Morgana arrasando na emoção
Morgana arrasando em cena!

Mas Morgana encarou. E foi lindo! Tanto é que repetiu a dose neste ano, também dançando com Maria, só que dessa vez num ambiente diferente que incitava ainda mais memórias.

Novamente participei do festival. Desta vez no Teatro Castro Alves, o que me trouxe recordações profundas da primeira vez que dancei lá em 1986. E, curiosamente o nome do espetáculo que dançamos esse ano foi “Recordar é dançar”. Nada é por acaso…”

Fica a dica para você que já dançou (ou sempre quis dançar) e tem uma filha ou filho que se interessam pela dança. O amor pela arte pode tornar a união entre pais e filhos ainda mais forte e bonita =)

Agachamento para bailarinos

Pode até não parecer, mas alguns exercícios não-convencionais para bailarinos podem melhorar bastante o rendimento em sala e nos palcos. Isso é porque a gente se acostuma a trabalhar e utilizar sempre os mesmos músculos (e da mesma forma!) nos alongamentos e nas aulas. E o que pode acontecer é alguma lesão por repetição (já falamos sobre essas chatas por aqui).

Além de fortalecer a musculatura – o que por si só já é excelente! – essa série simples de agachamentos pode te ajudar no en dehors ou turnout, o calo de muitos bailarinos e bailarinas (meu, inclusive)!

agachamento-de-bailarinasAgachamento com thera-band:

Você vai precisar de uma thera-band e espaço livre. Separe as pernas um pouco além do espaço entre os ombros, e amarre a thera band nas coxas, um pouco acima do joelho, para delimitar esse espaço. Leve as mãos para frente e comece o agachamento.

Desça o máximo que conseguir equilibrando bem o peso entre as duas pernas. A ideia é forçar os adutores internos da coxa e do quadril, que estão sendo estimulados pela thera-band.

Agachamento na parede:

Para esse exercício você só precisa de uma parede e um pouco de espaço. Fique com as pernas paralelas ou com um leve en dehors (bem leve, para não acabar forçando os joelhos!), de costas para a parede. Coloque uma perna para trás, tocando o metatarso do pé na parede, e divida o peso entre as duas pernas.

Agache na perna de base e tente manter as costas retinhas, o máximo que conseguir. Tudo bem se acabar levando o tronco um pouquinho para frente, o importante é não fazer um ‘calombo’ com as costas. Esse movimento vai fortalecer ainda mais os glúteos (alô, en dehors)!

Quando você já estiver dominando esse exercício, experimente fazer sem a parede. Dessa forma, o trabalho no core fica ainda mais desafiador, e exige mais do abdômen!

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Repetições:

O ideal é sempre variar de um dia para o outro, justamente para não ‘acostumar’ os músculos. Experimente fazer 3 séries de 10 repetições num dia num tempo mais moderado, e depois alternar para uma série de 10 repetições, segurando em isometria cinco segundos na posição embaixo. O ideal é fazer os exercícios dia sim, dia não.

 

A postagem original é da Pointe Magazine, que você acha aqui!

Quer mais exercícios? Veja aqui!

Por quê o pilates é o melhor amigo dos bailarinos

Resolvi pegar carona no sucesso do desafio do Pilates proposto nas nossas redes sociais (não acompanha a gente ainda? Somos @oitotemposblog no Twitter, Instagram e Facebook!) e falar um pouquinho sobre esse queridinho dos bailarinos e se o santo é milagroso, mesmo!

Pra começar, o Pilates foi criado por um autodidata alemão chamado Joseph Pilates. Por conta da infância cercada de doenças (ele sofria de raquitismo, asma e febre reumática), começou a estudar fisiologia e medicina oriental para que não acabasse numa cadeira de rodas. O resultado dessa pesquisa ele pôs em prática em exercícios, que acabaram virando esse método de alongamento e fortalecimento muscular.

