World Ballet Day 2016 – San Francisco Ballet

O World Ballet Day termina do mesmo jeito que começa: com uma companhia super inovadora. Dessa vez falamos do San Francisco Ballet, que, apesar de ser a primeira companhia dos Estados Unidos, está sempre trazendo novidades no repertório, nas coreografias originais e no elenco.

E que elenco! Basta dar uma olhadinha na aula para ver do que a gente tá falando. Temos a ex-Opéra de Paris Mathilde Froustey (bailarina favorita de Felipe), a russa prodígio Maria Kochetkova (a minha bailarina preferida da companhia!), o mito cubano Lorena Feijoo… A própria apresentadora, a ex-primeira bailarina Joanna Berman, comentou que eles têm bailarinos de várias nacionalidades, inclusive da Ásia, África e América do Sul. Vale lembrar que um dos primeiros bailarinos, Vitor Luiz, é brasileiro!

Aula

Mathilde sendo limpa e aristocrática
Mathilde sendo limpa e aristocrática

Quem ministra a aula é o maître de ballet Felipe Diaz, que também conduz alguns ensaios. A aula é bem técnica, com vários exercícios de alongamento de tendão e aquecimento da musculatura interna (como tendues e glissés rápidos).

No centro, VÁRIAS piruetas. De todas as formas, Com terminações diferentes. Eu mesma sofreria horrores nessa parte!

Mathilde Froustey não estava num dia muito inspirado para girar, mas a limpeza técnica dela é impressionante. Em todos os passos ela marca direitinho a intenção do movimento, raramente se conserta nas poses e tem aquela cara de francesa maravilhosa que te despreza. Mito!

Maria Kochetkova
Maria Kochetkova: uma primeira-bailarina alternativa!

Outro momento engraçado é ver como Maria Kochetkova fica sem graça diante das câmeras. Curioso, já que ela é super desenvolta em suas redes sociais. Ela faz aula com roupas super inusitadas: calção de boxe, meia de jogador de futebol e casaco com capote. Roupagem bem alternativa para uma primeira bailarina!

PS: Se isso ajudar a levantar a perna como ela e girar mais de quatro piruetas numa preparação, a gente veste qualquer coisa!

Ensaios

Diferentemente das outras companhias, o San Francisco Ballet nos presenteou com VÁRIOS ensaios durante sua transmissão. E abusaram da tecnologia enquanto isso: a GoPro voava na sala e chegava bem pertinho dos bailarinos, dando um ângulo diferente daqueles que estamos acostumados.

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Ensaio de Haffner Symphony

O primeiro foi Haffner Symphony,com  música de Wolfgang Amadeus Mozart e coreografia de Helgi Tomasson. Quem estavam nos papéis principais eram Sasha de Sola e Carlo Di Lanno. Não conhecia esse repertório, mas a música de Mozart realmente é algo diferente. O ouvido dança quando escuta! Adorei a coreografia: tem um jeito meio Nureyev de movimentação, com um passo em cada tempo de música, o que deve tornar os ensaios particularmente exaustivos.

Em seguida veio o trabalho original de Yuri Possokhov, com música de Ilya Demutsky. Achei bem legal o coreógrafo, ex-Bolshoi, dizer como ele prefere trabalhar: no caso dele com música criada especialmente para o ballet. Foi apenas a partir da música que ele teve a ideia do repertório, que tem a ver com marinheiros que se sacrificaram pela revolução socialista na Rússia. Achei histórico! No elenco temos a maravilhosa Lorena Feijoo, que carrega bastante na dramaticidade que a música pede.

frankenstein

Sucesso incontestável em Londres, quando estreou em maio pelo Royal Ballet, Frankenstein de Mary Shelley será apresentado em fevereiro pelo San Francisco Ballet. Segundo o San Francisco, o trabalho foi feito em parceria entre as duas companhias, e por isso o SFB tem o direito de apresentar logo após o Royal. O ensaio contou com os principais Joseph Walsh e Frances Chung nos papeis de Viktor Frankenstein e sua noiva, Elizabeth, no momento em que ele a pede em casamento. A música de Lowell Libermann é tenebrosamente linda: mesmo nas horas mais felizes ainda tem aquele pouquinho de macabro nas notas. A coregrafia de Liam Scarlett é bem suave, compatível com a música, e nossa, os bailarinos mandaram MUITO bem. Fiquei com mais vontade de assistir!

Diamonds, Pas/Parts e Cinderella também fizeram parte dos ensaios transmitidos pelo San Francisco. Como ficaria muuuuito grande analisar todos eles, preferimos ficar por aqui e convidar vocês a fazer essa resenha!

Quer ver nossa galeria de fotos? Clica aqui!

O San Francisco Ballet foi a última companhia que analisamos. Também tem post sobre o Australian Ballet, Bolshoi, Royal Ballet e National Ballet of Canada. Quer comparar com o que teve no ano passado? Dá uma olhadinha aqui!

O vídeo completo você encontra aqui:

World Ballet Day 2016 – National Ballet Of Canada

Mais um post para celebrar o #WorldBalletDay nosso de cada ano, evento que marcou a estreia do OITO TEMPOS como blog e que temos o prazer de acompanhar e resenhar para vocês!!

