Let’s (pole) dance!

Erika Thompson (Foto: Roberto Cunha)

Um estilo que vem crescendo muito no Brasil (e no mundo também, é só ver o número de campeonatos internacionais) é a famosa dança com o mastro. O pole dance, ao contrário do que diz o imaginário popular, vem beeeem antes das strippers de lingerie e salto agulha nos bares americanos, e requer muito mais força, técnica e leveza do que parece.

De cara, dá para ver que existem semelhanças com a dança clássica: os pés das pernas de trabalho SEMPRE estão esticados, as pernas também fazem movimentos conhecidos, como o espacate, arabesque, penchée, e os braços, quando não estão segurando a bailarina no mastro, podem fazer port-de-bras riquíssimos. E tudo sem impacto!

Conversamos com Erika Thompson, pole dancer – ou polerina – que já participou de vários campeonatos nacionais e internacionais (ano passado ela competiu no Mundial na China, ficando entre as finalistas, e foi vice-campeã do Miss Glamour em 2014), que explica as diferenças entre pole dance e pole sport e como fazer para começar.

 

Como foi que surgiu o pole dance?

É uma atividade que veio de uma ginástica, e não veio como dança, a princípio. Ele surgiu na Índia e o pole era de madeira. Os homens – porque mulheres não podiam – faziam várias acrobacias. Com o tempo isso foi se aprimorando até chegar ao circo. De lá se dividiu em duas vertentes. Uma foi a acrobacia, mesmo, que se consolidou como esporte tipo a ginástica. A outra foi a dança sensual.

Muita gente ainda hoje associa o pole dance à sensualidade, com a dançarina de salto alto e lingerie…

Sim, sim. Se eu não me engano, durante as guerras as mulheres eram chamadas para dançar em volta do pau da barraca que os soldados ficavam. Acho que saiu daí. E, ao mesmo tempo, tinha o circo usando o pole no mastro chinês, de uma forma completamente diferente. Daí a isso virar o que fazemos hoje levou bastante tempo. Tem uns seis anos que fazemos pole dance dessa forma, incorporando dança contemporânea, jazz, stiletto… Aí o salto entra com outra funcionalidade, é parte da dança, tem técnica. Como uma sapatilha.

Erika no Mundial na China Foto: Acervo pessoal
No Mundial na China. Foto: Acervo pessoal

E quais são os benefícios?

São infinitos. Desde físicos até psicológicos. No corpo é uma atividade que trabalha muito os músculos. De cara, os braços, até para conseguir subir no mastro. Mas não fica nada de fora: pernas, glúteos, costas, abdômen… Tem que ter muita força. É muito completo como atividade física. Mas eu vejo que o pole traz algo que não sei se outras danças trazem, pois é algo mais democrático. Todas as pessoas podem fazer em qualquer momento da vida. Não precisa ser desde pequenininha, até porque o pole kids começou tem uns quatro anos. A maioria começou já adulta ou adolescente. E você pode fazer uma performance incrível independente do peso, altura, porte físico.

Nas aulas e apresentações vocês estão sempre de top e shortinho, analisando bastante o próprio corpo. Isso acaba sendo ruim?

Pelo contrário. Muitas alunas até chegam complexadas com o próprio corpo, mas todas elas me disseram que passaram a ter uma relação melhor com o corpo depois de ver capaz de fazer. Aquele corpo, que elas achavam tão imperfeito, pode fazer tanta coisa que elas nunca imaginavam, que elas passam a amá-lo do jeito é. Tem outra coisa: você tem que começar a tirar a roupa, porque senão você não avança. O pole precisa do atrito da pele, e com blusa e short muito longos você não consegue isso. Você tem que escolher se você se esconde ou se evolui.

A movimentação do pole dance parece ser infinita. São muitos passos ou variações de passos?

Esse é um processo que ainda está em formação. Às vezes uma aluna que está mais avançada começa um movimento e ele se desenvolve de um jeito diferente. Aí me perguntam se está errado. Não, só não existia antes! A gente ainda está criando passos e movimentos. Existem os básicos e tradicionais, variações deles, também, mas tem mais coisa sendo inventada. Novas combinações, novas técnicas… No instagram, mesmo, todo dia tem coisa nova aparecendo. O pole ainda não está pronto. Não sei se um dia vai ficar.

O que é preciso para começar a dançar?

Algumas travas, posições de mãos, trava de pernas para se segurar no pole, e saber descer. Porque muitas vezes a pessoa executa bem o movimento mas “cai”. Não é uma atividade de impacto, ou você desce escorregando ou desce controlado. Se cai “tombando” pode machucar. E, assim como em outras danças, a ponta de pé é essencial. É uma atividade longilínea. Em campeonatos, mesmo, se você deixar o pé mole, as pernas frouxas e ficar se ajeitando muito na barra você perde ponto.

E os homens no pole dance?

Não é tão antigo como as mulheres, mas não é tão recente. O primeiro homem campeão brasileiro foi em 2010. Se o pole dance tem uns 15 anos como atividade aqui no Brasil, a participação masculina deve ter metade disso. Os meninos que faziam mastro chinês no circo descobriram no pole uma variação daquilo que eles já conheciam. Acho que eles vêm mais pela questão da força, mesmo.  Ainda existe o preconceito de que é coisa de mulher, de gay… Faz quem quer, gente. Não tem isso. O pole dá muita força, agilidade, flexibilidade, e isso começou a chamar atenção deles. E que bom!

Você começou como atleta, não foi? O que te fez mudar para dança?

No decorrer da minha carreira como atleta eu me percebi muito mais como artista do que como atleta. Nos campeonatos de pole sport, mesmo, eu comecei a enjoar do que via. Funciona como a ginástica, tem movimentos que dão mais pontos, quando combinados com outros têm mais pontos ainda, tanto tempo no solo, tanto tempo na barra… Então as coreografias ficam muito iguais. Você tem que colocar determinado movimento porque senão você não vai ganhar. E eu comecei a querer dançar do jeito que eu queria, colocar os movimentos que eu queria, sabe? Por isso me identifico, hoje, mais com a dança do que com o esporte. Eu gostava muito de competir. Hoje eu quero ter liberdade para criar, e ter um corpo que me permita criar.

Erika tem um studio onde treina e dá aulas de pole dance em Salvador. Quer saber mais? Clica aqui! O instagram dela é @erikathompson.poledancer. Segue que é babado!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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