Ele é febre entre bailarinos: Tamara Rojo, diretora artística e primeira bailarina do English National Ballet, volta e meia publica uma foto dela em aula. Steven McRae (o da primeira foto), principal do Royal Ballet, faz propaganda desse método abertamente, e diz que é de onde tira força e flexibilidade para dançar. Nossas leitoras Tatiana Schwartz e Juliana Vasconcelos, que participaram do ‘desafio do pilates’, também são entusiastas.

 

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Nossa leitora Tatiana Schwartz e sua abertura negativa (Foto: Instagram)

Mas os benefícios para os bailarinos realmente são grandes? Para saber disso conversei com Tatiana Rocha, fisioterapeuta e bailarina, que tem um studio de Pilates (o Ponto de Equilíbrio) e pedi a ela que me dissesse o que essa modalidade faz para quem dança. Pelo que dá pra ver, é só coisa boa!

  • Ganho de flexibilidade
  • Ganho de força e resistência muscular
  • Equilíbrio muscular
  • Alinhamento das estruturas corporais
  • Ganho de equilíbrio e eixo corporal através da consciência do centro de gravidade
  • Fluidez nos movimentos
  • Preservação das articulações, estabilizando e mobilizando-as
  • Reduz o risco de lesões

 

E dá resultado?

Experiência própria: eu já fiz musculação convencional em academia e fiz pilates também. Para tonificar a musculatura geral, tanto academia quanto o pilates funcionam bem. Mas o pilates tem o diferencial do alongamento, e trabalha muito a musculatura interna, que é bastante exigida na dança. Fora que não hipertrofia tanto quanto a musculação, deixando a musculatura mais alongada (prefiro)!

O único ponto negativo do pilates é o preço, que proporcionalmente é mais alto do que a mensalidade de uma academia (motivo pelo qual ainda não voltei a praticar, haha!);  massss se você pode investir, vá na fé!

Pra estimular, olha Juliana Vasconcelos arrasando no abdominal!

Ballet na gravidez, pode ou não pode? Pode sim!

Carla Firpo, que dança desde os três anos, grávida de sete meses (Foto: Paula Maria)
Carla Firpo, que sempre dançou, grávida de sete meses (Foto: Paula Maria)

Muitas bailarinas, quando engravidam, ficam com medo de continuar dançando. É natural: muita coisa muda no corpo, e os cuidados precisam com atividade física e alimentação precisam ser redobrados.

Mas isso não quer dizer que o ballet esteja proibido! Muitas futuras mamães continuam fazendo aula, e esse pode ser um exercício bem relaxante e proveitoso durante a gravidez. Claro que cada corpo é um corpo e cada gestação é diferente, portanto é MUITO importante falar primeiro com o obstetra. Se ele ou ela liberar, pode fazer sua aula tranquila!

Conversamos com Carla Firpo, futura mamãe de Clarinha, que faz aulas no Ballet Teresa Cintra. Carla faz ballet desde os três anos, e mesmo no sétimo mês de gestação, não abre mão de dançar.Como boa bailarina que é, ela nunca pensou em parar, embora soubesse que precisaria fazer algumas adaptações nas aulas. “A única coisa que a obstetra sempre pediu era ‘nada de exageros, aceite os limites que seu corpo vai te dar’. Nos três primeiros meses fiquei quietinha, sem fazer atividades, e quando completamos as primeiras 12 semanas, voltei à rotina do ballet e da academia”, explicou.

Uma coisa bacana que ela fez foi conversar muito com a médica, mostrando os passos que fazia na aula. Daí ficava mais fácil saber o que podia e não podia fazer. “Alguns passos, que requerem uma força maior na pélvis, ela pediu pra evitar…Então grand plié de lado na barra e no centro eu evito”, disse.

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Carla e Clarinha! (Foto: Paula Maria)

O que pode e o que não pode?

