Por quê amamos o cover de “Love In The Dark” do Leroy Sanchez

 

 

Alerta de clip incrível!

Se você gosta de “Love in the Dark”, de Adele, dê uma olhadinha nesse cover de Leroy Sanchez, com coreografia de Kyle Hanagami.

Tem mais vídeos na mesma pegada, que são um deleite para quem gosta de dança!

Gostamos mais desse porque, além da movimentação intensa dos bailarinos e do jogo de câmera, ainda tem de brinde os efeitos de luz que fizeram toda a diferença.

A gente adora um clip de dança e espera de coração que mais artistas resolvam apostar nesse combinado que dá super certo!

Link: https://m.youtube.com/watch?time_continue=17&v=aeijJf-zjzY

 

Confira a galeria! Obs: as imagens são reprodução do clip.

 

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World Ballet Day 2017: Bolshoi

Na melhor pegada ‘os últimos serão os primeiros’ ao contrário (já que o Bolshoi foi a segunda companhia a aparecer no World Ballet Day, como sempre), voltamos à  resenha conjunta com nossa representante russa!

Em tempo: não conseguimos publicar logo a resenha porque o Bolshoi demora um pouquinho mais do que as outras companhias para lançar o vídeo da transmissão.

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Um dia normal na escola do Bolshoi (Fotos: Reprodução)

Assim como aconteceu no ano passado, a transmissão do Bolshoi começou com a escola. Na primeira hora passeamos por salas de turmas de meninos e meninas e vemos um pouquinho do treinamento intensivo ao qual eles são submetidos. Alguns exercícios dão medo!

Mas dá para ver como eles são orgulhosos com a metodologia Bolshoi. Principalmente mais à frente, quando percebemos que, na companhia, temos bailarinos que se formaram pela Vaganova, escola do Mariinsky (ou Kirov) de São Petersburgo. Tem uma rivalidade saudável e deliciosa de assistir!

Em seguida, acompanhamos uma aula com os profissionais da companhia, recheada de bailarinos principais. Consegui ver Ekaterina Shipulina, a diva Maria Alexandrova, acho que a com collant preto de mangas é Olga Smirnova, mas não tenho certeza… E, claro, a maravilhosa Evgenia Obraztsova, primeiríssima bailarina e queridinha do blog!

Dos meninos temos Denis Rodkin (o garanhão all-star do Bolshoi) e Vladislav Vantratov que eu consegui reconhecer.

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O professor mais figura que você respeita!

A aula é a mesma do ano passado, com o professor Boris Akimov, que é uma FIGURA! Ele continua fazendo os passos junto com os bailarinos, puxando a perna nos adagios. Até as roupas dele são as mesmas! Tradição é um negócio levado realmente muito a sério no Bolshoi…

Não sei se é impressão minha, mas achei que nesse ano os bailarinos estão menos ‘sisudos’ e mais à vontade, conversando entre eles e até rindo enquanto esperavam para executar os passos.

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Penchée e alongamento!

Aqui, a extensão continua sendo a principal atração da aula, tanto na barra como no centro. E verdade seja dita, ver um adagio bem executado de uma bailarina (ou bailarino) russo é algo diferente de se ver. Uma coisa que eu notei é que ninguém colocou as pontas no centro – algo que a gente sempre vê em outras companhias – o que mostra que essa aula era mesmo só para aquecer os dançarinos.

De lá seguimos para os ensaios, e vamos direto para a passagem de palco de Etudes, de Harold Lander (ballet que eu amo, aliás!). Se a aula de Boris foi super descontraída, nesse ensaio, pelo menos na parte masculina, conduzido por Makhar Vaziev… Eu fiquei com medo do cara. Ele é o típico maître de ballet carrancudo, que critica tudo e todos (ainda que com motivo, achei que foi mais para diminuir os bailarinos e aparecer do que para ser eficiente).

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Medo. Desse. Homem.

Com a parte feminina é menos tenso (curioso, aliás, já que corpo de baile é sempre um parto pra ensaiar hehe). Mas uma coisa chamou minha atenção: o número de bailarinas magras DEMAIS. Do tipo que não pode ser saudável. Não acho que esse tipo de físico deva ser estimulado dentro das companhias.

