Vídeo da Semana ESPECIAL da Cerimônia de Abertura Rio-2016

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Como prometido, esse #videodasemana é diferente e especial: analisamos o que teve de dança na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016, que teve coreografia de Deborah Colker e bailarinos da companhia que leva seu nome.

Primeiro: o que foi essa abertura, gente? Foi muito emocionante, cheio de efeitos especiais e batendo na tecla daquela coisinha que a gente vive falando aqui: inclusão e empoderamento. Na coreografia, isso foi representado pelas danças populares de várias regiões do país – teve samba, maracatu, funk, passinho…

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Teve Carol Konka e MC Soffia conduzindo o rap e batidão na cerimônia

A coreografia de Deborah Colker também foi variada: ela que ‘conduziu’ 1500 pessoas no palco em alguns momentos de cenografia, e, em outros, bailarinos profissionais e acrobatas em partes mais específicas, em que se trabalhava com efeitos especiais.

Um deles foi o parkour: os bailarinos foram apresentados com a ilusão, em 3D, de prédios subindo no solo do Maracanã. Tudo foi tão bem ensaiado que a gente jurava mesmo que o pessoal pulava de prédio para prédio, e não que eles, na realidade, não enxergavam as projeções. Isso a própria Deborah comentou em entrevista à SporTV, hoje de manhã.

“Trabalhei com acrobacia e, com o parkour,eu tinha que fazer as pessoas acreditarem nas projeções dos prédios, que eram fake. A gente teve que estudar o espaço, e depois foi experimentando ao vivo a partir do que seria a projeção, vendo o momento de subida e descida dos prédios. E tem uma turma danada de acrobacia, de saltos, de parkour… Depois dos prédios subindo, quando eles vão para o ‘morro’, na verdade são 72 caixas e 32 pessoas fazendo parkour. Então eu criei rotas de parkour para se chegar aos lugares. Eu não tive uma quantidade de ensaios suficientes, então tive que estar pré-preparada”, explicou.

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Inspiração! Cerimônia x VeRo

Quem conhece o trabalho de Deborah Colker viu várias cenas na cerimônia de abertura. “VeRo”, da roda, “Velox”, das paredes, e “Casa”, de ambientes internos. Isso tudo foi misturado, como disse, com estilos populares, como o carioquíssimo funk. A mistura de cores e luzes deu uma cara toda especial para a dança.

Pra terminar com conteúdo, deixamos pra própria Deborah o resumão da obra! “Eu sempre falei que a gente estava construindo um espetáculo, que seria no próprio Maracanã, para milhares de pessoas, mas que seria, também, televisionado por 60 câmeras. E a organização desses ensaios foi complicada! A gente teve cenas com 1500 pessoas. E eu adoro precisão, sou perfeccionista. Sou que nem o pessoal do esporte, adoro competir e adoro ganhar”, disse ao SporTV. Mandou bem!!!

Atenção: o vídeo abaixo é de ensaio. O blog não tem direito de reproduzir imagens em movimento da Olimpíada, infelizmente! Preferi colocar um ensaio a fazer compilação de imagens, como muitos veículos de imprensa fizeram.

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Márcia Jaqueline: “O Theatro Municipal do Rio de Janeiro é feito de tradição”