A quarta companhia que protagonizou a transmissão ao vivo foi o National Ballet Of Canada (quer ver o post do ano passado? clique aqui), que dessa vez faz sua transmissão em casa, na cidade de Toronto, já que ano passado estavam em turnê e realizaram o World Ballet Day durante a viagem.

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Aquecimento básico para começar o dia 🙂

De cara, começamos com a aula que é a minha parte favorita. Além de acompanharmos as extensões das linhas e técnica dos bailarinos também posso pegar alguns passos de inspiração para as minhas aulas (hehe). Muita roupa para aquecer e alongamento são essenciais antes da aula começar, e é claro, não podem faltar as bolinhas nossas de cada dia, item que somos muito adeptos aqui no blog (não é Ju?).

A aula foi comandada pelo professor Aleksandar Antonijevic de uma maneira bem tranquila com passos simples, prezando sempre a manutenção da técnica. Pausa para o professor falando com os bailarinos sobre a necessidade de levar a pirueta como um todo. Importante vermos como até mesmo companhias grandes passam pelos mesmos problemas de nós mortais náo é mesmo :-). Pausa Nº 2 para momento fisioterapia com o bailarino Naoya Ebe, parte do processo de ser um bailarino de alto rendimento. E pausa Nº 3 para falar o quanto a galera do blog achou super legal o look jovial e descontraído do nosso professor, continue assim!!

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Melhor professor: SIM ou COM CERTEZA?

Karen Kain, diretora artística da companhia falou sobre os repertórios da companhia para a temporada: Onegin, Lago dos Cisnes, Cinderella e O Quebra-Nozes, repertórios de peso dentro do ballet clássico. Além da maravilhosa estreia do Ballet Pinnochio : o que estamos ansiosos para ver se sai algum pedacinho no canal deles para o público. A companhia esse ano comemora sua 65ª Temporada. Parabéns aos envolvidos!!

Ensaios:

Cinderella com certeza foi o carro chefe da transmissão desse ano, ocupando quase metade do tempo, onde tivemos ensaio das fadas mais os homens cabeça-de-abóbora (cena muito interessante por sinal!), onde a companhia ainda afina os pontos da coreografia. A bailarina Sonia Rodriguez nos apresenta o backstage da produção durante os ensaios: sapatos, perucas e figurino da obra que envolve muitos profissionais.

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Fadas de Cinderela

O próximo ensaio foi do ballet Onegin, criado em 1964 pelo renomado coreógrafo John Cranko. Algumas cenas mais simples de mise en scéne (atuação durante o espetáculo de ballet) e danças de grupo, que demandam sincronia do grupo. É um repertório pouco conhecido por nós do blog, o que não quer dizer que tenhamos menos vontade de vê-lo.

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Corpo de Baile de Onegin

Durante o streaming do evento, tivemos a grata interrupção do Boston Ballet e do Miami City Ballet apresentando suas instalações e os ensaios de suas temporadas. Mas, calma! Não se preocupem que nós nos lembramos deles sim, mas isso é assunto para outro post (surpresa!).

Confira a nossa galeria de fotos:

 

World Ballet Day 2016 – Bolshoi

O Bolshoi fez de tudo para atrapalhar nossa resenha, mas não contou com a astúcia da nossa leitora Joana Medeiros (MUITO obrigada!), que nos mostrou o caminho das pedras para encontrar a transmissão da companhia. Para ter acesso ao vídeo, basta fazer um cadastro no site do próprio Bolshoi, clicar na aba ‘video’ e assistir. É fácil e super simples!

A companhia quer mesmo mostrar que está focada em inovação, tanto é que a primeira coisa que aparece no streaming são as turmas infanto-juvenis (algo que senti falta nos demais ballets!), com entrevista com alunos e professores. A técnica de ensino do Bolshoi, que já foi questionada e até mesmo criticada por aqui, foi abordada logo de cara. Achei interessante essa forma mais direta de lidar com o público.

Meninos fofinhos que sonham em ser os novos Baryshnikovs (Foto: Reprodução)
Meninos fofinhos que sonham em ser os novos Baryshnikovs (Foto: Reprodução)

O Bolshoi realmente usou o World Ballet Day como promoção da companhia: teve entrevista com diretor artístico, coreógrafo, professor… Achei meio exagerado, até, porque só tinha gente falando maravilhas do ballet russo, da companhia, da escola, de como lá é o ‘berço’ do ballet clássico… Menos, né? O Bolshoi realmente se mantém como uma das maiores companhias do mundo e os russos continuam nos presenteando com bailarinos e bailarinas incríveis. Mas o resto do mundo também 🙂

Aula, mesmo, só depois de mais de uma hora de transmissão. E foi com o mesmo professor do ano passado, Boris Akimov, que é uma figura! Mais uma vez, o que dá pra notar é que o foco das aulas é na extensão de pernas e braços, marca registrada do método russo. Isso fica beeeem claro nos adagios e port de bras. Mas achei interessante que no centro tem um passo específico de fondue (!) com piruetas. Bolshoi inovando.

Não teve muita interação dos bailarinos com a transmissão, salvo quando diretamente abordados pela apresentadora. A disciplina é muito mais rígida em comparação com outras companhias – os bailarinos não brincam muito, não fazem muitas gracinhas ou mesmo falam com o professor. Quem faz ballet há algum tempinho vai se identificar com essa metodologia, que era abordada aqui no Brasil por professores, maîtres e dames de ballet até algum tempo atrás!