Outro ponto alto é o ensaio de Jewels, de Balanchine (mesmo ballet que apresentaram na temporada passada, aliás)! E que deleite assistir aos solos de Esmeralda. Sim, minha parte preferida e que, um dia, ainda vou dançar!

Claro que tem muito mais coisa pra ver, mas acho que o principal (ou pelo menos o que mais me cativou!) está aqui. Se achar que ficou faltando alguma coisa, fala pra gente!

Para ver o vídeo do Bolshoi é necessário fazer um cadastro  no site oficial da companhia, que você faz aqui  (eles inclusive mantiveram a transmissão do ano passado)!

Mais fotos na galeria:

Veja nossa cobertura do World Ballet Day 2017:

Australian Ballet

Royal Ballet Parte 1

Royal Ballet Parte 2

National Ballet of Canada

 

Nossos arquivos:

World Ballet Day 2016

World Ballet Day 2015

World Ballet Day 2017: Royal Ballet parte 1

Assim como aconteceu no ano passado, não conseguimos respeitar a ordem cronológica do #WorldBalletDay nas nossas postagens porque o Bolshoi demora um pouquinho mais que as outras companhias para disponibilizar o vídeo da transmissão em seu site oficial. Mas assim que isso acontecer vamos resenhar essa que é uma das maiores fábricas de talento do mundo da dança!

Vamos então ao Royal Ballet, uma companhia que já se firmou entre as melhores do mundo e que passa, nos últimos anos, por uma reformulação no quadro de bailarinos solistas e principais.

Royal Ballet
Alexander Campbell, da sala de aula para a TV! (Fotos do YouTube)

Uma coisa que achei bem legal foi, neste ano, chamar o principal Alexander Campbell – além da principal character Kristen McNally (que já tinha participado no ano passado) – para ajudar na apresentação.

Um insight: Na transmissão de 2015, Campbell ensaiou com Yuhui Choe o pas de deux Two Pigeons. E já acompanhamos um ensaio de Kristen aqui, em que ela aprendia com Monica Mason a se tornar a Carabosse d’A Bela Adormecida.

Juntos, os dois conseguem trazer a perspectiva dos bailarinos em atividade para as filmagens. Ponto para o ballet da rainha!

A aula da professora convidada Olga Evreinoff é daquelas bem gostosinhas de fazer: super simples, pra gente ir amaciando e aquecendo a musculatura e ir forçando aos poucos. Na barra, muitos tendues com velocidade crescente para ‘ligar’ os tendões e treinar bastante a passagem do pé no chão na hora das fechadas em quinta.

Royal Ballet
Muitos tendues na barra! (Foto: Reprodução/ YouTube)

A sequência era sempre bem facilzinha de gravar. Algo que achei bem legal foi ela sugerir fazer rises na meia ponta após o grand battement, aproveitando que a musculatura já estava super aquecida, para ajudar os passos no centro. Haja panturrilha!

No centro, alguns velhos conhecidos apareceram para nosso deleite! O ruivíssimo Steven McRae,  Vadim Muntagirov, Sarah Lamb e Laura Morera fecham o time dos principais. Temos ainda presença brasileira na aula, com Leticia Dias (de calça vermelha colorida na barra do centro) e Leticia Stock (de collant rosa).

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Marianela sentida por não participar ao vivo da transmissão neste ano

Dessa vez não tivemos a participação ao vivo Marianela Núñez, que estava em apresentação especial no Teatro Colón, na Argentina – sua terra natal. Para sua presença não passar em branco, a diva gravou um videozinho para os fãs. Achamos fofo!

Nessa primeira parte temos também alguns ensaios. O primeiro deles é The Dreamers Ever Leave You, com Alexander Campbell deixando o microfone de lado para ensaiar com as novas principais (e duas das principais estrelas em ascensão do Royal) Francesca Hayward, e Yasmine Naghdi, e também com o principal Ryoichi Hirano. Quem conduziu foi o assistente de coreografia Johannes Stepanek.