Isso varia muito de bailarina para bailarina. Carla, por exemplo, eliminou os saltos por conta da força física necessária. Nessas horas, você pode substituir por um alongamento ou repetir passos que você pode fazer. Ela, que sempre foi mulher-elástico, disse que não encontra problemas com alongamento e ainda faz ponta de vez em quando, mas só quando se sente bem segura. Mas tem outros desafios, especialmente por conta da mudança do eixo com o crescimento da barriga.

“Girar já era algo complexo antes da gravidez, durante então…(risos) Imagina seu eixo fora do lugar, é complicado encontrar um novo ponto de equilíbrio depois de anos lutando pra mantê-lo (risos). Fora que a pressão da mulher tende a ficar mais baixa na gestação e os giros me deixam tonta mais rápido. Mas acho que pra quem gira feito pião, é só uma questão de adaptação mesmo. De aceitar os limites da barriga e girar”, opinou.

 

Por que continuar dançando?

Bom, essa parte a gente deixa pra própria Carla dizer!

“A gravidez é um momento magico na vida de uma mulher, mas exige adaptações para a nova vida que vamos ter com o bebê, não podemos nos privar do que nos faz bem. E o ballet é algo que faço desda os três anos de idade, são 30 anos de minha vida dedicados a ele, então não seria neste momento tão especial que ‘cortaria o laço’. Mas como comecei dizendo, é uma fase delicada, temos que ouvir e sentir as reações do corpo com mais atenção e respeitar o limite que a gestação nos dar. Fico feliz, graças a Deus minha gravidez está indo super bem, estou no 7º mês e ainda continuo dançando. Enquanto Clarinha permitir, estarei fazendo umas aulinhas (risos)!”

Parte desnecessária:

Muitas bailarinas profissionais também continuam dançando durante a gravidez. E continuam fazendo TUDO! Olha só esse vídeo da Ashley Bouder, primeira bailarina do Nwe York City Ballet, arrasando nos fouettés durante o sexto mês de gravidez:

Sustente suas pernas

Você tem bom alongamento mas não consegue sustentar a perna no adagio? Levanta bem, mas na hora de mantê-la paradinha no développé ela mal passa dos 90º? Ou então até consegue sustentar, mas super en dedans? Tudo isso é bem comum, mas tem jeito! A gente dá umas dicas para você deixar seu adagio nos trinques e ficar com a perna alta.

A primeira coisa que você tem que pensar é que, para quem está dançando, o foco para sustentação de perna no adagio não é na que sobe, mas na de base. A perna de base tem que estar MUITO sólida, e todo o peso do corpo tem que estar bem colocado nela – senão nem adianta levantar a perna de trabalho.

A força não pode estar na perna que sobe, senão ela pesa. Especialmente na frente e ao lado, a força que vai ajudar a manter a perna alta vem do abdômen. Com o core bem trabalhado, fica mais fácil sustentar a perna na altura que você quer e ainda dá liberdade para movimentação, como um fouetté ou um grand rond de jambe no centro.

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Natalia Osipova e nosso développé sonho de consumo! (Foto: Reprodução / Royal Ballet)

Outra coisa que funciona muito para mim: pensar no dedinho do pé esticado. Se a gente pensar em subir a perna, concentra a força nos músculos dianteiros da coxa – e o que acontece? Ela pesa! A perna fica mais leve com os pés bem esticados, e fica mais fácil de levantá-la e mantê-la na posição.

Se seu problema é manter o en dehors na segunda posição, uma dica é fechar a  amplitude um pouco. Pode ser que você esteja levando a perna muito ao lado, o que dificulta manter o en dehors. Leve um pouquinho para frente (só um pouquinho!) e veja se melhora o turnout e, também, a sustentação de perna.

Abaixo dois vídeos bacanas: um para fortalecer o core e facilitar deixar a perna alta e sua manutenção no alto, e outro explicando a teoria anatômica do adagio (esse é com a maravilhosa Kathryn Morgan!). Apesar dos dois serem em inglês, tem muita demonstração!

Exercícios para sustentar a perna mais alto:

Anatomia do adagio:

Gostou dessas dicas? Veja mais na nossa seção Para o Corpo!