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Professor bom é o que faz o passo e ainda se alonga! (Foto: Reprodução)

E o melhor foi deixado para o final! Os ensaios foram de Jewels de George Balanchine (no programa consta Diamonds, mas, como apontou a Julimel, em Jewels a coreografia com tutu romântico é Emeralds), e The Golden Age, de Yuri Grigorovich – coreógrafo contemporâneo (apesar dos seus 89 anos) e uma das apostas do Bolshoi. Gostei muito das coreografias dele que assisti, como O Lago dos Cisnes e Spartacus, e o original A Flor de Pedra, com música de Sergei Prokofiev.

Jewels foi ensaiado no palco (amo!), já com orquestra e simulação de figurino, e The Golden Age foi em sala, no piano – o que dá a impressão que esse ballet começou a ser ensaiado há pouco tempo. Achei bem interessante a escolha desses repertórios para acompanhar, porque mostra dois estágios bem distintos de produções.

Marcação no palco com orquestra de Diamonds, de Balanchine (Foto: Reprodução)
Marcação no palco com orquestra de Jewels, de Balanchine (Foto: Reprodução)

 

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World Ballet Day 2016 – Royal Ballet

A gente bem que tentou publicar os posts respeitando a cronologia do World Ballet Day 2016, mas não deu! Esperamos o máximo que pudemos para ver se o Bolshoi, segunda companhia a fazer a transmissão, liberava o vídeo, mas isso não aconteceu – e infelizmente não sabemos se vai acontecer. Dedos cruzados!

Por isso, pulamos da primeira companhia, The Australian Ballet, direto para a terceira, The Royal Ballet – uma das mais queridinhas do mundo!

Mesmo um pouco carente de estrelas – Carlos Acosta, Tamara Rojo e Alina Cojocaru, grandes nomes que marcaram os palcos do Covent Garden, saíram do Royal nos últimos anos – a companhia britânica ainda tem prestígio de sobra e talentos tanto no campo coreográfico como no elenco.

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Algumas apostas são Steven McRae, o australiano que vem bombando em interpretações contemporâneas solo e arrasando nos clássicos, e a deslumbrante Natalia Osipova, russa que arrebatou o coração de Sergei Polunin, também ex-Royal, e talvez o maior bailarino da atualidade. Tem também Iana Salenko, ucraniana principal do Staatsballet Berlin que dança como convidada. Nenhuma das duas, ou Yuhui Choe (minha bailarina do Royal preferida!) participaram da aula. Em compensação, tivemos três (e não duas! Obrigada, Joana) brasileiras lá: Letícia Dias,  artista, Letícia Stock, primeira artista, e Mayara Magri, solista. Além delas temos Roberta Marquez, bailarina principal, na companhia. Infelizmente ela não apareceu nesse World Ballet Day!

O que mais gostei foi que chamaram a diva musa maravilhosa impecável mitológica Darcey Bussell (quer saber mais sobre ela? Clica aqui!) para comentar a aula. Ela se aposentou da companhia em 2012, depois de 20 anos lá. Ela é uma querida, e dava altas dicas de como funciona para o bailarino as aulas técnicas do início do dia. Como falamos antes, é um momento para aquecer o corpo e prepará-lo para os ensaios do dia, mas também é um momento importante para turbinar a técnica. Por isso não devemos esquecer das aulas no fim do ano e apenas privilegiar os ensaios!

Na barra, Steven McRae usou uma GoPro para mostrar o que os bailarinos vêem durante os passos. Achei a iniciativa interessante, mas o resultado não ficou tão bom… Achei que os ângulos que a câmera mostrava não correspondiam ao que a gente acaba vendo quando dança. Mas é legal ver que uma companhia tão tradicional vem abraçando a tecnologia nas aulas!

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Principal do Royal Ballet fez aula com GoPro no corpo (Foto: Reprodução)

Ensaios

O primeiro e talvez mais impactante é Anastasia, agora sim com Natalia Osipova! Eu não conhecia esse repertório, que tem coreografia de Kenneth Macmillan, por isso adorei a explicação da diva Darcey sobre a cena. É menos dançante e mais teatral, já que é um momento de autodescoberta da protagonista. Exige uma interpretação muito intensa, o que Osipova sabe fazer com maestria.

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Natalia Osipova interpreta a filha perdida da realeza russa (Foto: Reprodução)

Antes do ensaio seguinte, o Royal mostrou um pouquinho do programa social da companhia, Chance to Dance, que recebe meninas e meninos que não têm condição de pagar por aulas de dança na Royal Ballet School. É uma ação de integração social que acaba levando o ballet a lares que normalmente não conheceriam a dança clássica, o que acaba trazendo um público diferente para o Covent Garden e o Opera House. Pra gente, que fala sempre que pode sobre os benefícios da inclusão na dança, ver isso é um deleite!

Marianela Núñez, que no ano passado acabou não participando do World Ballet Day, apareceu em ensaio de La Fille Mal Gardée com Vadim Muntagirov, bailarino revelado pelo English National Ballet que já chegou como principal no Royal. E dá para ver por quê: mesmo muito jovem – ele tem 26 anos – ele tem a serenidade dos bailarinos mais experientes, linhas incríveis e altura. Não são muitos que podem dançar de igual para igual com Marianela (tanto tecnicamente quanto fisicamente!) e ele tira de letra.