Ensaio Dreamers
Alexander Campbell volta à sala de aula com Francesca Hayward

Depois de uma breve e deliciosa participação do English National Ballet (como não amar uma companhia que reúne Tamara Rojo como principal E diretora artística, Alina Cojocaru e Cesar Corrales?), voltamos ao Covent Garden com ensaios de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, um dos repertórios mais criativos e lúdicos da companhia nos últimos anos.

A primeira parte do Royal encerra com a participação especial do Scottish Ballet e do Royal Ballet School!

Veja a primeira parte da transmissão aqui:

 

Mais fotos na galeria:

 

Veja mais da nossa cobertura do World Ballet Day 2017:

Australian Ballet

Nosso acervo:

World Ballet Day 2016

World Ballet Day 2015

World Ballet Day 2017: Australian Ballet

Eis que começamos mais um World Ballet Day com essa companhia que esbanja bom humor, animação e felicidade logo cedo  – tudo bem que a aula é à tarde, mas, mesmo assim, confesso que invejo a alegria dessa galera do Australian Ballet, inclusive acho válido programar uma viagem para Melbourne e ver o que tem nessa água…

Brincadeirinhas à parte, já falei aqui que o Australian (primeira das cinco companhias que completam a grande de programação do World Ballet Day) se tornou uma das minhas companhias preferidas nos últimos anos especialmente por causa da diversidade no corpo de baile e solistas e por incorporar trabalhos modernos e autorais aos clássicos. Recomendo assistir à releitura de O Lago Dos Cisnes, disponível no blog parceiro Vídeos De Ballet Clássico!

E neste ano a companhia só fez reforçar esse meu sentimento de admiração. Já na aula podemos ver como os bailarinos se dão bem entre eles e a professora, Elizabeth Toohey (acho isso tão, mas tão legal, especialmente porque podemos ver em outros ballets que essa interação não acontece).

Australian Ballet em aula
Sala cheia na primeira aula da transmissão! (Foto: Reprodução / YouTube)

Mais uma vez, os passos da barra são bem simples e funcionais, especialmente se comparados aos de outras companhias (alô, Bolshoi!), e dá para ver que é tudo programado para ‘acordar’ o corpo e prepará-lo para o centro. Lá o nível sobe visivelmente, mas ainda assim a ideia é não cansar tanto os bailarinos por conta dos ensaios. Dos que eu conheço consegui reconhecer as principais Lana Jones e Ako Kondo, e Lisa Ann Craig, do corpo de baile!

Mas uma coisa que me chamou muito a atenção foi o cuidado que Toohey tem com a limpeza dos movimentos. Ela sempre cobrava dos bailarinos uma quinta bem fechada, lembrava de sustentar as pernas en dehors – e especialmente na perna de base – e uma dica excelente que ela deu para fazer piqués durante o centro prático foi de usar o quadril, e não os pés – pois isso ‘pesa’ o passo e ‘puxa’ a perna de base para fora da sustentação. Intrigante!

Vamos aos ensaios? Aliás, que ensaios! Teve Suite en Blanc, de Serge Lifar (que já apareceu por aqui antes!) com Ako Kondo, a artista senior Dimity Azoury e corpo de baile, conduzido por Fiona Tonkin. Pessoalmente adoro a organização do corpo de baile nesse repertório e as coreografias dos solistas são especialmente desafiadoras.

Lana Jones
Lana Jones e o solo do Grand Pas Classique (Foto: Reprodução/ YouTube)

Logo depois teve um queridinho meu: Grand Pas Classique, com Lana Jones e o coryphé Brodie James. Essa é a primeira grande participação dele num ballet, pelo que entendi da entrevista, e, apesar de meio nervoso, deu pra ver que o garoto tem talento. E altura, benza deus! Sobre Lana, desde que a vi em A Bela Adormecida fiquei encantada pela graciosidade e pelo equilíbrio dela, por isso não fiquei  surpresa em vê-la tão bem nesse repertório.

Que. Controle. Minha. Gente. Palmas para ela mesmo, fica devendo em nada a Sylvie Guillem ou Elizabeth Platel, musas de Nureyev que são bailarinas icônicas desse repertório. Poucas vezes eu vi uma bailarina fazer posé pirouette na velocidade que ela fez e mantendo o passé bem retinho, na altura do joelho. Ganhou meu respeito!