Escolha seu método!

Você decidiu dançar ou trocar seu método e não sabe por onde começar? Conversei com professoras das três maiores metodologias de ensino, Royal Academy of Dance, Vaganova e Ballet de Cuba, para explicar o que cada um tem de melhor e quais são suas principais características. Vamos lá!

Uma boa forma de se verificar o método é a partir dos arabesques. O Royal tem três, o Vaganova e o cubano, quatro. Enquanto o Royal não leva em consideração a posição do corpo em relação à frente (en ouvert ou croisé), o Vaganova e o cubano usam para identificar o passo. A terceira posição do Royal tem os dois braços colocados à frente, um levemente acima do outro, que o cubano e russo não têm.

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Quarto arabesque cubano e Vaganova, no Royal, é o primeiro arabesque croisé

O Royal publicou um vídeo com guia dos seus arabesques:

 

O duplo ronde de jambe en l’air também pode ser diferente. Enquanto no método inglês as rodinhas são feitas em sequência, antes de esticar a perna ao lado, no método cubano as duas rodinhas são feitas separadamente, porém no tempo de uma. Em vez de fazê-las seguidas, estica-se a perna ao lado rapidamente para depois recolhê-la para o novo ronde.

Vaganova (russo):

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O método Vaganova valoriza muito as extensões dos bailarinos, seja nos braços ou pernas, e também a rapidez nos giros e nos saltos. De acordo com Monise de Rosa, diretora artística da Cia de Dança Ímpeto, as bases para a dança clássica são as mesmas, porém, cada técnica tem um enfoque específico e denominações diferentes.

“O Vaganova tem um programa a ser seguido, ele não apenas dividiu o ensino em diferentes níveis, como conferiu a cada um deles um programa determinado. Esse método dá muita ênfase à busca da estabilidade como um dos elementos estruturais da dança clássica”.

Royal (inglês):

É um dos métodos mais técnicos e progressivos. Dividido em vários níveis, que vão desde a infância até o profissional, o Royal tem como base o amadurecimento do aluno ou aluna em relação à dança, e prioriza a limpeza dos movimentos diante da extensão ou número de giros. A professora Marília Nascimento, do Ballet Marília Nascimento e Mandala Cia de Dança, acredita que o Royal é o método mais lúdico e didático para crianças, em especial o novo formato do curso, remodelado há dois anos.

“Eu acho que o Royal tem capacidade de atingir diversas faixas etárias. A primeira impressão do ballet é muito bem trabalhada no Royal, especialmente nesse novo programa. São elementos diferentes como saias, fitas, chapéus, bengalas nos graus mais novos. E o tutu e danças mais variadas nos vocationals (graus mais avançados). O Royal não forma bailarinos precoces, como o russo. Este é um método mais gradual. Mas a exigência técnica é bastante apurada, sem sobrecarregar as crianças, e promove uma limpeza que é levada adiante para os graus mais avançados”, aponta.

Cubano:

Assim como o Royal, o método cubano é bastante técnico, mas não tão ‘mastigadinho’. A combinação de passos também é mais desafiadora, fugindo  um pouco do padrão seguido tanto pelo Royal quanto pelo Vaganova, e é bem dançado.  Juliana Stagliorio, fisioterapeuta e professora da Escola de Dança Juliana Stagliorio, diz que o ballet cubano é extremamente rígido, mas a matéria também é muito dançante.

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Alicia Alonso foi responsável pelo amadurecimento do ballet cubano (Foto: Reprodução)

“Se a gente for analisar técnica, a metodologia cubana é  extremamente parecida com a Vaganova. Em termos de linhas de passé, de trabalhar na meia ponta o tempo inteiro, no centro, isso tudo é parecido, e não acontece tanto no Royal. Algumas vezes isso me assusta um pouco, colocar meninos e meninas de quarto grau para fazer tantas coisas na meia ponta. Porque aqui temos aulas duas vezes por semana, e não todos os dias como nas academias profissionais. Por isso fazemos todo um trabalho com nossos alunos para prepará-los para a metodologia cubana. Mas, com esse método, o que diferencia é como a técnica é aplicada. Em termos de qualidade não há diferença, apenas em estilo. Acho o cubano mais dançado e ágil: muda a direção com muita frequência, mesmo na barra”, opina Juliana.

