Colorindo os palcos

Ano passado a gente fez um post aqui exaltando a iniciativa da International Association of Blacks in Dance (IABD)de se fazer uma audição apenas para bailarinas negras – notadamente excluídas das grandes companhias. Pois bem, a audição foi em janeiro, pouco se falou do que aconteceu, e só agora, em março, eu resolvi procurar saber do resultado.

Isso graças à leitora e amiga Ila Garcia, que me mandou essa foto aqui (a seleção toda é incrível, mas essa me tocou de forma especial) que me fez pensar que essas pequenas podem, quem sabe, ser a próxima Precious Adams, Michaela DePrince ou mesmo Misty Copeland. Obrigada, Ila!

menininhas
Meninas da primeira e única escola de ballet em Ruanda, criada após o genocídio (Foto: Caroline Jean Peixoto, City Arts)

Voltando à audição! A IABD fez um vídeo sobre a seletiva, entrevistando algumas das participantes e jurados, e mostrando pedacinhos das audições. O formato foi exatamente igual ao das grandes companhias, com a diferença que eram meninas e moças de várias tonalidades executando os passos de ballet clássico. O evento foi em Denver, Colorado, e juntou 87 bailarinas do mundo inteiro e contou com a participação de 15 companhias.

Para quem não entende inglês, selecionei aqui alguns dos depoimentos mais bonitos. “Sabe, muita gente não sabe, mas é muito difícil entrar numa sala de audição e ser a única negra brigando por uma vaga. Mas quando você entra numa sala e vê garotas com o mesmo tom de pele que você tem é uma sensação incrível”, disse Raquel Smith, da Califórnia.

“É a primeira vez que o mundo do ballet entrou na comunidade negra de dança. E chegou no nosso próprio espaço, onde nós somos os protagonistas para falar com propriedade dos problemas que nós temos e que compartilhamos”, apontou Theresa Ruth Howard, criadora do MoBBallet.org. Ela ainda disse que uma grande falha na estrutura dos grandes ballets é que não há diretores artísticos, maîtres ou masters de ballet negro, que são justamente as pessoas que moldam a estética da companhia. Sem essas pessoas, como isso pode mudar?

“Ao crescer como bailarina eu fui a várias audições, nas quais eu era quase sempre a única afro-americana na sala. De certa forma, dança é algo universal, então eu não achava que não poderia dançar ballet clássico. Mas depois de um tempo você começa a notar que a cor da pela pesa mais do que o talento, não tem como não ver, e isso acabou me cansando”, disse Coral Martin, também da Califórnia.

“Espero que um dia a gente não precise disso. Espero que um dia seja algo tão normal que não precisemos forçar as pessoas a abrir os olhos” Brian MacSween, ballet master do Memphis Ballet. No final, 25 bolsas foram oferecidas e quatro meninas foram convidadas para seletivas de companhias que participaram da audição. Saldo pequeno, porém positivo!

Veja o vídeo aqui:

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