Em seguida, ensaio de Cinderella, um ballet que estou aprendendo a gostar! No repertório, mais uma vez Dimity, desta vez como a protagonista, e super graciosa com o tutu romântico.

Mais fotos na galeria!

Ainda tem MUITA coisa para ver, a transmissão completa dura CINCO horas! Se você achou que ficou faltando falar de alguma coisa especial, comenta que a gente atualiza o post!

Segue o link para a transmissão completa (válido até 6 de novembro de 2017):

 

Quer ler nossos especiais do World Ballet Day? Veja abaixo:

World Ballet Day 2016

World Ballet Day 2015

O que você não sabe sobre Darcey Bussell

Darcey Bussell é uma das minhas bailarinas preferidas: poucas dançarinas tiveram ou têm a mesma presença de palco, intensidade e a meticulosidade com os passos, a limpeza dos movimentos e delicadeza que ela sempre, sempre, sempre apresentou nos palcos. Fora que ela é de uma simpatia contagiante!

Por isso fiquei tão encantada com esse vídeo abaixo, em que Darcey fala sobre sua trajetória no ballet clássico e no Royal Ballet, única companhia em que dançou em toda sua carreira. Ela, que de longe não faz o esteriótipo da bailarina inglesa, conta que precisou insistir muito para que sua mãe deixasse que ela investisse na dança. E que penou para conseguir acompanhar as colegas quando ingressou na academia preparatória. Tá aí uma coisa que eu não consigo imaginar…

Darcey Bussell se aposenta
Darcey em sua última apresentação, dançando Song of the Earth (Foto: Jonathan Lodge)

Ela também fala de como era complicado, na época, para bailarinos e bailarinas conseguirem contratos. Especialmente no Reino Unido, em que o cenário cultural não era como é hoje. Na época existiam apenas duas companhias, ambas braços do que hoje conhecemos como o Royal Ballet. Quantos bailarinos brilhantes ficaram sem trabalhar? Tipo da coisa que faz a gente pensar…

Uma das minhas partes preferidas é quando ela fala sobre Sir Frederick Ashton, responsável por coreografar ballets como Cinderella, Ondine, La Fille Mal Gardée e Sylvia – um dos repertórios que consagrou Darcey – e como ele influenciou sua carreira e sua formação como bailarina profissional desde os primeiros anos.

Além da narração da bailarina, a entrevista tem também fotos e vídeos marcantes da sua carreira. É bem curtinho e vale a pena – se você não entender inglês muito bem, já vale pelas imagens 😉

 

#TutuTuesday colorida

English version? Click here!

Na terça-feira passada, buscando fotos para colocar nas redes sociais para a #TutuTuesday, me deparei com a imagem de uma mini bailarina que, na postagem de sua mãe orgulhosa, perguntava se tinha dançado tão bem quanto Misty Copeland.

Ava ballerina
A pequena Ava após sua primeira apresentação (Foto: Reprodução)

E sim, essa menina, a pequena Ava Elyse Johnson, de seis anos, é negra – que nem Misty Copeland. O que, infelizmente, ainda é algo fora do comum quando se trata de ballet. Talvez por isso a foto tenha me chamado a atenção – uma garotinha negra se espelhando em uma grande bailarina, também negra. E toda a conversa sobre representatividade (que a gente volta e meia fala aqui no blog) voltou a fazer sentido.

Falei com a mãe dela, Chrysanthé, e ela topou me contar um pouquinho de como Ava se apaixonou pela dança, e se os palcos um pouco mais coloridos tiveram alguma influência nisso. Para dar um contexto, Ava e sua família são dos Estados Unidos, moram na Filadélfia e têm laços fortes com a igreja – nos EUA, assim como em algumas igrejas aqui no Brasil, é comum ter oficinas de artes para a comunidade. Muitos talentos são revelados justamente em corais ou grupos de dança.

Misty Copeland como Odette. Foto: Reprodução/ The Guardian
Misty Copeland como Odette. Foto: Reprodução/ The Guardian

“Percebemos desde quando Ava era muito pequena que ela era uma dançarina nata. Ela começou a mostrar potencial para ser bailarina e atleta desde os dois anos de idade. Se você passar mais do que cinco minutos com ela vai vê-la andando e girando na pontinha do pé. Nunca com a sola no chão (risos). Me senti na obrigação de matriculá-la  numa escola de ballet assim que ela chegou à idade mínima”, disse.

A escolha dessa escola de dança foi bastante meticulosa, segundo Chrysanthé. Ela disse que, já que a família passa boa parte do tempo em ambientes em que são minoria, era importante para ela que Ava pudesse se desenvolver artisticamente com crianças que se parecessem com ela. A eleita foi a Philadanco!, uma academia com uma diversidade étnica muito interessante e que também conta com uma companhia. Vale a pena dar uma olhadinha no site!

Claro que a formação dos pais também tem um impacto direto na formação dos filhos, e, no caso de Ava, isso foi bem positivo. Chrysanthé disse que dançou quando mais nova, embora não ballet clássico (ela dançava ritmos Afro-Caribenhos) e comentou que o gene do atletismo corria solto na família. Ou seja, era uma questão de tempo para Ava se interessar por alguma atividade.

Alison Stroming
Alison Stroming (Foto: John F Cooper)

Mas o interesse dos pais na formação artística dos filhos não para aí: é importante você ter modelos para se apresentar aos pequenos. E isso é um pouquinho mais complicado, especialmente quando falamos em representatividade.

A criança quer se identificar com seus ídolos. No ballet, mais especificamente, até pouquíssimo tempo atrás não existiam bailarinos e bailarinas negros nas grandes companhias internacionais. E agora, com uma nova geração de estrelas, como Misty Copeland, Michaela DePrince, Precious Adams,  e, mais recentemente, as brasileiras Ingrid Silva e Alison Stroming, isso está começando a mudar.

“Acho que essas bailarinas estão tornando o caminho mais fácil para nós. Elas estão inspirando jovens bailarinas, como minha filha, a ser quem elas são mesmo quando o mundo tenta negar isso a elas. E elas estão quebrando barreiras de uma forma que fica difícil para elas e tantas outras bailarinas negras passarem desapercebidas pela mídia comercial americana e o mundo do ballet”.

Claro que essa representatividade ainda é muito pequena, que existe racismo nas companhias e que a desproporção entre negros e brancos no ballet ainda é gigantesca. Mas já está rendendo frutos – como Ava, por exemplo. Ainda assim, perguntei a Crysanthé o que podemos fazer para acelerar esse processo.

“Temos que continuar expondo nossos filhos a esses artistas e falando sobre eles na mesa de jantar, consumindo seus produtos, guardar dinheiro para apresentações ao vivo sempre que possível… Não podemos quebrar barreiras se nos limitarmos a fazer o que a sociedade associa com raça e gênero. Somos capazes de muito mais e é importante que nossos filhos vejam isso”.

Dançarinos acrobatas do Quênia chegam ao Brasil pela primeira vez

Curte acrobacia? E acrobacia com dança? Melhor ainda, não? Pois o Quenian Boys (ou Kenyan Boys), grupo africano formado por seis bailarinos acrobáticos, fazem isso tudo e ainda se aventuram em números com fogo.

O grupo, treinado por acrobatas chineses, começou no Quênia, nos anos 1990, e migrou em 2005 para os Estados Unidos depois de fazer sucesso no mundo inteiro. Lá, eles se apresentaram em parques temáticos da Disney e também participaram de shows de intervalo da NBA, maior liga de basquete do mundo, e apareceram no Dance On!, programa de dança da Big Apple Circus.

Eles chegam ao Brasil pela primeira para compor a nova temporada do Le Cirque, tradicional circo francês.

O circo informou que o elenco deste ano está todo novo, mas segue com artistas e acrobatas de vários países. Além dos Quenian Boys, as atrações variam das mais tradicionais, como palhaços e globo da morte, aos que os bailarinos curtem mais, como os contorcionistas (quem nunca invejou a flexibilidade deles?).

Para quem mora em Salvador, a nova temporada apresenta espetáculos com 1h40 de duração de quarta a sexta às 20h30 e aos sábados e domingos às 15h, 18h e 20h30.