E aí, deu pra ajudar? Independentemente do método escolhido, o que vale mesmo é dançar com responsabilidade. Procure uma escola que tenha professores qualificados e sempre respeite os limites do seu corpo!

Lesões: como prevenir?

Quando a gente fala de lesões, normalmente vem primeiro dicas de como curar, e, só depois, como prevenir. A gente acha o contrário: a prevenção é o principal meio para evitar que probleminhas simples aconteçam, ou se tornem mais graves.

tendinite-blogTendinite e Entorses: Tendinite é aquela dorzinha chata e aguda normalmente no calcanhar ou tendão de Aquiles, bem diferente da ‘dor boa’ do alongamento bem feito ou dos músculos bem trabalhados. Como se trata de uma inflamação, é um problema que vai piorando enquanto não é tratado. Para prevenir esse tipo de lesão, e também os entorses, a melhor coisa é aquecer os pés e tornozelos antes da aula – especialmente se for de ponta – com movimentos circulares, extensão e flexão (esticado/ flex), por alguns minutinhos. Já demos algumas dicas sobre isso aqui! Se você tem uma theraband, melhor ainda: tem outras dicas aqui.

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Theraband é boa opção para treino de força

Fratura por estresse: Essa é uma lesão mais séria, mas comum entre bailarinos e esportistas. A fratura por estresse nada mais é do que uma lesão por movimentos repetitivos, o que pode acontecer quando você treina várias vezes um passo ou uma coreografia com muitos saltos e giros, por exemplo. Também acontece quando os bailarinos em questão não têm acompanhamento muscular ou fisioterápico, o que sobrecarrega ainda mais o corpo. Para prevenir, a melhor coisa é reforçar o alongamento (veja exemplos aqui) e praticar alguns exercícios de força para turbinar a capacidade muscular (temos algumas sugestões aqui). Ficar SEMPRE atento ao que o corpo ‘diz’ após as aulas, e se a recuperação de um dia para o outro começar a ficar mais lenta, é melhor consultar um fisioterapeuta.

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Coluna e lombar: Não é tão comum bailarinos terem problemas com as costas, já que o maior impacto fica nos membros inferiores. Mas claro que desconfortos existem, especialmente com a lombar. Quem nunca sentiu aquela pontada depois de um ensaio extra? Para prevenir essas dores, que surgem principalmente quando temos uma carga a mais de ensaios ou aulas – ou mesmo quando estamos testando novos passos ou coreografias – a melhor coisa é alongar. Passe mais tempo com as mãos nos pés, estenda até o chão, caminhe para frente, alterne o peso entre as pernas sem tirar as mãos do chão. Tirar o peso da lombar é essencial para que ela não se machuque.

Outras dicas boas são as que servem para turbinar a sustentação do arabesque e penchée (já publicamos algumas aqui e aqui). Para as costas, além do alongamento básico, vale a pena fazer BASTANTE abdominal e prancha para fortalecer os músculos das costas. Isso mesmo! Engana-se quem pensa que abdominal é só para fortalecer o abdômen, as costas agradecem e muito!

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Tipo de alongamento que alivia a lombar! (Foto: Reprodução)

Distensão muscular: Essa deve ser a mais comum entre bailarinos, e também a mais fácil de prevenir. A distensão acontece quando a gente puxa o músculo frio além do limite de flexibilidade que ele está acostumado, ou de forma brusca, que pode resultar em ruptura parcial ou total da musculatura. Para prevenir esse tipo de lesão, a melhor coisa a fazer é alongar o músculo quando ele estiver aquecido, especialmente se você não for tão flexível. Aproveite para subir e descer escadas, dar uma corridinha de um ou dois minutos ao redor da sala de aula, ou fazer polichinelos antes de começar a puxar as pernas. Você tem que dar tempo para seu corpo entender que vai começar a dançar!