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Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Márcia Jaqueline é uma das bailarinas brasileiras mais bem-sucedidas aqui no país. Ela começou seus estudos de ballet clássico na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e, aos 14 anos de idade, formou-se e foi logo chamada pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ) para trabalhar como bailarina estagiária. O convite partiu do então diretor Jean-Yves Lormeau. Ela foi tão bem que, dois anos depois, foi contratada para o corpo de baile do TMRJ – instituição que ela nunca deixou. Aqui ela fala um pouquinho sobre sua carreira, com o é ser dançarina no Brasil, momentos marcantes no palco e fora dele… E algumas coisinhas a mais!
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Márcia Jaqueline como Kitri, em Dom Quixote
Ser primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro é coisa para poucas. Acha que o cargo vem com um ‘peso’ da tradição?
Com certeza, eu estou numa companhia onde Bertha Rosanova foi primeira bailarina, e outros grandes nomes da dança brasileira, como Cristina Martinelle, Aurea Hammerli, Nora Esteves, Ana Botafogo, Cecília Kerche…O Theatro Municipal é feito de tradição e ser primeira bailarina hoje me faz querer continuar escrevendo essa história que há anos vem sendo construída, sempre respeitando os que começaram esse trabalho.
Muitos bailarinos e bailarinas brasileiros estão decidindo sair do país para conseguir apostar em suas carreiras. Continuar no Brasil é um ato de resistência?
Eu acho que não somos valorizados o tanto que merecemos. Os bailarinos que estão aqui são incríveis, mas estamos sempre precisando superar alguma dificuldade que nos é colocada. Sempre nos é dito que não somos prioridade. Claro que estamos muito defasados em várias áreas, como educação e saúde, mas há muito tempo se ouve que vão priorizá-las também e não vejo melhorias. Se até lá demora, então até chegar alguma melhoria na cultura acho que vai demorar muito ainda. Isso se chegar um dia. Por isso tantos talentos indo embora, e nós que ficamos, fazemos porque amamos nosso Theatro, nosso público – esses sim, nos dão força pra continuar.
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Foto clássica Giselle, no segundo ato do ballet

 

Você já pensou em dançar fora?

Eu nunca pensei, não, sempre quis fazer carreira aqui e dançar para os que eu amo.  E também nunca quis ficar longe da minha família. Nossa carreira não é fácil, todo dia temos que provar que somos capazes, são muitas dores,  às vezes decepções. Longe deles, que são meu alicerce, eu não conseguiria.
Sua história com o ballet começou muito cedo, aos três anos – e aos 14 você começou sua carreira no TMRJ. Você sempre quis ser bailarina?
Dos três aos nove anos eu fazia jazz, nunca pensei em ser bailarina profissional, não. A paixão veio quando entrei para a Escola de Danças Maria Olenewa. Ali eu estava tão pertinho dos bailarinos do Theatro, assistindo os balés, aí sim a vontade foi crescendo dentro de mim.
Todos os grandes dançarinos tiveram – ou têm – grandes mestres. Quem foi que mais te marcou enquanto aluna?
Três professoras me marcaram enquanto aluna, porque além de me ensinarem, cuidaram de mim como uma filha também. Tia Edy (Edy Diegues), tia Amelinha (Amelia Moreira) e tia Regina (Regina Bertelli). As duas últimas não estão mais nesse mundo, mas tia Edy continua sempre comigo, me liga sempre, nunca esquece meu aniversário, e sempre que nos falamos diz que estou sempre em suas orações.
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Márcia como Nikyia, em La Bayadère

Na sua carreira você já dividiu o palco com várias estrelas – uma delas foi Marcelo Gomes, no ano passado, quando dançaram O Quebra-Nozes. Tem algum momento que você considere como o mais memorável da sua vida na dança?

Foi incrível dançar com Marcelo, com certeza umas das experiências mais incríveis da minha carreira. Eu tive vários momentos memoráveis, cada balé que me é dado é um desafio, que quando dançado fica guardado pra sempre. Tem um momento muito especial sim, foi em Romeu e Julieta, que foi remontado por Marcia Haydée. Passei dois meses com ela na sala ensinando o balé. Eu já admirava muito  toda sua história e carreira, mas fiquei mais encantada ainda com sua generosidade. Ela passava cada detalhe, cada sentimento, e quando ela mostrava alguma cena, era um momento de pura emoção – muitas vezes não conseguia segurar as lágrimas. É uma verdadeira diva, sou muito fã.
Você tem algum sonho não realizado? Qual é?
As coisas que sonhei quando estudante de balé , eu realizei. Claro que sempre quero mais! Acho que não um sonho, mas um desejo, é dançar mais fora do Brasil. Sonho, eu tenho um sim, mas isso mais pra frente, quando estiver parando de dançar. Não posso contar ainda.
Um pouquinho de Márcia Jaqueline em cena! Ela e Cícero Gomes no pas de deux d’O Quebra Nozes no TMRJ.
*Todas as fotos foram tiradas do site oficial de Márcia Jaqueline

Vídeo da Semana #26!

