Vai ter bailarino baiano em Nova York, sim!

Quem acompanha o blog há um tempinho lembra que, ainda em 2015, a gente já vinha cantando a bola que Ed Cruz, bailarino revelado pelo Balé Folclórico da Bahia, dava sinais que ia voar longe.

Na ocasião, ele tinha recebido uma bolsa para o Alvin Ailey, uma das mais prestigiadas companhias de dança contemporânea do mundo. Mas, por uma série de razões, ele acabou não conseguindo passar a temporada em Nova York, nos Estados Unidos, onde a companhia é baseada.

Ed Cruz
Ed foi revelado pelo Balé Folclórico da Bahia (foto: arquivo pessoal)

Ele continuou no Balé Folclórico (muito bem, obrigada!), sendo escalado para diversas turnês internacionais e, depois dessa última, justamente para os EUA, não retornou ao Brasil. Isso é porque Ed recebeu uma proposta da Azoth Dance Theatre, companhia que  conta com Jonathan Breton, um dos mais talentosos jovens coreógrafos da atualidade.

Conversei com ele bem rapidinho, e ele disse que, ao mesmo tempo em que está muito feliz com essa nova etapa da vida dele, ainda vai continuar buscando sonhos cada vez maiores. Mas também sabe que vai sentir – e deixar – muitas saudades.

Olha que lindo esse relato que ele publicou nas suas redes sociais:

“Chega um momento em nossas vidas que precisamos abrir mão de estar ao lado de quem amamos, da nossa família, das coisas, da nossa casa, da nossa vida normal e rotineira para correr e lutar por nossos sonhos!

A vida é feita de ciclos, e creio que um desses ciclos se completou, que foi o Bale Folclórico da Bahia: lugar onde vivi experiências singulares, aprendi de várias formas as facetas da vida de um artista, de um bailarino, de um ser humano.

Ed e o Balé Folclórico da Bahia
Alguns momentos de Ed no Balé Folclórico da Bahia (fotos: arquivo pessoal)

Sou muito grato a todos do BFB!!!

Obrigado por cada sorriso, bronca, festa, aula, caruru, coquetel. Sei que hoje me tornei e busco sempre me tornar um artista, um ser humano melhor! Ao Meu Mestre Zebrinha , obrigado por TUDO (palavras não podem descrever o quanto sou grato a você pela minha dança).

Ao meu diretor, Vavá Botelho, obrigado por tudo também, por tudo que aprendi. Minha professora Nildinha, obrigado sempre pelas palavras de força e encorajamento, pois sem as mesmas eu não teria tanta coragem assim.

Obrigado família Balé Folclórico da Bahia!”

Do lado de cá, esperamos sempre as melhores notícias! E que ele possa voltar de vez em quando e dançar um pouquinho pros meros mortais, não é mesmo?

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Falamos sobre improvisação na dança com Guego Anunciação

Eu sei que tem mais de uma semana que eu prometo lançar esse post aqui, mas nossa, sobra trabalho e falta tempo nesse 2017! Mas eis que posso contar um pouco da minha experiência com dança contemporânea e, mais especificamente, sobre improvisação na dança – que pode ser qualquer estilo, ok?

Aproveitei as férias do ballet para me jogar num estilo que eu não tenho tanta intimidade, mas que adoro acompanhar, que é o contemporâneo. Só que o que eu não sabia era que o professor, o bailarino, pesquisador e meu amigo Guego Anunciação, resolveu fazer mais do que apenas passar técnica de passos e fazer algumas experimentações com os sortudos que resolveram fazer as aulas.

 

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Guego sendo divo (Foto: acervo pessoal)

Brincamos muito com a voz, entre sons e palavras. E depois passamos para a parte difícil: improvisação. Como assim? Assim mesmo. Liga a música (ou não!) e dança da forma que dá na telha. E vale tudo, até ficar parado. Uma coisa que poucos sabem: improvisação diz MUITO do seu repertório como dançarino. É quando você se solta das combinações de uma coreografia, os passos fluem de uma maneira bem diferente. Dá um medo danado, mas chega uma hora que a mente dá um estalo começa, automaticamente, a buscar o que faz mais sentido para o corpo. Em miúdos: você pega o jeito.