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Vadim Muntagirov e Marianela Núñez ensaiam La Fille Mal Gardée (Foto: Reprodução)

O meu repertório preferido, A Bela Adormecida, teve ensaio! E foi com dois bailarinos novinhos em folha, recém-saídos do Royal Ballet School. Formado em 2013,  Matthew Ball ensaiava seu primeiro trabalho como solista no World Ballet Day do ano passado, e Yasmine Naghdi, primeira-solista da companhia, formou na escola do Royal em 2010. Além do mais, ver Darcey Bussell acompanhando os dois novinhos e dando dicas primordiais é incrível!

Eis o vídeo completo:

Quer ver nossa resenha do ano passado? Clica aqui!

Mais fotos? Veja nossa galeria:

 

World Ballet Day 2016 – Australian Ballet

Tradicionalmente responsável por abrir o World Ballet Day (quer rever a participação deles em 2015? Clica aqui!), o Australian Ballet também tem um dos ambientes e das aulas mais ‘gostosas’ de assistir e fazer. Toda vez que a gente senta para ver e rever os primeiros momentos da companhia, Felipe sai inspirado e sempre coloca alguns passos nas aulas livres. Eu, claro, saio ganhando!

Uma das coisas mais bacanas do Australian Ballet também, na minha opinião, é que essa é uma companhia que adora inovar. Nesse ano, mesmo, teve montagem do Wayne McGregor (coreógrafo do Royal Ballet), ao vivo no próprio World Ballet Day. Uma das montagens mais legais deles são dos clássicos, como Cinderella de Alexei Ratmansky e O Lago dos Cisnes de Graeme Murphy. (Se quiser procurar para baixar tem no nosso blog parceiro, Vídeos de Ballet Clássico!)

Nesse ano não foi diferente: a aula do professor e maître de ballet Tristan Message é bem funcional e simples: desde a barra até os passos nos centros os passos são de baixa complexidade e o objetivo maior é trabalhar ao máximo as extensões, fondues, pliés, o equilíbrio… Essa primeira aula é para aquecer o corpo para os ensaios, então o ideal é que o bailarino termine a aula pronto para ensaiar, e não exausto!

Outra coisa importante: os bailarinos estão voltando de um período de folga! Muitos deles preferem ‘economizar’ nas pernas altas, giros, etc, justamente para não lesionar. O próprio Tristan comenta isso no primeiro passo do centro, quando diz que a pirueta é facultativa. Acho válido que mais professores se inspirem, viu, Felipe? 😀

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Amy Harris ensaiando Nijinsky, que estreia na semana que vem na Austrália!

 

Dos ensaios – nesse dia foram o pas de quatre de O Lago dos Cisnes, Spartacus, O Corsário, Coppélia e Nijinsky, o que achei mais legal de assistir foi Nijinsky, com coreografia de John Neumeier e música de Rismky Korsakov. A história desse ballet é do próprio bailarino e coreógrafo, e tem algumas referências de obras dele, como A Tarde do Fauno, embebidas na coreografia, o que é uma delícia de ver! Não é um ballet extremamente clássico, mas tem passos tradicionais e a bailarina (no ensaio, a maravilhosa Amy Harris, minha bailarina preferida do Australian Ballet) estava de ponta. Fiquei muito interessada em conhecer esse repertório!

Quer assistir à participação completa do Australian Ballet – e  das companhias convidadas Hong Kong Ballet, West Australian Ballet e Queensland Ballet ? Veja aqui! O link expira em novembro de 2016.

 

 

Alguns dos meus momentos preferidos:

 

National Ballet of Canada – World Ballet Day

Ensaios de The Winter's Tales
Ensaios de The Winter’s Tales

Fazemos as nossas malas juntamente com os dançarinos de plantão e acompanhamos em um pouco mais de quatro horas de transmissão (que com certeza valem super a pena!) a rotina da companhia, alternando entre aula e ensaios, diretamente de uma turnê na cidade de Montreal, no Canadá. Vamos conferir o que teve de melhor, e para nos mostrar tudo, tivemos como anfitriões a Heather Ogden e Guillaume Côté, primeiros bailarinos do National Ballet of Canada.

Sobre a aula

Rex Harrington, antes de começar a aula, explica como é importante que todos estejam juntos em sala, próximos uns aos outros, não importa que nível a pessoa é dentro da companhia (solista, corpo de baile, primeiro bailarino). Além disso, é o momento que prepara o bailarino para o restante de sua rotina de ensaios. Na barra, vemos que a maioria dos integrantes começa com bastante roupa, como casacos, jauqetas, botas térmicas, polainas, roupas em lã e calças, tudo isso com intuito de aquecer as articulações e melhor prepará-los para o centro e os ensaios posteriores, já que a sala é bastante fria no início da aula. Claro que a medida que vão se aquecendo, vão também se desfazendo das roupas mais pesadas. O centro segue normalmente, em meio a uma brincadeira e outra que Rex faz com os bailarinos, o que ajuda a descontrair. O centro mostra o que há de melhor desses bailarinos, com direito a alguns esquecimentos ora ou outra (acontece!).

Sobre os ensaios

Assim que a aula termina, os bailarinos já começam a passar os trechos de suas coreografias, pois é o único tempo antes do ensaio onde poderão fazê-lo, geralmente focando nas partes mais difíceis ou imprecisas que precisam trabalhar (quem nunca?). A bailarina principal da companhia Greta Hodgkinson responde a perguntas enviadas pela audiência durante os intervalos.

