Lysion Vieira: “Foi um desespero fazer tantos movimentos novos”

Dono de uma risada contagiante, uma disciplina militar e de um eixo de dar inveja, Lysion Vieira é um dos bailarinos brasileiros que precisaram ir para fora do Brasil para realizar o sonho de dançar profissionalmente. Nascido em Porto Alegre e radicado na Bahia, onde se formou em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lysion dança desde 2013 na Ad Deum Dance Company, em Houston, no Texas, Estados Unidos.

De formação majoritariamente clássica, ele conta um pouquinho do desafio que foi aprender e se acostumar com passos e estruturas tão diferentes – além das diferenças culturais, claro.

E a dança não foi tudo que ele conquistou! Foi na companhia que ele conheceu a namorada, a americana Emily Runyeon – que até já veio conhecer o Brasil.

Lysion dançando pela Ad Deum (Foto: Sotter Fotografia)
Lysion e Emily dançando pela Ad Deum (Foto: Sotter Fotografia)

Como foi sua chegada na dança profissional depois de se formar?

Foi bem tenso, fiquei na verdade o ano de 2013 apenas dando aulas, e no final deste mesmo ano descobri que o que eu queria mesmo era dançar. As companhias de dança que me interessavam aqui no Brasil pelo perfil de trabalho nunca me aceitavam em audições, então decidi me desafiar a algo no exterior. E fui aceito. Fiz inicialmente a audição por vídeo e currículo. E depois passei por três meses de avaliações já dentro da companhia. Quando finalizaram os três meses, fui chamado para fazer parte da companhia principal.

 

Apresentação ao ar livre da Ad Deum (Foto: Arquivo Pessoal)
Apresentação ao ar livre (Foto: Arquivo pessoal)

Como foi sua adaptação nos Estados Unidos?

A adaptação foi algo bem desafiador, culturas bem diferentes, mas estava bem aberto ao novo, fui para lá sem muitos muros. A saudade da família e a adaptação com a língua foram um dos maiores desafios no começo. Nas temporadas que participei, havia apenas eu, brasileiro, e uma japonesa de estrangeiros.

Como é a dinâmica de aula numa companhia profissional?

É uma exigência completamente diferente. Muito mais desafiador, porém muito inspirador estar com pessoas que têm diferentes envolvimentos com a dança no nível profissional em uma sala. Você se vê desafiado a melhorar dia após dia, e muitas vezes fazer um “reforço individual” fora da sala de aula para atender melhor essas demandas. Mas é muito gratificante poder ver o crescimento gerado através deste desafio diário.

Sua base é essencialmente clássica. Foi difícil se adaptar a outros estilos?

Mesmo a companhia tendo linhas contemporâneas e modernas, a base  permanece clássica. Mas foi um desespero, honestamente falando, receber aquela carga de qualidade de movimento completamente diferente da que eu estava acostumado. Hoje percebo que acrescentou muito mais na minha linguagem corporal, e comecei a curtir e amar mais as contrações, espirais e “high releases” de Martha Graham Technique, as liberações de Limón, os trabalhos de força exigidos  da linha de Horton. A respeito do ballet, de dançar, bate aquela saudade dos pas de deux de repertório, mas ele ainda está muito presente no meu dia a dia. Foi e é uma base fundamental para o que executo hoje!

E seu namoro com Emily? Namorar uma bailarina e partner é mais fácil ou mais complicado?

Na verdade o nosso namoro começou dois dias antes de eu retornar para o Brasil – minha volta foi por motivos familiares  – e foi exatamente a última temporada que ela estava participando. Tivemos a experiência de sermos partners, mas também construímos um relacionamento de amizade muito lindo antes do coração começar a bater mais forte e as “borboletas começarem a dançar na barriga”. Dançar com ela depois de estarmos namorando mudou completamente a atmosfera de dançar junto. Esse algo especial valorizou ainda mais os momentos em cena, e acredito que o relacionamento atingiu um outro nível de maturidade. E a dança super ajuda no relacionamento! Não apenas como bailarina e profissional, mas também pela pessoa maravilhosa que ela é de dentro para fora, que me faz desejar ainda mais estar ao lado dela a minha vida toda.

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Lysion e Emily ❤
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6 comentários sobre “Lysion Vieira: “Foi um desespero fazer tantos movimentos novos”

  1. Shalom! ! ! ! !
    Muito massa!
    Só tenho que agradecer ao meu paizinho que cuida de nós o tempo todo.
    ALELUIAS! ! ! !
    DEUS é Bom o tempo todo, o tempo todo DEUS é Bom.

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    1. Vera, que bom que você gostou da entrevista! Lysion realmente é uma pessoa inspiradora. Continue acompanhando o blog que sempre traremos novidades do mundo da dança 🙂

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