Os ingressos custam R$ 40 (Platéia Comum – inteira) | R$ 20 (Platéia Comum – meia) | R$ 60 (Platéia Central – inteira) e R$ 30 (Platéia Central – meia).

Abaixo um videozinho de quando eles se apresentaram no Zippos Circus, no Reino Unido:

O que achamos de O Quebra-Nozes do Russian State Ballet

Prometemos que teria resenha, não foi? Pois então: assistimos à estreia da nova turnê do Russian State Ballet nessa temporada, que foi com a primeira montagem de O Quebra-Nozes no Brasil, que aconteceu no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Como a gente assistiu à passagem deles por aqui no ano passado, pudemos ver bem a diferença das duas apresentações. Menção honrosa para Elizaveta Lobacheva, nossa Clara, que arrasou demais!

Para começar, essa produção foi bem amarradinha. O cenário e os figurinos eram, em geral, simples, mas bem bonitos. Notamos que algumas músicas foram editadas, mas só porque conhecemos a obra de trás pra frente! Os cortes foram bem feitos e não comprometeram em nada a montagem.

Primeiro ato

Os ‘adultos’ do Natal em família roubaram a cena. As danças foram lindas, super bem ensaiadas, e nesse momento os russos abusaram no que têm de melhor: os port de bras! Muito braço bonito, carão e pé esticado. Arrasaram!

Vou ser sincera: não gosto muito de adulto fazendo papel de criança – talvez por isso minha montagem d’O Quebra-Nozes preferida seja de Balanchine – mas achei que os bailarinos ‘incorporaram’ bem os pequenos. A parte das crianças e dos solistas foi bem leve, uma graça! E respirei aliviada quando vi que o quebra-nozes enquanto soldadinho não era uma criança (como na produção do Bolshoi), mas o próprio bailarino que vira príncipe depois. Muito melhor!

O que sentimos falta: a árvore não sobe quando Clara começa a sonhar! Ficamos um pouco frustrados, não tem como negar. A luta dos soldadinhos com os ratos também poderia ter sido melhor. Estava muito bem ensaiada, mas parecia que os bailarinos estavam mais preocupados em executar os passos do que interpretar.

Pas de Deux O quebra-Nozes
Grand pas de deux d’O Qubra-Nozes (Foto: Reprodução/ Ballet da Rússia)

Segundo ato

Se a Clara já estava roubando a cena no primeiro ato, ela se apropriou do espetáculo no segundo. A melhor parte, disparadamente, foi o grand pas de deux entre Clara (essa versão não tem Fada Açucarada) e o príncipe. Elizaveta mostrou muita técnica e leveza no pas de deux e na variação, que é super difícil e precisa de muita musicalidade. Tirou de letra!

O bailarino, Sergei, também é muito bom, o que fez desse par protagonista um acerto enorme. Ele girou SUPER bem, mesmo com máscara de soldadinho (já mereceu meu respeito), esticou os pés nos saltos (sempre um plus!) e foi muito expressivo.

O foco do Russian State Ballet realmente é com os solistas: eles foram a melhor parte do ballet como um todo. Com uma ou outra exceção, os solos estavam super bem ensaiados (especialmente os mirlitons, a dança chinesa, a valsa das flores e a dança árabe) e casaram super bem com os bailarinos escolhidos. Achamos que os flocos de neve, a principal dança de corpo de baile, deixou a desejar um pouquinho.

Dica para quem gostou da resenha e se interessou em assistir: não fique tirando fotos ou gravando o espetáculo. É muito chato, além de proibido, e desconcentra os bailarinos. Teve gente do nosso lado fazendo foto com flash! Melhor se preocupar em assistir ao espetáculo do que ficar documentando, né?

Segue agenda d’O Quebra-Nozes do Russian State Ballet (sujeita a mudanças!):

26/04 (quarta-feira): Rio de Janeiro (RJ), no Oi Casagrande. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/04 (sexta-feira): Ribeirão Preto (SP), no Theatro Pedro II, às 20h. Ingressos à venda no site ou no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/04 (domingo) – São Paulo (SP), no Tom Brasil. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

02/05 (terça-feira) – Campinas (SP), no Teatro Iguatemi. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

04/05 (quinta-feira) – Belo Horizonte (MG), no teatro Palácio das Artes às 21h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido

07/05 (domingo)  – Brasília (DF), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

09/05 (terça-feira) – Curitiba (PR), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

11 e 12/05  (quinta e sexta-feira) – Porto Alegre (RS), no Salão de Atos da UFRGS às 20h. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

13 e 14/05 (sábado e domingo) – Florianópolis (SC), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

18/05 (quinta-feira) – Paulínia (SP), no Theatro Municipal de Paulínia às 20h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia)

27/05 (sábado) – Recife (PE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/05 (domingo) – Maceió (AL), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

29/05 (segunda-feira) Natal (RN), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/05 – (terça-feira) – João Pessoa (PB), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

31/05 (quarta-feira) – Fortaleza (CE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

Informações aqui ou no WhatsApp (11) 981817623

Russian State Ballet traz Natal fora de época com O Quebra-Nozes

 

A gente acompanhou a passagem do Russian State Ballet (ou Ballet da Rússia) pelo Brasil no ano passado e, neste ano, não seria diferente – especialmente que Salvador é a primeira parada da companhia! Ainda mais quando tem novidade: a primeira das três (sim, três!) montagens é O Quebra-Nozes, completinho, em dois atos.

A primeira coisa que passou pela cabeça é: por que O Quebra-Nozes em abril e maio? Conversei com o diretor do espetáculo, Augusto Stevanovich, e ele me explicou que essa decisão foi tomada com base em alguns fatores: a grandeza do repertório, a temática familiar e também a chance de assistir ao clássico num período fora das férias.

“Na América do Norte e na Europa, o espetáculo se passa no inverno, é uma festa de inverno. E lá as companhias e escolas de ballet exploram bastante esse tema. Mas em Salvador está em época de férias, e todo mundo viaja. Quem fica na cidade é turista, e turista não vai ao teatro quando viaja”, explicou.

Eu discordo um pouco: uma das primeiras coisas que faço quando viajo é ver justamente se tem alguma apresentação (de dança, música, etc) para assistir. Mas entendo que muita gente deve pensar diferente e, claro, acho que a definição do repertório não seria essa se não fizesse sentido, né?

Outra coisa que ele falou que eu achei interessante é que O Quebra Nozes precisa de um elenco muito forte porque são muitos solistas. E isso é verdade. Tanto no primeiro ato como no Reino dos Doces são vários: bonecos, soldadinhos, gota de orvalho, Fada Açucarada, flores… Haja personagem!

“São dez solistas principais para os momento de mais emoção, é um repertório muito forte, que exige muito do elenco”, disse Augusto.

Escolas russas contempladas

Viktoria Dymovskaya como Carmen
Viktoria Dymovskaya como Carmen em Estrelas do Ballet Russo (Foto: Tomas Kolisch Jr)

Outra coisa que achei interessante é que, desta vez, o grupo de bailarinos (são 30, no total) é diferente do que veio no ano passado. Segundo Augusto, a ideia é que, a cada turnê, venham novos bailarinos de diferentes escolas e teatros. Este elenco, por exemplo, é composto majoritariamente por dançarinos do Moscow State Ballet.

Além d’O Quebra-Nozes, os bailarinos vão apresentar Step by Step, uma produção original russa (que mistura sapateado, música ao vivo e ilusionismo) que recebeu adaptação especial para o Brasil, e a reedição do espetáculo Estrelas do Ballet Russo, que é uma reunião de divertimentos. Falamos um pouquinho disso no ano passado!

Mas tem gente voltando! Augusto disse que Viktoria Dymovskaya, que brilhou no ano passado em Spartacus, Carmen e Romeu e Julieta em Estrelas do Ballet Russo, volta na reedição da apresentação. O diretor não adiantou quais serão os divertimentos, mas disse que vem novidade inclusive para quem assistiu no ano passado.

E lembra do que a gente falou sobre a falta de programas? Pois Augusto confirmou que, desta vez, eles estão correndo atrás disso. Vamos esperar!