Primeiramente acompanhamos os ensaios de “The Winter’s Tales”, nos quais vemos dois dos solos que compõem a obra. A interpretação e domínio do eixo são as palavras-chave das bailarinas que ensaiam. Há a todo momento uma troca entre bailarina e o mestre que as ensaia, Lindsay Fisher, processo que não deixa de ser interessante para quem acompanha.

Kathryn Hosier, fala sobre ter o papel principal no ballet “Spectre de la Rose”, da maneira como adentrar esse trabalho foi emocionante e ao mesmo tempo um território até então desconhecido para ela. Ela conta que assistiu ao vídeo assim que chegou em casa, e ficou chocada no quão único aquele trabalho era, nada comparado ao que já tinha visto antes, até mesmo intimidando-a pela força que o trabalho tem. Conta que estudou o vídeo por duas semanas antes de começar a ensaiar, sempre assistindo de novo, de novo e de novo, seria uma chance única de provar a si mesma. Ela conta que quando está no palco sozinha, ela olha para o teatro e pensa: “Oh meu Deus, eu sou a única pessoa no palco agora?” e finaliza dizendo que essa é a melhor sensação no mundo.

Tivemos pouco tempo para acompanhar os últimos dois trabalhos da companhia, ambos os ensaios já com figurino. O primeiro “Le Spectre de la Rose” (O espectro da rosa), conta com movimentações incrivelmente precisas dos bailarinos, que, minha nossa (!), fazem tudo muito bem, e fica difícil de nossos olhos acompanharem e os braços tentarem reproduzirem os movimentos. O segundo, “Chroma”, mostrou mais a passagem das sequências dos bailarinos com cenário e luz. Muito pouco vimos sobre o figurino e a passagem com música dessa obra de aspecto moderno coreografada por Wayne McGregor, entretanto, o pouco que vimos já nos deixou com vontade de querer ver mais com certeza. Uma curiosidade: o National Ballet of Canada foi a primeira companhia além do Royal Ballet a interpretar essa obra.

Outras companhias

Além da própria companhia da qual falamos, tivemos a presença ilustre de outras durante a transmissão, seja assistindo trechos de seus trabalhos, seus ensaios, aulas e dia a dia por dentro das mesmas.

Les Ballet Jazz de Montreal é uma companhia contemporânea fundada em 1972. Na sua apresentação, pudemos assistir trechos de trabalhos seus, como “Kosmos”, “Closer”, “Harry” e “Rouge” (esta última coreografada pelo brasileiro Rodrigo Pederneiras, coreografo do Grupo Corpo).

Boston Ballet abriu suas portas para nos mostrar os ensaios do espetáculo Third Symphony of Gustav Mahler, uma obra forte e expressiva, coreografada por John Neumeier. Assistimos também um trecho da variação e coda da Fada Açucarada do clássico ballet “Quebra-Nozes” e por último, vemos os ensaios de Pas de Quatre, onde quatro bailarinas apresentam suas variações e apresentam o que há de mais difícil (impossível tavlez? rs) em pontas.

Por ultimo, e muito importante por sinal, adentramos o universo do American Ballet Teather, que esse ano completa 75 anos de existência, se consagrando como uma das melhores do mundo. A companhia conta com nomes importantes, como Misty Copeland, Daniil Simkin e, não poderia deixar de falar dele, o brasileiro Marcelo Gomes :-), que além de ser primeiro bailarino, atualmente também coreografa para a companhia.

Para ver aula e ensaios completos, clique aqui.

Quer mais? Leia nossas resenhas do Australian BalletBolshoi, Royal, e San Francisco!

Royal Ballet – World Ballet Day

Aula de aquecimento do Royal Ballet
Aula de aquecimento do Royal Ballet

A aula é, confesso, minha parte preferida do World Ballet Day. Gosto mais do que os ensaios, que são mágicos porque a gente consegue ver o passo a passo da obra prima, de como os bailarinos e a coreografia são polidos até chegarem ao que nós vemos no palco. Mas a aula tem um gostinho ainda mais especial: é quando vemos os dançarinos desprovidos de qualquer vaidade. Estão lá, na barra nossa de cada dia, com as sapatilhas gastas, aquela meia meio rasgada, enfim… Gente como a gente.

Por isso que é tão bom de assistir: dá para ver por quê esses são bailarinos profissionais. Mas é bom ver que eles, também, erram, têm seus artifícios e folgam o joelho quando fazem tendue devant – me senti representada!* No mais, é sempre muito legal ver brasileiros dançando. Nessa aula eu vi uma, Letícia Stock**, primeira artista da companhia (esse status é uma posição acima do corpo de baile). Além de Letícia, temos Mayara Magri, também primeira artista, e Roberta Marquez e Thiago Soares como principais da companhia.

O Royal convidou mais quatro companhias do Reino Unido para a transmissão: o Northern, Birmingham Royal, English National e o Scottish. O Birmingham Royal – parceiro e convidado do World Ballet Day – fez um vídeo explicando como funciona a técnica do pas de deux. Nele, os bailarinos Jade Heusen e Brandon Lawrence mostram o por quê das coisas e o que acontece quando fazem de outro jeito. Quem já fez aulas de partening vai se identificar com algumas ‘trapalhadas’ que os bailarinos simulam – tenho muitas lembranças de piruetas mal-sucedidas. E também vale a pena para quem não dança! A partir desse vídeo dá para ver o quanto certas posições são difíceis e desconfortáveis – especialmente para os homens.