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Gente, não aguentei com esse vídeo do solo da Rainha de Copas em  Alice no País das Maravilhas do Royal Ballet (alô Clarice Bartilotti e Ed Cruz, obrigado pela sugestão)! Apesar de ser um repertório relativamente novo (estreou em 2011 no Royal Opera house), já é um favorito do público e de várias companhias, que também incorporaram a produção em seus calendários.

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Zenaida como a aterrorizante Rainha de Copas (Foto: Reprodução/ROH)

Aqui quem arrasa é a francesa Zenaida Yanowsky, interpretando um dos personagens mais fascinantes da historinha. Com a mania de grandeza da majestade, os gestos dela são amplos, a expressividade é MUITO marcante e a bailarina sabe dosar super bem a técnica com a brincadeira – nessa coreografia, assinada por Christopher Wheeldon, tem muitos momentos engraçados combinados com passos super difíceis.

Tirei o chapéu, também, para os bailarinos que compõem o palco e ‘ajudam’ a Rainha de Copas. Todos muito bem ensaiados e devidamente aterrorizados!

Pra quem tem olho clínico: vocês não acharam que a hora em que ela come as tortinhas (morri nessa parte!) parece muito com as piruetas de Aurora no Adagio da Rosa, em A Bela Adormecida? Pois Wheeldon se inspirou nesse clássico para criar a coreografia (obrigada pela confirmação, Julimel)! Depois percebi que tem várias partes parecidas: desde o início, com os développés na segunda, até o finalzinho, com os famoooosos balances. Pra quem quer comparar, segue o Adagio da Rosa aqui.

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Aloka! (Foto: Reprodução /ROH)

Segue o vídeo:

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Ballet na gravidez, pode ou não pode? Pode sim!

Carla Firpo, que dança desde os três anos, grávida de sete meses (Foto: Paula Maria)
Carla Firpo, que sempre dançou, grávida de sete meses (Foto: Paula Maria)

Muitas bailarinas, quando engravidam, ficam com medo de continuar dançando. É natural: muita coisa muda no corpo, e os cuidados precisam com atividade física e alimentação precisam ser redobrados.

Mas isso não quer dizer que o ballet esteja proibido! Muitas futuras mamães continuam fazendo aula, e esse pode ser um exercício bem relaxante e proveitoso durante a gravidez. Claro que cada corpo é um corpo e cada gestação é diferente, portanto é MUITO importante falar primeiro com o obstetra. Se ele ou ela liberar, pode fazer sua aula tranquila!

Conversamos com Carla Firpo, futura mamãe de Clarinha, que faz aulas no Ballet Teresa Cintra. Carla faz ballet desde os três anos, e mesmo no sétimo mês de gestação, não abre mão de dançar.Como boa bailarina que é, ela nunca pensou em parar, embora soubesse que precisaria fazer algumas adaptações nas aulas. “A única coisa que a obstetra sempre pediu era ‘nada de exageros, aceite os limites que seu corpo vai te dar’. Nos três primeiros meses fiquei quietinha, sem fazer atividades, e quando completamos as primeiras 12 semanas, voltei à rotina do ballet e da academia”, explicou.

Uma coisa bacana que ela fez foi conversar muito com a médica, mostrando os passos que fazia na aula. Daí ficava mais fácil saber o que podia e não podia fazer. “Alguns passos, que requerem uma força maior na pélvis, ela pediu pra evitar…Então grand plié de lado na barra e no centro eu evito”, disse.