“Eu, como bailarino clássico, encontrei esse meio para pensar na minha pesquisa corporal, mesmo. De como eu posso aliar a improvisação com um repertório que eu já tinha de ballet clássico e das outras  experiências que vieram depois com dança contemporânea. Fora que tem a dificuldade de se encontrar essa técnica de improvisação no espaço de ballet, onde os alunos geralmente trabalham como intérpretes condicionados a uma coreografia. Eu acho que a improvisação é muito libertadora nesse sentido, abre possibilidades para que o balarino possa ter acesso a outros repertórios”, disse Guego com muita propriedade.

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Guego em Missa de Sétimo Dia (Foto de Marcus Socco)

Acho que a palavrinha mágica aí é técnica. Assim como qualquer passo, você precisa de uma técnica para improvisar da melhor forma possível para pensar rápido nos ligamentos, fazer aquilo que seja mais natural para o corpo e ainda dê um caldo coreograficamente falando. De certa forma, não deixa de ser um exercício 😉

Resgatamos esse videozinho dele no nosso instagram! Saca só:

 

As dores e delícias do pole dance profissional por Erika Thompson

Mesmo sendo uma modalidade relativamente recente, o pole dance tem vários grandes campeonatos realizados pelo mundo, e muitos pole dancers profissionais que conseguem viver apenas do esporte ou dança (isso depende do estilo escolhido por quem pratica).

Mas isso é na Europa, especialmente no Leste Europeu. No lado de cá, no entanto, a situação muda bastante – ainda mais em se falando do Brasil. Conversei com Erika Thompson (lembra dela? Tem matéria aqui!), que pratica o pole dance há quase sete anos, e precisa se desdobrar em várias para conseguir manter seu estúdio – o primeiro em Salvador -, treinar e conseguir competir.

Falando em competição, ela foi selecionada para competir no Sul-Americano de Pole Dance, na Argentina, em dezembro. O que deveria ser um orgulho se tornou uma dor de cabeça, porque ela, assim como muitos atletas brasileiros, não tem qualquer patrocínio e precisa arcar com todas as despesas sozinha. E dar aulas. E, claro, continuar treinando.

Erika no Mundial da China, em 2015
Erika no Mundial de Pole Dance na China (Foto: Acervo Pessoal)

“O brasileiro deveria ser estudado, porque ô povo para ter raça, viu? É incrível, não desiste!”, Erika disse aos risos. “Eu não consigo me dedicar para as competições do jeito que eu gostaria, porque não posso deixar de trabalhar. A falta de apoio também complica, porque eu não tenho a tranquilidade de poder ir a todos os campeonatos que eu gostaria. E, sem colocar minha cara lá fora, eu fico sem prestígio, sem reconhecimento. Acaba virando uma bola de neve”, explicou. Por isso, ela foi mais uma adepta do crowfunding: criou uma campanha para ajudá-la com os custos da competição.

A escolha do Sul-Americano não foi por acaso. Esse é um campeonato que ela já conhece, e que ela sabe que abre portas para os Mundiais e outros internacionais.”Hoje, o Sul-Americano é o campeonato de maior prestígio aqui na América do Sul. Temos pole dancers muito bons na Argentina e no Chile, a competição é muito forte mesmo”. Erika é uma das duas brasileiras selecionadas para a categoria Elite, a mais alta da competição.

Fora que o Sul-Americano tem a vantagem de ser próximo: muitos dos Mundiais e campeonatos grandes são na Europa, o que encarece a viagem. No Brasil, além de serem menores, também são mais precários – eu mesma sofri para conseguir falar com a organização do Campeonato Brasileiro em 2014, para saber a colocação dos vencedores. Naquele ano, Erika e mais três baianos participaram. Ela até hoje espera suas notas.

Pole dance na praia
Pole dance na praia, pode? (Foto: Rudolph Lamax)

E olha que Erika tem um currículo de peso: semifinalista no Mundial da China 2015, 2º lugar na Miss Pole Dance Glamour 2014, finalista do Sul-Americano 2013. Não deveria precisar de ajuda, né? Quem puder, contribua e divulgue!

Segue uma das poucas apresentações de Erika que foram gravadas, a do Campeonato Brasileiro de 2014.

 

 

Quer mais pole dance? Veja aqui nossa entrevista com Uriel Trindade, bailarino e pole dancer.

Osipova: “Ainda estou aprendendo a língua da dança contemporânea”

Uma das bailarinas clássicas mais experientes, expressivas e bem-sucedidas da sua geração, a russa Natalia Osipova, de 30 anos, embarcou numa nova experiência profissional e pessoal: junto com o namorado, o também bailarino-estrela Sergei Polunin, se apresenta numa produção contemporânea, Silent Echo, assinada pelo coreógrafo Russell Maliphant.

Curioso que até mesmo para bailarinos profissionais, como é o caso de Osipova, a transição ou aprendizado de novas formas de se expressar na dança podem ser desafiadoras.

A prima ballerina fala sobre a participação na produção, como é dançar com Sergei e as diferenças entre dança clássica e contemporânea na entrevista que traduzimos abaixo. Confira!

Run Mary Run_SWT,Choreograoher; Arthur Pita,
DANCERS;
Natalia Osipova, Sergei Polunin,
Osipova e Polunin em Run Mary Run, de Arthur Pita (Foto: Bill Cooper/Sadler’s Wells)

Qual foi o motivo para embarcar num espetáculo com trabalhos contemporâneos e não de ballet clássico?

Eu sempre fui interessada pela dança contemporânea – mesmo na escola de ballet eu já acompanhava. Além disso, quando alguém dança ballet clássico por muitos anos, tem que ‘apimentar’ as coisas de vez em quando, então eu opto por fazer coisas diferentes. De certa forma, faz parte de uma busca criativa. Eu não diria que estou entediada com repertórios de ballet, apenas gosto de aprender novas linguagens na dança, também.

Como o espetáculo tem sido recebido?

Como sempre, teve críticas boas e ruins. Não consegui extrair objetivamente o que as pessoas não gostaram nas críticas ruins, e não porque eu não atente para críticas – é uma profissão bem difícil e estou acostumada a todos os tipos de críticas – mas eu não me atenho a cada detalhe para depois tentar reconciliar na dança.

Cada peça foi criada especialmente para você. No Festival Internacional de Edimburgo, na Escócia, o público ficou impressionado com Silent Echo, de Russell Maliphant. O quão envolvida com esse trabalho você esteve?

Eu normalmente não interfiro, mas dessa vez eu me encontrei com Russell e nós conversamos, e ficou claro desde o início que eu dançaria com Sergei. Mas o resto ficou a critério dele. Nessa esfera contemporânea eu confio no coreógrafo, enquanto que no ballet clássico eu posso discutir um pouco mais com o coreógrafo para introduzir minhas próprias idiossincrasias.

Não seria porque você é nova na dança contemporânea e menos confortável com ela?

Ballet clássico é minha língua materna, então sempre tem espaço para que eu entregue algo meu. Na dança contemporânea eu simplesmente não sinto que estou no nível de poder dar opinião. Ainda estou aprendendo essa linguagem.

Run Mary Run_SWT,Choreograoher; Arthur Pita,
DANCERS;
Natalia Osipova, Sergei Polunin,
Polunin e Osipova em Run Mary Run (Foto: Bill Cooper/Sadler’s Wells)

Quando foi que você e Sergei Polunin se conheceram?

Nos conhecemos cerca de um ano e meio atrás, quando dançamos Giselle no Scala de Milão. O partner que estava escalado para dançar comigo ficou doente, então pedi a ele para aceitar o papel. Tinha uma coisa diferente no ar sobre dançar com Sergei. Minha mãe até falou que ele poderia ser um partner interessante. Então, de certa forma, estava nas cartas.

Você deve ter ouvido que Sergei era chamado de “o bad boy do ballet” quando rumores de chiliques nos bastidores e fora dos palcos apareciam com frequência associados ao nome dele. Como você achava que seria trabalhar com ele?

Eu certamente ouvi a reputação de Sergei antes de trabalhar com ele, mas eu entendo bem como algumas coisas, muitas vezes, são exageradas. Por isso não prestei muita atenção. No final das contas, eu não ia dançar com a reputação dele. Eu ia dançar com a pessoa.

E como ele é?

Eu o conheci depois que ele ganhou essa reputação de “bad boy”, então eu só posso julgar o que conheço dele agora. Ele realmente fala o que pensa. Mas a pessoa com quem eu trabalho e com quem estou é consciente e genuína. Ele está, possivelmente, mais calmo agora. O que aconteceu antes aconteceu por motivos reais. Ele se comportou de uma forma sincera, não houve teatralidade desnecessária.

Deve ser difícil manter um relacionamento quando vocês trabalham em companhias diferentes e estão sempre viajando em turnê. Essa produção foi, ao menos em parte, uma forma de vocês passarem mais tempo juntos?

O espetáculo já estava criando forma quando a gente se conheceu, então não foi pensado para que a gente dançasse juntos. Foi uma feliz coincidência.

Qual é a melhor e a pior parte de dançar com seu companheiro?

A pior parte é que qualquer desentendimento ou crítica num ensaio é mais aberto, por isso há conflitos. Como eu sou uma mulher jovem, às vezes é fácil para mim ceder a esses conflitos, e às vezes eles se estendem um pouco às nossas vidas pessoais. O lado positivo, por outro lado, é óbvio. A sensação de estarmos no palco juntos, dançando juntos, criando algo juntos é incomparável.

 

Silent Echo está em turnê pelos Estados Unidos desde 27 de outubro, em Los Angeles.

A entrevista original, que saiu na Pointe Magazine, você pode conferir aqui.

Cerimônia de Encerramento da Olimpíada: o que teve!

A Olimpíada chegou ao fim, mas ainda ficamos com nossas resenhas de vídeos para alegrar nossa audiência, não é mesmo? Então, ainda em clima olímpico, faremos uma análise um pouco maior sobre a coreografia apresentada pelo Grupo Corpo no encerramento Rio 2016. Lembrando que ainda tem as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Paralímpicos, então podemos voltar a esse tema a partir do dia 7 🙂

Já falamos nesse post sobre a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, que contou com coreografia de Deborah Colker e foi um show incrível para abrir com chave de ouro essa cerimônia que une culturas tão diferentes em prol do esporte.

Agora, vamos ao que interessa! No encerramento da Olimpíada, foram apresentados quatro minutos de um trecho de Parabelo (1997), obra pertencente ao Grupo Corpo e que traz fortes referências nordestinas em sua coreografia. Composto de um jogo de pernas rápido e aparentemente “solto”, porém perceptivelmente coreografado, os bailarinos trazem junto com seus movimentos a força da música nordestina. Apresentando também figurinos simples e com cores vibrantes, valorizando ainda mais o movimento.

 

Apesar da chuva ocorrida durante o encerramento, não houve o que desanimasse os bailarinos durante a coreografia, o que se tornou ainda mais marcante diante do evento. Afinal de contas, não é todo dia que temos a honra de encerrar uma Olimpíada, não? Durante a narração do evento, muitos comentaristas disseram que foi justamente a chuva que deu uma dramaticidade maior ao encerramento, no maior estilo “Cantando na Chuva”. E é verdade! Só ficamos meio tensos ao assistir com medo de que algum bailarino escorregasse.

Infelizmente, não conseguimos encontrar nenhum vídeo oficial desse momento, mas fica aí um dos registros que achamos e que vai ficar para a posteridade:

 

Deixaremos também um vídeo oficial do canal no YouTube do Grupo corpo, que mostra esse mesmo trecho apresentado na festa de encerramento. Lembrando que vale suuuuuuuper a pena conferir os demais vídeos da companhia, tão bons quanto esse 🙂

 

Para quem ficou interessado em conhecer mais da companhia pode visitar o site oficial clicando aqui!

Para ver outras resenhas, essas do #videosdasemana, clique AQUI!

(Foto da capa: Getty Images/Alexander Hassenstein)

Grupo de Dança Contemporânea da UFBA lança espetáculo sensual

Uma coisa que eu acho importante em grupos contemporâneos, especialmente os que estão baseados em universidades ou têm no elenco universitários, é a ousadia. Quantas vezes a gente ouve falar das mesmas linhas de apresentação, com espetáculos com a mesma temática?

Por isso que fiquei super satisfeita quando meu amigo bailarino Guego Anunciação (maravilhoso, por sinal!) me mostrou essa iniciativa do Grupo de Dança Contemporânea da Universidade Federal da Bahia (GDC da UFBA), que trata de… sexo! Não amor, não sentimento, só o prazer carnal, nu e cru, e os rompantes de excitação (e até mesmo violência) que acompanham.

O nome da apresentação já diz tudo: Cuspe, Paetê e Lantejoula. Quem assina esse trabalho é Lulu Pugliese e Lucas Valentim, que conta com seis bailarinos da GDC da UFBA – que comemora seus 60 anos, aliás! Eu já assisti a alguns trabalhos de grupos de dança da UFBA e, normalmente, eles não fogem da raia e entregam exatamente o que prometem. As coreografias são bem diferentes e usam dinâmicas super ousadas para integrar bailarinos, música e conceito – mulheres carregando homens, nudez no espetáculo, sons emitidos pelos dançarinos durante os movimentos… É outra ‘viagem’!

Vale a pena lembrar que a Escola de Dança da UFBA é a primeira a de ensino superior em dança no Brasil, então vanguarda é com ela mesma!

 

Onde: Teatro do Movimento da UFBA (Av. Adhemar de Barros, s/n, Ondina, Salvador – BA)

Quando: 16/9 (19h), 17/9 (18h), 19, 20, 29 e 30/9 (20h)

Quanto: R$ 8 (inteira ) e R$ 4 (meia) – estudantes da UFBA não pagam, bastando apresentar confirmação de matrícula

PS: A foto é de Aldren Lincoln

Vídeo da Semana ESPECIAL da Cerimônia de Abertura Rio-2016

Como prometido, esse #videodasemana é diferente e especial: analisamos o que teve de dança na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016, que teve coreografia de Deborah Colker e bailarinos da companhia que leva seu nome.

Primeiro: o que foi essa abertura, gente? Foi muito emocionante, cheio de efeitos especiais e batendo na tecla daquela coisinha que a gente vive falando aqui: inclusão e empoderamento. Na coreografia, isso foi representado pelas danças populares de várias regiões do país – teve samba, maracatu, funk, passinho…

funk
Teve Carol Konka e MC Soffia conduzindo o rap e batidão na cerimônia

A coreografia de Deborah Colker também foi variada: ela que ‘conduziu’ 1500 pessoas no palco em alguns momentos de cenografia, e, em outros, bailarinos profissionais e acrobatas em partes mais específicas, em que se trabalhava com efeitos especiais.

Um deles foi o parkour: os bailarinos foram apresentados com a ilusão, em 3D, de prédios subindo no solo do Maracanã. Tudo foi tão bem ensaiado que a gente jurava mesmo que o pessoal pulava de prédio para prédio, e não que eles, na realidade, não enxergavam as projeções. Isso a própria Deborah comentou em entrevista à SporTV, hoje de manhã.

“Trabalhei com acrobacia e, com o parkour,eu tinha que fazer as pessoas acreditarem nas projeções dos prédios, que eram fake. A gente teve que estudar o espaço, e depois foi experimentando ao vivo a partir do que seria a projeção, vendo o momento de subida e descida dos prédios. E tem uma turma danada de acrobacia, de saltos, de parkour… Depois dos prédios subindo, quando eles vão para o ‘morro’, na verdade são 72 caixas e 32 pessoas fazendo parkour. Então eu criei rotas de parkour para se chegar aos lugares. Eu não tive uma quantidade de ensaios suficientes, então tive que estar pré-preparada”, explicou.

rodas
Inspiração! Cerimônia x VeRo

Quem conhece o trabalho de Deborah Colker viu várias cenas na cerimônia de abertura. “VeRo”, da roda, “Velox”, das paredes, e “Casa”, de ambientes internos. Isso tudo foi misturado, como disse, com estilos populares, como o carioquíssimo funk. A mistura de cores e luzes deu uma cara toda especial para a dança.

Pra terminar com conteúdo, deixamos pra própria Deborah o resumão da obra! “Eu sempre falei que a gente estava construindo um espetáculo, que seria no próprio Maracanã, para milhares de pessoas, mas que seria, também, televisionado por 60 câmeras. E a organização desses ensaios foi complicada! A gente teve cenas com 1500 pessoas. E eu adoro precisão, sou perfeccionista. Sou que nem o pessoal do esporte, adoro competir e adoro ganhar”, disse ao SporTV. Mandou bem!!!

Atenção: o vídeo abaixo é de ensaio. O blog não tem direito de reproduzir imagens em movimento da Olimpíada, infelizmente! Preferi colocar um ensaio a fazer compilação de imagens, como muitos veículos de imprensa fizeram.

Quer ver mais #videodasemana? Clique aqui!

Vídeo da semana #25!

Tem vídeos que a gente coloca aqui mais pela repercussão e importância cultural do que pela técnica ou coreografia, especificamente. É o caso de “Freedom”, da nossa querida Alvin Ailey (que já foi tema de #videodasemana!). Eles usaram a música da diva musa mravilhosa cantora Beyoncé para endossar o protesto contra o racismo escancarado nos Estados Unidos, que, como no Brasil, mata milhares de pessoas.

Dessa vez não vamos nos alongar muito, porque o vídeo e a coreografia são bem simples. Não cabe aqui ficar analisando tanto a técnica (embora eu ache que a coreô, embora bem curtinha, consegue passar a força da música muuito bem), até porque foi tudo gravado numa sala de aula e postado diretamente no Instagram. E talvez por isso seja tão bacana! Por mais vídeos assim 🙂

 

PS: Obrigada à querida leitora Carla Siqueira pela sugestão!

PS 2: Quer mandar um vídeo pro nosso #videodasemana? Mande uma mensagem por aqui, pelo Facebook ou pro nosso email (oitotemposblog@gmail.com) que adoraremos disponibilizar aqui!

Mais #videodasemana? Veja aqui nosso acervo!

Vídeo da Semana #23

Como procuramos sempre inovar por aqui, nosso #videodasemana (sugestão das leitoras assíduas Camila Macedo e Clarice Bartilotti – obrigada, meninas!!) é o trailer do documentário sobre o coreógrafo israelense Ohad Naharin, feito por Tomer Heymann. E por que amamos tanto? Porque a trilha sonora escolhida foi de ninguém menos do que Caetano Veloso (inclusive, tiramos o vídeo da própria página do Facebook dele).

Esse não é o nosso primeiro #videodasemana com Ohad Naharin. Já resenhamos o trabalho dele quando ele coreografou um espetáculo da Batsheva Dance Company, convidando a plateia a participar da dança. Uma característica muito forte nas criações de Naharin é a mistura de tendências contemporâneas e modernas, que culminaram no GAGA, movimento inventado por ele.

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Sensualidade fluida! (Foto: Reprodução)

Nesse vídeo fica um pouquinho mais difícil avaliar a coreografia, porque são fragmentos de danças misturados ao som de It’s a Long Way, de Cateano. Aí damos palmas para a edição, que casou perfeitamente os movimentos dos bailarinos com a cadência da música e à atmosfera sensual, malemolente, fluida.

O que podemos dizer com certeza é que o propósito do vídeo foi atingido: estamos com vontade de assistir ao documentário!

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Vídeo da Semana #22!

Quem não adora uma coreografia extremamente limpa? E coordenadíssima? E com bailarinos super entrosados? Pois bem, nossa leitora querida Clarice Bartilotti se encantou com esse vídeo, tanto que nos enviou como sugestão e, voilà! Virou #videodasemana. Valeu, Clarice!

Dessa vez seremos mais breves (infelizmente não pudemos entrevistar os bailarinos, como fizemos semana passada com Uriel Trindade), mas, em compensação, teremos uma análise maiorzinha da coreô.

Eu simplesmente adoro coreografias limpas e coordenadas. A companhia me ganha quando tem um corpo de baile bem ensaiado (Opéra de Paris, é com você mesmo!), e fazer isso com movimentos tão fluidos fica ainda mais difícil. O nome dessa dança é “Now Dance”, de Tao Ye, e foi apresentada no Centro Nacional de Artes de Pequim, na China. O vídeo não é linear – tem momentos intercalados com vários bailarinos, três, e um só – e trabalha com closes de passos e o palco completo. Isso, pra mim, enriquece ainda mais a experiência de assistir.

Muita gente questionou o tipo de dança. É ballet? Exercício de solo? Contemporâneo? Moderno? Eu arriscaria dizer um contemporâneo com muitos elementos de solo e alguns de clássico. São várias contrações e movimentos da técnica moderna, mas acredito que a leveza dos braços e os giros têm base no clássico!

Deixando de lado as especificidades técnicas da coreografia, acho que o mais legal é que ela é, aparentemente, simples. Não tem tantas pernas altas nem giros: é a movimentação incessante do corpo que mais chama a atenção. Como se o passo não acabasse, só evoluísse. Lembra um pouco o estilo das coreografias de Rudolf Nureyev e William Forsythe. Agora… Ao vídeo!

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