O English National teve uma iniciativa muito legal de oferecer oficinas de dança e expressividade para idosos que sofrem com Mal de Parkinson. A melhor parte é que as aulas acontecem no estúdio da companhia, ou seja, no mesmo ambiente dos profissionais. Numa entrevista bem rapidinha, Tamara Rojo – diretora artística e principal da companhia – fala da importância de apostar em trabalhos novos e equilibrá-los com os repertórios tradicionais. Pessoalmente, compartilho do ponto de vista dela, pois acho que muitas companhias ‘estacionaram’ nas montagens mais clássicas e deixam de aproveitar o talento menos convencional de novos profissionais.

Ensaios

Os pas de deux Raven Girl, The Two Pigeons, várias cenas de Romeu e Julieta e a Valsa das Flores, de O Quebra Nozes, foram os repertórios do Royal para o dia. Além disso, várias outras coreografias foram passadas. Não vou falar sobre todos, apenas os menos conhecidos. Raven Girl foi conduzido pelo coreógrafo Wayne McGregor, e contou com a solista Beatriz Stix-Brunelle o primeiro solista Ryoichi Hirano nos papéis principais. Essa é a primeira vez que a dupla dança esse ballet, montado originalmente em 2013. Quer saber mais sobre a história? A gente conta! Já The Two Pigeons, coreografia de Frederick Ashton é muito fofa – e engraçada. É tecnicamente difícil, mas não deixo de rir com os passos. Quem deu as diretrizes foi Christopher Carr, maître de ballet convidado, e os bailarinos são os primeiros solistas Yuhui Choe – uma das minhas dançarinas preferidas do Royal – e Alexander Campbell.

Uma coreografia apresentada, Czardas, vale a pena conhecer. Quem dança é o próprio coreógrafo, o novo queridinho da Royal Steven Mc Rae. O ruivo sem dúvidas está vivendo sua melhor fase: nos últimos dois anos ele se consolidou como principal e tem participado de todas as montagens originais da companhia. Nesse repertório ele mostra seu lado mais versátil, combinando clássico com sapateado (sou fã). Para fechar, Romeu e Julieta, um dos ballets mais queridos do público, recebeu menção honrosa: teve um vídeo de pré-produção da temporada com direito a backstage, entrevista com os coreógrafos e bailarinos e visitas ao camarim. Enfim, é muita coisa… Tudo isso para dizer que vale a pena tirar umas horinhas do seu dia para ver o vídeo todo!

*Veja aqui que eu não estou mentindo!

**Letícia está usando um leotard cinza e saia florida. Ela está no segundo grupo de centro, na fila da frente à esquerda.

Para ver aula e ensaios completos, clique aqui.

Quer mais? Leia nossas resenhas sobre o Australian Ballet, Bolshoi, National Ballet of Canada e San Francisco!

Australian Ballet – World Ballet Day

Ensaio do pas de quatre do Lago Dos Cisnes, versão de Graeme Murphy
Ensaio do pas de quatre do Lago Dos Cisnes, versão de Graeme Murphy

Quem abriu os trabalhos do World Ballet Day, mais uma vez, foi o Australian Ballet, que sai na frente por começar o dia mais cedo – literalmente! A aula matinal da companhia foi ministrada pelo maître e repetiteur (profissional responsável por remontar e adaptar os repertórios) Steven Heathcote, que já foi bailarino da casa. Uma coisa que deu pra perceber é que Heathcote gosta muito de um centro prático, que prioriza a limpeza dos movimentos. Já na barra foram três sequências de tendues, no centro exercícios de equilíbrio, com fondue,s transferência de peso e muitas piruetas. Eu sairia arrasada dessa aula.

Logo depois, os apresentadores conversaram com a bailarina Lisa Craig, que além de dançar pela companhia, é blogueira pela Bloch – e você vai saber por quê. Ela falou sobre o que é, para ela, importante numa sapatilha de ponta para que ela fique o mais próximo da perfeição. Ajuda que os bailarinos do Australian recebem sapatilhas da Bloch – uma das marcas mais bem avaliadas do mercado – que são customizadas para atender as necessidades específicas de cada dançarino. Chato, né? Quanto às dicas de Lisa, uma boa ideia é costurar em volta da ponta para ajudar no equilíbrio e, de quebra, reduzir o barulho. Se a sapatilha estiver um pouco folgada, fazendo uma dobra, ela recomenda cortar as laterais e ajustar na agulha.

Uma coisa que me chamou a atenção no Australian é que a companhia está – com o perdão do jargão esportivo – apostando na base. A escola de dança da companhia está passando por ampliações para acomodar mais 37 estudantes de diversos países, como Nova Zelândia, Japão e Estados Unidos, além da própria Austrália. Quem falou isso foi a diretora da escola, Lisa Pavane, enquanto os alunos graduandos se ensaiavam um Extro, um repertório contemporâneo do coreógrafo Timothy Harbour. Muito interessante ver bailarinos ainda em processo de formação já inteirados com o que há de novo no mercado.