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Carla e Clarinha! (Foto: Paula Maria)

O que pode e o que não pode?

Isso varia muito de bailarina para bailarina. Carla, por exemplo, eliminou os saltos por conta da força física necessária. Nessas horas, você pode substituir por um alongamento ou repetir passos que você pode fazer. Ela, que sempre foi mulher-elástico, disse que não encontra problemas com alongamento e ainda faz ponta de vez em quando, mas só quando se sente bem segura. Mas tem outros desafios, especialmente por conta da mudança do eixo com o crescimento da barriga.

“Girar já era algo complexo antes da gravidez, durante então…(risos) Imagina seu eixo fora do lugar, é complicado encontrar um novo ponto de equilíbrio depois de anos lutando pra mantê-lo (risos). Fora que a pressão da mulher tende a ficar mais baixa na gestação e os giros me deixam tonta mais rápido. Mas acho que pra quem gira feito pião, é só uma questão de adaptação mesmo. De aceitar os limites da barriga e girar”, opinou.

 

Por que continuar dançando?

Bom, essa parte a gente deixa pra própria Carla dizer!

“A gravidez é um momento magico na vida de uma mulher, mas exige adaptações para a nova vida que vamos ter com o bebê, não podemos nos privar do que nos faz bem. E o ballet é algo que faço desda os três anos de idade, são 30 anos de minha vida dedicados a ele, então não seria neste momento tão especial que ‘cortaria o laço’. Mas como comecei dizendo, é uma fase delicada, temos que ouvir e sentir as reações do corpo com mais atenção e respeitar o limite que a gestação nos dar. Fico feliz, graças a Deus minha gravidez está indo super bem, estou no 7º mês e ainda continuo dançando. Enquanto Clarinha permitir, estarei fazendo umas aulinhas (risos)!”

Parte desnecessária:

Muitas bailarinas profissionais também continuam dançando durante a gravidez. E continuam fazendo TUDO! Olha só esse vídeo da Ashley Bouder, primeira bailarina do Nwe York City Ballet, arrasando nos fouettés durante o sexto mês de gravidez:

Vídeo da semana #25!

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Tem vídeos que a gente coloca aqui mais pela repercussão e importância cultural do que pela técnica ou coreografia, especificamente. É o caso de “Freedom”, da nossa querida Alvin Ailey (que já foi tema de #videodasemana!). Eles usaram a música da diva musa mravilhosa cantora Beyoncé para endossar o protesto contra o racismo escancarado nos Estados Unidos, que, como no Brasil, mata milhares de pessoas.

Dessa vez não vamos nos alongar muito, porque o vídeo e a coreografia são bem simples. Não cabe aqui ficar analisando tanto a técnica (embora eu ache que a coreô, embora bem curtinha, consegue passar a força da música muuito bem), até porque foi tudo gravado numa sala de aula e postado diretamente no Instagram. E talvez por isso seja tão bacana! Por mais vídeos assim🙂

 

PS: Obrigada à querida leitora Carla Siqueira pela sugestão!

PS 2: Quer mandar um vídeo pro nosso #videodasemana? Mande uma mensagem por aqui, pelo Facebook ou pro nosso email (oitotemposblog@gmail.com) que adoraremos disponibilizar aqui!

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Alison Stroming: “Adoraria dançar e ensinar no Brasil”

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Uma das bailarinas mais promissoras de sua geração, a brasileira radicada nos Estados Unidos Alison Stroming quer mais do que ser apenas uma estrela do ballet: ela quer fazer a diferença. Nascida no Recife (PE), ela foi adotada aos quatro meses de idade por um casal americano e, desde então, só voltou ao Brasil uma vez. No que depender dela, isso vai mudar! Além de dançar, Alison quer treinar pequenas bailarinas na sua cidade natal, e trazer para o Brasil a inclusão na dança (algo que discutimos muito por aqui!).