 

Fontes: Dance Magazine, Escola Bolshoi e acervo do Oito Tempos.

 

 

 

Vamos girar (mais)?

A gente já deu algumas dicas de giros aqui, mas como o processo realmente é complexo e algumas fórmulas não se adaptam tão bem a uns como a outros, voltamos ao tema com mais técnicas pra você testar na sala.

Se o seu problema é a pirueta de quarta (en dehors ou en dedans), tente reeditar nossa dica de pensar em subir no rélevé passé antes de girar e complete com: deixe seu braço da preparação te levar, como se ele fosse seu impulso. Pode parecer maluquice, mas volta e meia a gente esquece do danado – e é justamente ele que acaba derrubando o giro. Pense assim: vou subir no passé e fechar o braço, e o resto se resolve com a ‘bateção’ de cabeça.

Chaînés (ou chaînés déboulés, que significa algo como ‘giros espiralados em cadeia’): mantenha os calcanhares beeeeem juntinhos, sempre. Mesmo com a formação em Royal Academy, que ensina essa técnica com os braços sempre em primeira fechada, eu prefiro começar com eles mais abertos e ir fechando à medida que avanço na diagonal (como na foto abaixo). E isso tem uma explicação física: quando você fecha os braços, você gira de forma mais rápida, o que funciona muuuito bem para chaînés! Falando em física, você já viu nossas dicas de fouetté?

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A bailarina  Lauren Wolfram demonstra o passo a passo dos chaînés! Foto: Erin Baiano

Outra dica preciosa para qualquer giro é: jogue seu corpo levemente para frente, especialmente se você estiver na ponta. Quando subimos nas pontas, o natural é que a gente jogue as costas para trás um pouquinho, até se adaptar – e isso acontece nos giros, também. Experimente levar o tronco um pouco para frente, travar as costas e fechar bem as costelas na hora de girar. Até porque prevenir uma queda de frente é bem mais fácil do que de costas, certo?

 

 

 

O mistério do fouetté

Esse giro é tão, mas tão complexo que até o TED (uma série de conferências internacionais sobre Tecnologia, Entretenimento e Design) resolveu desvendar os mistérios que fazem com que uma bailarina (ou bailarino, por que não?) consigam girar dezenas de vezes em cima do mesmo eixo.

O vídeo (que é uma graça, por sinal!) mostra de uma forma beeeem científica como e por quê a gente gira várias vezes. OK, tem o básico do básico, dizendo que o plié com a perna ao lado impulsiona, que abrir os braços junto com a perna potencializa a sincronia e que é ESSENCIAL fixar um ponto para ‘bater cabeça’. Mas tem outras coisas bacaninhas também!

Uma delas (que eu não sabia) é que nós giramos mais rapidamente se mantivermos os braços mais colados ao corpo. No vídeo, é dado como exemplo os giros super rápidos da patinação artística. Aqueles em que a/o atleta começa com os braços super juntinhos no corpo e vão subindo numa “quinta posição” numa velocidade incrível. Pois é, gente. Braços mais juntinhos ajudam.

O vídeo fala em pernas mais juntas também, mas ninguém quer um passé en dedans, né? Mas isso é verdade: várias bailarinas giram super rápido (especialmente nos piqués ou posés en tournant) quando deixam as pernas mais juntinhas. Basta ver Natalia Osipova no primeiro solo de Giselle!

Outra é que quanto mais tempo você conseguir deixar a perna ao lado, mais ‘no eixo’ você vai ficar, e mais impulso você vai conseguir, também. Essa é uma boa dica para quem já quer começar a fazer piruetas duplas por fouetté!

Olha o vídeo aqui: