Osipova: “Ainda estou aprendendo a língua da dança contemporânea”

Uma das bailarinas clássicas mais experientes, expressivas e bem-sucedidas da sua geração, a russa Natalia Osipova, de 30 anos, embarcou numa nova experiência profissional e pessoal: junto com o namorado, o também bailarino-estrela Sergei Polunin, se apresenta numa produção contemporânea, Silent Echo, assinada pelo coreógrafo Russell Maliphant.

Curioso que até mesmo para bailarinos profissionais, como é o caso de Osipova, a transição ou aprendizado de novas formas de se expressar na dança podem ser desafiadoras.

A prima ballerina fala sobre a participação na produção, como é dançar com Sergei e as diferenças entre dança clássica e contemporânea na entrevista que traduzimos abaixo. Confira!

Run Mary Run_SWT,Choreograoher; Arthur Pita,
DANCERS;
Natalia Osipova, Sergei Polunin,
Osipova e Polunin em Run Mary Run, de Arthur Pita (Foto: Bill Cooper/Sadler’s Wells)

Qual foi o motivo para embarcar num espetáculo com trabalhos contemporâneos e não de ballet clássico?

Eu sempre fui interessada pela dança contemporânea – mesmo na escola de ballet eu já acompanhava. Além disso, quando alguém dança ballet clássico por muitos anos, tem que ‘apimentar’ as coisas de vez em quando, então eu opto por fazer coisas diferentes. De certa forma, faz parte de uma busca criativa. Eu não diria que estou entediada com repertórios de ballet, apenas gosto de aprender novas linguagens na dança, também.

Como o espetáculo tem sido recebido?

Como sempre, teve críticas boas e ruins. Não consegui extrair objetivamente o que as pessoas não gostaram nas críticas ruins, e não porque eu não atente para críticas – é uma profissão bem difícil e estou acostumada a todos os tipos de críticas – mas eu não me atenho a cada detalhe para depois tentar reconciliar na dança.

Cada peça foi criada especialmente para você. No Festival Internacional de Edimburgo, na Escócia, o público ficou impressionado com Silent Echo, de Russell Maliphant. O quão envolvida com esse trabalho você esteve?

Eu normalmente não interfiro, mas dessa vez eu me encontrei com Russell e nós conversamos, e ficou claro desde o início que eu dançaria com Sergei. Mas o resto ficou a critério dele. Nessa esfera contemporânea eu confio no coreógrafo, enquanto que no ballet clássico eu posso discutir um pouco mais com o coreógrafo para introduzir minhas próprias idiossincrasias.

Não seria porque você é nova na dança contemporânea e menos confortável com ela?

Ballet clássico é minha língua materna, então sempre tem espaço para que eu entregue algo meu. Na dança contemporânea eu simplesmente não sinto que estou no nível de poder dar opinião. Ainda estou aprendendo essa linguagem.

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DANCERS;
Natalia Osipova, Sergei Polunin,
Polunin e Osipova em Run Mary Run (Foto: Bill Cooper/Sadler’s Wells)

Quando foi que você e Sergei Polunin se conheceram?

Nos conhecemos cerca de um ano e meio atrás, quando dançamos Giselle no Scala de Milão. O partner que estava escalado para dançar comigo ficou doente, então pedi a ele para aceitar o papel. Tinha uma coisa diferente no ar sobre dançar com Sergei. Minha mãe até falou que ele poderia ser um partner interessante. Então, de certa forma, estava nas cartas.

Você deve ter ouvido que Sergei era chamado de “o bad boy do ballet” quando rumores de chiliques nos bastidores e fora dos palcos apareciam com frequência associados ao nome dele. Como você achava que seria trabalhar com ele?

Eu certamente ouvi a reputação de Sergei antes de trabalhar com ele, mas eu entendo bem como algumas coisas, muitas vezes, são exageradas. Por isso não prestei muita atenção. No final das contas, eu não ia dançar com a reputação dele. Eu ia dançar com a pessoa.

E como ele é?

Eu o conheci depois que ele ganhou essa reputação de “bad boy”, então eu só posso julgar o que conheço dele agora. Ele realmente fala o que pensa. Mas a pessoa com quem eu trabalho e com quem estou é consciente e genuína. Ele está, possivelmente, mais calmo agora. O que aconteceu antes aconteceu por motivos reais. Ele se comportou de uma forma sincera, não houve teatralidade desnecessária.

Deve ser difícil manter um relacionamento quando vocês trabalham em companhias diferentes e estão sempre viajando em turnê. Essa produção foi, ao menos em parte, uma forma de vocês passarem mais tempo juntos?

O espetáculo já estava criando forma quando a gente se conheceu, então não foi pensado para que a gente dançasse juntos. Foi uma feliz coincidência.

Qual é a melhor e a pior parte de dançar com seu companheiro?

A pior parte é que qualquer desentendimento ou crítica num ensaio é mais aberto, por isso há conflitos. Como eu sou uma mulher jovem, às vezes é fácil para mim ceder a esses conflitos, e às vezes eles se estendem um pouco às nossas vidas pessoais. O lado positivo, por outro lado, é óbvio. A sensação de estarmos no palco juntos, dançando juntos, criando algo juntos é incomparável.

 

Silent Echo está em turnê pelos Estados Unidos desde 27 de outubro, em Los Angeles.

A entrevista original, que saiu na Pointe Magazine, você pode conferir aqui.

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