Calma que tem mais: ela ainda fala da importância de companhias como Alvin Ailey e Dance Theatre of Harlem, onde ela dança, duas das mais importantes instituições dos Estados Unidos e que têm uma base muito forte na cultura e dança negras e afro-americanas. Para ela, isso (junto ao apoio às artes) permite que os Estados Unidos estejam vivendo uma onda de diversidade e pluralidade na dança.

Segue a nossa entrevista!

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Alison em ensaio para o Ballet Zaida (Foto: Reprodução / Ballet Zaida)

Quantos anos você tinha quando começou a dançar? E como foi sua carreira até agora?

Eu comecei a dançar aos dois anos de idade. Eu tenho quatro irmãos mais velhos que dançaram em algum ponto de suas vidas, então minha mãe me colocou na aula de dança achando que seria um hobby legal para mim e nunca achou que seria algo a mais.

Enquanto menina eu pratiquei vários esportes e fiz um monte de atividades extracurriculares, mas dança sempre foi minha favorita.

Eu tinha nove anos quando comecei a treinar na School of American Ballet (SAB). Eu me apaixonei pelo ballet e soube desde pequena que eu queria ser uma bailarina. Eu estudei na SAB por três anos e depois fui para a Divisão Junior da Escola de Ballet Jacqeline Kennedy Onassis (JKO), onde continuei minha educação até eu me formar.

Desde que me formei na escola e na JKO na American Ballet Theatre, eu tive a sorte de ter meu primeiro contrato de corpo de baile na Alberta Ballet, no Canadá. Eu dancei no Alberta Ballet por dois anos participando de produções de George Balanchine, Kirk Peterson e vários outros coreógrafos canadenses. Eu tive a oportunidade de me apresentar com a artista Sarah McLachlan em seus concertos por Toronto, o que foi uma experiência incrível. Então, fui para o Ballet San Jose, na Califórnia. Minha mãe e meus irmãos se mudaram para Los Angeles, e eu fiquei extasiada em ficar perto deles. Eu dancei lá por um ano e agora estou na minha segunda temporada no Dance Theatre of Harlem.

Olhando pra trás, eu certamente me mudei muito nos últimos quatro anos, mas estou muito feliz em chamar Nova York de ‘casa’ novamente.

 

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Causando no metrô! (Foto: Reprodução / Underground NYC)

Quando foi que você decidiu se tornar profissional?

Ainda como aluna da Escola do American Ballet  eu tive várias oportunidades de participar em espetáculos do New York City Ballet em papeis infantis. Eu nunca vou esquecer dançar Polichinelle numa performance d’O Quebra Nozes e assistir das coxias os dançarinos da companhia e Maria Kowrowski como Fada Açucarada. Eu me senti tão inspirada em ver a companhia tão de perto e dividir o palco com eles que eu sabia que o ballet era o que eu queria buscar para minha vida.

Você disse que nasceu no Recife, mas se mudou para os Estados Unidos ainda muito jovem. Você acompanha o cenário de dança brasileiro?

Não tanto quanto eu gostaria! Felizmente eu tenho grandes amigos brasileiros no Dance Theatre of Harlem e é bom ouvir as histórias deles, e eles me mantêm informada do que está acontecendo com a dança no Brasil. Não existem tantas oportunidades para bailarinos e artistas no Brasil. Eu conheço muitos dançarinos brasileiros que estão agora dançando em grandes companhias  no mundo e suas histórias são muito inspiradoras.

Você pensa em se apresentar aqui?

Claro! Eu adoraria me apresentar no Brasil. É um país belíssimo e seria um sonho dançar no meu país de origem. Eu estive no Rio uma vez de férias com a família quando eu tinha 13 anos, mas seria muito bom voltar para visitar Recife, que é onde eu nasci. Além de dançar, eu adoraria ensinar e treinar meninas no Brasil.

Você dança numa companhia muito cultural e conhecida pela proximidade com a cultura negra. Qual é a importância desse tipo de companhia, como o Harlem, Ballet Black e Alvin Ailey?

A importância de companhias como a Dance Theatre of Harlem e Alvin Ailey é de abraçar a noção de diversidade e abrir mais oportunidades para bailarinos de diferentes trajetórias e contextos, particularmente afro-americanos. Essas instituições representam essa transformação do ballet e são fortes ícones na história da dança. Com o passar dos anos, muitos bailarinos quebraram barreiras e deixaram o caminho pronto para a geração seguinte. Com essas companhias, o mundo do ballet ficou mais diverso e se transformou numa reflexão mais verdadeira da nossa sociedade.

 

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Linhas! (Foto:Reprodução/ Underground NYC)

O ballet está se tornando mais inclusivo?

Absolutamente. Os bailarinos são muito diversos e diferentes, particularmente nessas companhias nos Estados Unidos. Aqui os bailarinos podem ser eles mesmos, e não se preocupam em ter que parecer um com o outro nem em se enquadrarem no esteriótipo típico de como uma bailarina deve ser. A arte ficou ainda mais bonita por causa dessa ‘leva’ de diversidade e como os bailarinos podem mostrar sua individualidade.

Existe algum papel que você gostaria de representar? Você já dançou seu repertório preferido?

Um papel que eu gostaria de dançar é Odette/Odile em O Lago dos Cisnes. Eu simplesmente amo a qualidade suave e graciosa de Odette e depois a energia forte e misteriosa exigida para Odile, o cisne negro. O Lago é uma das minhas histórias de ballet preferidas, e eu tive a oportunidade de dançar a produção de Kirk Peterson quando eu estava no Alberta Ballet. Eu também dancei Serenade, de George Balanchine, que é outro repertório preferido que eu me sinto muito honrada de ter dançado.

Quais são suas metas para o futuro?

Tenho muitas metas para o futuro e a lista está sempre expandindo e crescendo. Mas a maior delas é dançar como bailarina principal numa grande companhia de ballet nos Estados Unidos ou na Europa. Tem muitos coreógrafos contemporâneos com quem eu sonho em trabalhar e aprender. Além do ballet, eu também treino sapateado e jazz, então eu adoraria dançar na Broadway, em TV ou em filmes.

MAIS:

Além disso tudo, ela tem um eixo in-crí-vel! Olha só esse vídeo:

 

Acerte na pré-seletiva do Bolshoi!

Foto: SanTur

Atenção, professoras, professores e bailarin@s! O Bolshoi abriu – e, para algumas cidades, já encerrou – inscrições para a pré-seleção, aquela que acontece todo ano em vários municípios. Para se participar na edição de 2016, o aluno ou aluna deve ter nascido entre 1997 e 2007 e pagar a taxa de R$ 15. As vagas disponíveis são para Curso Básico em Dança Clássica  e o Curso Técnico de Nível Médio em Dança Clássica.

Os alunos que passarem dessa pré-seleção vão para a etapa seguinte, na sede brasileira do Bolshoi, em Joinville (SC). É neste momento que os bailarinos e bailarinas podem conseguir bolsas, então vale a pena deixar o melhor para o final! As datas desse segundo momento ainda não foram divulgadas, mas serão em outubro.

Dicas de vestimenta:

O Bolshoi exige um código de vestimenta para as audições, que NÃO é o mesmo que o uniforme / fardamento que os bailarinos usam na escola.

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Collants simples, sem adereços e meia-calça clara é dica de vestimenta para meninas (Foto: Reprodução)

Para os exames do Curso Básico, o recomendado para a menina é top e shorts com cabelo preso em coque. Prefira cores sóbrias e tecidos lisos, sem estampa. Para os meninos, short ou bermuda. Os dois farão a aula descalços.

 

Para o exame do Curso Técnico, o recomendado é que meninas vistam collant, meia calça clara, cabelos presos em coque e sapatilhas de ponta e meia ponta. Importante não levar qualquer tipo de adereço, como saias e shorts.

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Regata e short para meninos (Foto: Capezio)

Quanto ao collant, prefira tons sóbrios e lisos, sem estampa. Para os meninos, blusa regata, short ou bermuda justa, sapatilha de meia-ponta e meia soquete, também sem qualquer adereço.

Aqui vai uma listinha do roteiro, com datas e o regulamento para cada cidade:

Belém (PA): as inscrições seguem até o dia 25 de julho (consulte o regulamento aqui). A audição será no dia 30 deste mês, um sábado, na Casa Das Artes,  na Praça Justo Chermont.

Salvador (BA): as inscrições continuam até o dia 29 de julho (consulte o regulamento aqui). A audição vai acontecer no dia 9 de agosto, uma terça-feira, na Escola de Dança Juliana Stagliorio, no bairro Costa Azul. Um aluno dessa escola, Thiago, foi o único baiano a passar com bolsa na seleção do ano passado!

Chapecó (SC): serão aceitas inscrições até dia 12 de agosto (consulte o regulamento aqui). O local da audição é Vanessa Batistello Escola de Dança, no Jardim Itália, em 18 de agosto.

Cambuí (MG): as inscrições serão abertas no dia 18 desse mês e continuam até 12 de setembro (consulte regulamento aqui). A audição será no dia 17 de setembro, no EducArte, no Centro.

As inscrições para as pré-seletivas de Imperatriz (MA) e Sinop (MT) já estão encerradas, e as audições já aconteceram nos dias 8 e 9 desse mês.

 

 

Vídeo da Semana #24

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Sabe uma coisa que é super difícil de fazer em cena e que quase ninguém nota? Expressão nos movimentos – ou artistry, em inglês. Isso vale demais especialmente nos papéis mais figurativos (porém igualmente importantes!) como Don Quixote, o paxá n’O Corsário, o bruxo Rothbart em O Lago Dos Cisnes, a mãe de Lise, em La Fille Mal Gardée, e por aí vai.

O vídeo selecionado foi do ensaio da entrada de Carabosse, a bruxa d’A Bela Adormecida, no batizado da princesa Aurora. Para quem não sabe/lembra, Carabosse não foi convidada para a festa e se vinga amaldiçoando a princesa, condenando-a à morte ao espetar o dedo no fuso de uma roca. Drama puro! Se a bailarina ou bailarino não forem muito bem treinados, a principal cena do prólogo vai ser passada em branco. E ninguém quer que isso aconteça, né?

Aviso aos navegantes: A Bela Adormecida é o meu ballet preferido de todos os tempos e teremos muitos posts ainda sobre esse repertório. Me julguem!

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Riqueza nos dedos e no olhar (Foto: Reprodução / YouTube)

 

Voltando ao vídeo: essa é uma produção do Royal Ballet, em que a bailarina Kristen McNally, que até então nunca tinha atuado como Carabosse, ensaia sob a supervisão da répétiteuse (quem remonta os repertórios) e diretora do Royal, Monica Mason.

Uma das primeiras coisas que Monica faz é contextualizar a personagem para Kristen. Ela explica que, nessa produção, a Carabosse “acredita ser a fada mais linda do reino e sente-se bem consigo mesma”, diferentemente de outras montagens, em que ela é caracterizada como uma velha feiosa. Isso se reflete no bastão / bengala que ela usa.

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Carabosse amaldiçoa Aurora com a morte (Foto: Reprodução / YouTube)

“Você não vai se apoiar nesse bastão. É uma peça adicional de poder”, diz a diretora. Acho que isso já faz toda a diferença na Carabosse de Kristen, que desde já muda a postura. Sobe o queixo, olha de cima para baixo e passa uma imagem de arrogância. Muito interessante!

A ideia segue com todos os movimentos que vêm depois. A saudação ao rei e à rainha é minha parte preferida: Monica perde um tempinho explicando por quê a reverência tem que ser de um jeito que seja visível e claro à plateia mas, ao mesmo tempo, aparente ser claramente falsa e sarcástica, dada a repulsa da Carabosse pela falta do convite à festa. Daí a gente percebe como ela simplesmente não reconhece a soberania do casal real.