Ensaios

O ensaio principal do Australian foi Cinderella – que, confesso, não está entre meus preferidos. Mas a coreografia que eu mais gostei foi, na verdade, uma adaptação. Achei sensacional a montagem de O Lago dos Cisnes de Graeme Murphy, em especial do famoso pas de quatre dos pequenos cisnes (aquele das bailarinas com os braços dados). Essa parte continua igual, mas toda a logística de movimento mudou. Ficou bem diferente, bem divertido de ver, e bem dinâmico. Dançar deve ser muito cansativo! Outra montagem interessante desse repertório eu assisti pelo English National Ballet. Leia mais aqui!

Mas claro que teve coisa boa em Cinderella. Para começar, essa também é uma adaptação: a coreografia é assinada por Alexei Ratmansky. Aqui, a mãe e as madrastas – que em muitas montagens vezes são personagens puramente cômicos e decorativos – são representadas por Amy Harris, Elisa Fryer e Ingrid Gow. E, além das mis-en-scénes, que são só atuação, elas dançam sequências tecnicamente difíceis. Ficaram como uma espécie de solistas, mas sem perder o lado engraçado e malvado. Uma das irmãs é magricela, e a outra é burra – e o solo dela retrata bem essa ‘característica’. E foi depois desse solo que eu vi Eloyse levar uma das ‘puxadas de orelha’ mais inusitadas do maître Tristan Message: “Excelentes giros. Muito bons, mesmo. Provavalmente bons demais pra gente burra”. Melhor ‘correção’ que eu já vi!

Para ver aula e ensaios completos, clique aqui.

Quer mais? Veja nossas resenhas sobre o Bolshoi, Royal Ballet, National Ballet of Canada e San Francisco!

Bolshoi – World Ballet Day

Extensão é a palavra chave na aula do Bolshoi
Extensão é a palavra-chave na aula do Bolshoi

O Bolshoi é uma das companhias de dança mais tradicionais do mundo, e uma das mais exclusivas também. Por isso que sua participação no World Ballet Day – ou qualquer streaming – é aguardado com bastante ansiedade. Por mim, pelo menos. Nessa edição, quem nos leva às salas de aula e nos diz tudo sobre o teatro, a academia e os bailarinos é Katerina Novikova, relações-públicas do Bolshoi. Como não há legendas, ela fala em russo e em inglês – o sotaque é forte, mas dá para entender!

Tudo bem que a gente perde bastante coisa não sabendo o que o professor Boris Borisovich fala com os alunos. Tirando dos nomes dos passos, não dá para entender nada. Mas dá para perceber que, nesta aula, as extensões são muito trabalhadas. E isso diz muito sobre o estilo russo de dançar, que valoriza bastante as linhas e os braços dos bailarinos. Outra coisa que dá para observar é o rigor físico: todas as mulheres são extremamente magras e a maioria é alta. Os dançarinos também forçam o en dehors ao máximo, ultrapassando a linha dos 180º da primeira posição. Muitos professores e fisioterapeutas são contra, dizendo que isso faz mal para os ligamentos e para o joelho. Mas, em se tratando do Bolshoi… é tradição.

Também rola um contorcionismo agudo durante a aula, especialmente durante adagios. As pernas sobem até você achar que a pessoa vai se rasgar no meio, daí sobe mais um pouquinho, sustenta e só depois desce. (Acho desnecessário! 😛 ) Diferentemente das outras companhias, o Bolshoi mostrou mais aulas durante a transmissão, o que reforçou a ideia de realmente ‘passarmos o dia’ lá.

Ensaios

O primeiro repertório que vemos é um assinado por Alexei Ratmanski, um dos principais coreógrafos de ballet clássico nos dias de hoje. O nome da peça não foi mencionado no vídeo, mas dei uma pesquisada e acho se tratar de Jardi tankat, uma produção com músicas folks espanholas. A musicalidade é beeeem difícil, e os passos são muito fluidos, sem aquele rigor do clássico tradicional que estamos acostumados. Particularmente não sou muito fã de ballets com música cantada, mas essa coreografia certamente chama atenção.

Para mim, a melhor parte foi a passagem de O Lago dos Cisnes no palco. Apenas amo aquelas cena clichês, de visão dos bastidores, entra e sai de bailarinos no palco, a música da orquestra… Me julguem! É uma passagem mais de espaço, por isso não existem aquelas correções de interpretação, tempo, colocação de pernas e braços, etc. É um ensaio muito mais ágil, mas igualmente importante – e lindo!

Mas o Bolshoi mostrou que também está apostando em produções contemporâneas. Radu Poklitaru, que coreografou Hamlet para a companhia, falou que, nessa obra, atuar é tão importante quanto dançar. E, por isso, escolheu para a peça bailarinos que tivessem uma carga dramatúrgica maior. Para se ter uma ideia, o Hamlet original, Denis Savin, foi escolhido porque emocionou como Romeu. E como é tudo Shakespeare, né… Tá em casa! Poklitaru falou que o processo  dele é diferente dos colegas que chegam para o ensaio com tudo já preparado. “Eu só crio em sala. Ouço a música, olho os bailarinos no olho e dentro de mim mesmo, ouço a música como se fosse a primeira vez e aí arrisco uns movimentos meio estranhos, que depois se transforma na estrutura do ballet”.

Os depoimentos dos professores e maîtres do Bolshoi são, realmente, inigualáveis. Muitos viram de perto verdadeiras lendas do ballet russo dançarem nos anos 1940 e 1950, quando o Bolshoi e o Mariinsky não tinham competição. No finalzinho, temos um vídeo com uma compilação de ensaios e apresentações – e podemos ver, ainda que de relance, grandes estrelas da companhia, como Svetlana Zakharova, Evgenia Obrastova e Maria Kotchetkova, que hoje está no San Francisco 🙂

Para ver a aula e ensaios completos, clique aqui.

Quer mais? Leia nossas resenhas do Australian Ballet, Royal, National Ballet of Canada e San Francisco!

San Francisco Ballet – World Ballet Day

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Bailarinos em aula

Músicas ao piano, sala ampla, clara e cheia de bailarinos, talvez uma das salas mais cheias desse World Ballet Day 2015. Tivemos a honra de acompanhar a aula e ensaios em tempo real do San Francisco Ballet no dia 1º de outubro, quando outras quatro companhias abriram suas portas e deixaram os fãs da dança um pouco mais perto da rotina de seus ballets preferidos. Vamos então a um pouco sobre como foi esse dia para a companhia.

Sobre a aula:

A aula foi ministrada por Felipe Diaz, mestre de ballet da companhia desde 2013. Ele já foi solista do San Francisco Ballet, English National Ballet e Dutch National Ballet. Já de início começamos a acompanhar a aula através das piruetas no centro (não tivemos a transmissão ou vídeo posterior da barra, infelizmente!). Podemos ver que a maioria das bailarinas estão de ponta, já com intuito de aquecimento para seus ensaio pós-aula e aperfeiçoar a técnica de pontas (balances, posés, piruetas, etc.)

É possível perceber que os passos são até sequências simples, mesmo que no nível avançado, mas nada de impossível. A companhia capricha em limpeza técnica, amplitude de movimento, mais giros e mais equilíbrio. Ela consiste basicamente na manutenção da técnica que o bailarino já possui, com algumas correções de tempo, estilo ou exigência física do próprio mestre.

Helgi Tomasson, diretor artístico e principal coreógrafo da companhia, conta que o San Fran é constituído não só de bailarinos americanos, mas também de diferentes nações como Japão, China, Austrália, Cuba, Brasil :-), Argentina, dentre outros mais, possibilitando um intercâmbio cultural entre os bailarinos. Vale ressaltar que um dos primeiros bailarinos é brasileiro: Vitor Luiz.

Sobre os ensaios:

Tivemos início com o tradicional ballet “Giselle”, com música composta por Adolphe Adam e adaptação da coreografia original de Petipa pelo próprio Helgi Tomasson. Temos aí o segundo ato desse ballet, com uma atmosfera mais austera, o oposto do primeiro ato, que é bastante alegre. O corpo de baile, apesar de aparecer bem pouco nesse ensaio, se mostrou muito sincronizado com braços e respiração iguais. Sou um grande suspeito para falar pois AMOOO esse ballet e sou particularmente apaixonado pelo segundo ato, que sempre me emociona. Futuramente terei a oportunidade de comentar mais sobre meu amor incurável por essa obra!!

O ensaio de “The Fifth Season” apresenta nuances interessantes entre as duas partes apresentadas: a primeira mais leve e romântica e a segunda um tango mais forte e preciso com quatro bailarinos. Destaque para a Mathilde Froustey, ex-solista do Ópera de Paris e destaque como atual primeira bailarina da companhia. “Rush” possui um quase total destaque para a bailarina, enquanto seu partner serve mais como seu suporte, valorizando-a muito bem. Durante os intervalos dos ensaios, os bailarinos vão respondendo a perguntas encaminhadas pela audiência, como “quando o bailarino foi levado a ver o ballet como algo sério” e “as lições mais importantes que aprenderam em suas carreiras”.

“Theme and Variations” é uma coreografia precisa de um jeito que somente Balanchine poderia ter criado. Ao som da música de Tchaikovsky, os bailarinos, em muita harmonia, excutam as sequências desse ballet. Talvez a principal característica dos enredos de Balanchine seja a grande participação do corpo de baile na obra como um todo. Esse é o aspecto que eu mais gosto dos ballets criados por ele.

O coreógrafo Liam Scarlett foi destaque nessa transmissão, apresentando dois de seus trabalhos. Primeiro vimos “Hummingbird”, em tradução literal “beija-flor”, um pas de deux tecnicamente mais difícil e ainda sim belo de se ver com bailarinos em quase perfeita harmonia. Depois ainda acompanhamos “Fearful Symmetries” (este que irá para a temporada 2016 da companhia), uma obra mais contemporânea e de ritmo complexo, exigindo bastante dos bailarinos que a executam. Liam ainda falou um pouco sobre seu novo trabalho, “Frankstein”, feito em conjunto com o San Francisco Ballet e o Royal Ballet. Esperaremos ansiosos por noticias desses novos trabalhos.

Ao final da transmissão, pudemos acompanhar  ainda um pouco da rotina do Houston Ballet, com ensaios, aulas da companhia e da escola do ballet. Em seguida acompanhamos a parte do centro do Pacific Nortwest Ballet, com direito a algumas legendas em inglês com curiosidades e informações sobre a companhia e seus membros.

Para ver a aula e ensaios completos, clique aqui.

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