Gabriel Matheó: “O Bolshoi não forma apenas bailarinos”

A Bahia está danada para mandar bailarinos para fora do Brasil! O mais novo é Gabriel Matheó Bellucci, formado pela Escola Bolshoi e ex-bailarino da companhia da escola, que bate as asas rumo à Europaballett, na Áustria.

Conversamos um pouquinho com ele para saber como foi sua preparação aqui na Bahia e de que forma sua formação no Bolshoi contribuiu para que ele tivesse uma projeção internacional tão rápido. O que percebemos foi muito carinho e reconhecimento tanto à Escola Bolshoi quanto à Academia de Dança Adalgisa Rolim, onde ele deu os primeiros passos no ballet clássico. E, assim como muitos bailarinos, Gabriel pensa em voltar ao Brasil para ensinar e contribuir para o melhorar o cenário de dança que o formou.

Como foi que você conheceu a dança? Qual foi a academia daqui da Bahia que te “revelou”?

Na minha escola em Villas do Atlântico (zona metropolitana de Salvador) existe uma gincana anual onde os alunos de cada ano se organizam e criam coreografias, cartazes, apresentações de teatro etc. Foi meu primeiro contato com a dança, mas nada profissional. Quando tinha 10 anos fui matricular minha irmã na Academia de Dança Adalgisa Rolim, e acabei fazendo uma aula experimental. Resultado: ela saiu meses depois e eu fiquei, durante quatro anos. Foi lá que dei meus primeiros passos com o ballet clássico e jazz. Foi uma época muito importante, tia Gisa me deu bolsa nesses quatro anos e a ela sou muito grato por ter me encaminhado futuramente pro Bolshoi e por ter me orientado desde o comecinho.

Quando foi que você decidiu se tornar profissional? Qual o impacto que a escola do Bolshoi teve na sua vida?

Em 2010 participei da audição do Bolshoi no concurso Ballace em Camaçari e fui aprovado com bolsa integral. Até me formar eu não tinha ideia do quanto o Bolshoi tinha me dado, tanto tecnicamente (por ser uma escola de método russo, Vaganova, a excelência cobrada é altíssima) quanto psicologicamente. O Bolshoi não forma apenas bailarinos, lá aprendi a ter disciplina, zelo, paciência, respeito, persistência, força … É uma rotina muito puxada, estudava pela manhã, e fazia aulas à tarde. Sem ter passado por isso, hoje, não estaria indo pra Europa, não teria conhecido artistas com almas tão bonitas e talentos excepcionais, sou muito grato por tudo que aprendi na minha época de Escola Bolshoi.

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Gabriel em apresentação no Bolshoi (Foto: Acervo pessoal)

Você está realizando o sonho de muitos bailarinos e bailarinas brasileiros, que é dançar numa companhia internacional. Como foi que você chegou à audição?

Ano passado quando me formei na escola, fui contratado pela companhia jovem Bolshoi Brasil, que é o primeiro contato profissional que nós, ex-alunos, podemos ter assim que nos formamos. Até ano passado eu era aluno formando, esse ano fui funcionário e pude conhecer um outro lado da escola, tão rígido quanto antes, porém com um tratamento diferente. A cia jovem me trouxe muita experiência artística ou “de palco” como a gente chama. Em agosto fui pra Áustria fazer audição e passei, voltei pro Brasil há duas semanas (final de agosto) para finalizar meu período com o Bolshoi e viajo para a Áustria dia 6 de setembro para começar uma nova etapa.

Outros bailarinos que saíram do Bolshoi – como a também baiana Mariana Miranda – também estão a caminho de companhias fora do país. Acha que é uma tendência?

Com certeza é uma tendência e um desejo de muitos. Somos preparados e treinados pra isso. No Brasil sabemos o quanto é difícil em viver da arte em geral, então somos “obrigados” a buscar oportunidades fora do país.

Quais são seus planos pro futuro? Pensa em voltar a dançar aqui no Brasil?

Por enquanto quero passar algum tempo fora ainda, viajando e conhecendo novas companhias e novas cidades. A carreira em cima dos palcos é curta, então temos que aproveitar o máximo, pra depois trabalhar no “bastidores” dando aula, ensaiando, repassando o que um dia nos foi ensinado.

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2 comentários sobre “Gabriel Matheó: “O Bolshoi não forma apenas bailarinos”

  1. Como sempre afirmo; A Escola do Teatro Bolshoi Brasil é de fato um celeiro encantado de talentos e de todos aqueles que fazem do Ballet sua filosofia de vida…

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