Informações aqui ou no WhatsApp (11) 981817623

Segue agenda d’O Quebra-Nozes do Russian State Ballet (sujeita a mudanças!):

23/04 (domingo): Salvador (BA), Teatro Castro Alves às 20h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido, na bilheteria do teatro e no SAC dos shoppings Barra e Bela Vista. Preço: R$ 240 (inteira) e R$ 120 (meia)

25 e 26/04 (terça e quarta-feira): Rio de Janeiro (RJ), no Oi Casagrande. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/04 (sexta-feira): Ribeirão Preto (SP), no Theatro Pedro II, às 20h. Ingressos à venda no site ou no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/04 (domingo) – São Paulo (SP), no Tom Brasil. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

02/05 (terça-feira) – Campinas (SP), no Teatro Iguatemi. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

04/05 (quinta-feira) – Belo Horizonte (MG), no teatro Palácio das Artes às 21h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido

07/05 (domingo)  – Brasília (DF), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

09/05 (terça-feira) – Curitiba (PR), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

11 e 12/05  (quinta e sexta-feira) – Porto Alegre (RS), no Salão de Atos da UFRGS às 20h. Ingressos à venda no site e no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

13 e 14/05 (sábado e domingo) – Florianópolis (SC), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

18/05 (quinta-feira) – Paulínia (SP), no Theatro Municipal de Paulínia às 20h. Ingressos à venda no Ingresso Rápido. Preço: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia)

27/05 (sábado) – Recife (PE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

28/05 (domingo) – Maceió (AL), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

29/05 (segunda-feira) Natal (RN), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

30/05 – (terça-feira) – João Pessoa (PB), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

31/05 (quarta-feira) – Fortaleza (CE), teatro ainda a definir. Ingressos à venda no site. Preço: R$ 300 (inteira), R$ 150 (meia) e R$ 80 (até 14 anos)

 

Márcia Jaqueline deixa TMRJ e vai para austríaco Salzburg Ballet

Após 20 anos como bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dez deles como primeira bailarina, Márcia Jaqueline aceitou a proposta do Salzburg Ballet, na Áustria, e vai deixar o Brasil para abraçar essa nova oportunidade.
A gente fica com o coração meio apertadinho ao ver mais uma estrela brasileira precisando sair do país para brilhar, mas felizes em ver que nossos artistas vão crescer e levar mais beleza para outros lugares do mundo!
Confira abaixo a despedida que a bailarina fez em suas redes sociais:

“Há exatamente 20 anos, com apenas 14 anos, ingressei ao Corpo de Baile do Teatro Municipal, onde sou Primeira Bailarina desde 2007. Sempre sonhei em fazer a minha carreira nessa casa que tanto amo, nunca pensei em ir embora. No entanto, na triste situação que nos encontramos, não posso desanimar. Preciso continuar minha caminhada e alçar novos vôos… Fui convidada a fazer parte do Ballet do Teatro de Salzburg na Áustria. Uma grande oportunidade nesse momento da minha carreira de dançar ballets criados especialmente pra mim. Isso não é um adeus, é apenas um até logo… O bom filho sempre retorna à sua casa!!!

Talvez não existam palavras suficientes e significativas que exprimam minha gratidão a algumas pessoas que, como verdadeiros anjos, me ajudaram ao longo da minha vida. Gostaria de agradecer primeiramente a Deus pelo dom que me deu, minha família, em especial meus pais Lizie Xavier Araújo e Manoel, meu marido Guilherme Tomaselli Gomes, minha primeira professora Vania Reis, a Escola de Danças Maria Olenewa, em especial Tia Regina e Tia Amelinha ( in memoriam ), Tia Edy e Marialuisa Noronha, meus amigos do Theatro Municipal, a todos os diretores e ensaiadores com quem tive a honra de trabalhar durante esses anos, a Ana Botafogo e Cecília Kerche que tiveram a generosidade e sensibilidade de me apoiar nesse momento, ao grande amigo Reginaldo Oliveira,que nesse momento me convida para partilhar esse grande projeto na Áustria!!
E para finalizar , minha reverência e gratidão ao público que sempre me recebeu com tanto carinho.

Até Breve!”