Análises à parte, segue o vídeo! A conversa é toda em inglês, mas tem closed captions! Ainda assim, quem não entende ainda pode se entreter com a linguagem corporal – afinal de contas, é isso o que vale na dança! Dica de amiga: assista até o final😉

 

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10 verdades sobre ser bailarino profissional

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Suzanne Way, diretora do Professional Ballet Coaching moldando futuras bailarinas (Foto: PBC / Reprodução)

Esse post é mais uma inspiração para quem já quis ser profissional e não levou adiante (meu caso), quem está se esforçando e trabalhando para conseguir ou quem simplesmente gosta de dançar e quer sempre melhorar no que faz, ainda que seja por lazer (meu caso de novo!). Reunimos aqui 10 ‘verdades’ que Melanie Doskocil, ex-bailarina e atual professora do Aspen Santa Fe Ballet, disse sobre a profissão:

1. Dançar é difícil. Nenhum bailarino foi bem sucedido apenas se baseando no talento nato. Dançarinos são artistas e atletas. O mundo da dança hoje se equipara ao de esportes extremos. Talento e habilidade natural só vão te levar até certo ponto. Bailarinos precisam trabalhar duro e perseverar. Dançarinos dão anos de suas vidas, mais o suor, lágrimas e, às vezes, sangue para ter a honra de se apresentarem no palco.

2. Você nem sempre vai conseguir o que quer. Nós nem sempre conseguimos o papel que queríamos, dançamos na ponta quando queremos, recebemos os trabalhos que queremos, ouvimos os elogios que queremos, ganhamos o dinheiro que queremos, ver as companhias administradas do jeito que queremos, etc, etc. Isso nos ensina humildade e respeito pelo processo, pela arte e os mestres que escolhemos para nos ensinar. Quanto mais rápido você aceitar, mais rápido você vai poder se dedicar a ser brilhante. A gente nunca vai ter 100% de certeza que vai dar certo, mas a gente pode ter 100% de certeza que fazer nada não vai dar certo

3. Tem muita coisa que você não sabe. Um bailarino sempre tem o que aprender. Mesmo os professores, coreógrafos e diretores que menos gostamos podem nos ensinar algo. No minuto em que achamos que sabemos tudo deixamos de ser um bem valioso.

4. Pode não ter um amanhã. Um bailarino nunca sabe quando sua carreira pode desaparecer de repente: o fim de uma companhia, lesão que termina a carreira, acidentes, morte… Dance todos os dias como se fosse sua última performance. Coloque paixão mesmo nos exercícios em sala!

5. Há muito o que você não pode controlar. Você não controla quem te contrata, quem te demite, quem gosta do seu trabalho e quem não gosta, as políticas de estar numa companhia. Não gaste seu tempo e energia se preocupando com coisas que você não pode mudar. Foque em honrar sua arte, e ser o melhor dançarino que você puder. Mantenha a mente aberta e uma atitude positiva.

 

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6. Informação não quer dizer conhecimento. Conhecimento vem de experiência. Você pode discutir uma tarefa cem vezes e ir a mil aulas, mas a não ser que você realmente vá lá e se apresente, você só terá o entendimento filosófico da dança. Encontre oportunidades de ir ao palco. Você precisa experimentar um espetáculo para se considerar um bailarino.

 

7. Se você quer ser bem-sucedido, prove que é valioso. O jeito mais fácil de sair de um trabalho é provar para seu patrão ou patroa que não precisam de você. Em vez disso, seja indispensável. Chegue cedo, memorize seu trabalho, esteja preparado, guarde suas opiniões para si – a não ser que a tenham pedido. Acima de tudo, trabalhe duro.

8. Haverá sempre alguém mais ou melhor que você. Seja trabalho, dinheiro, papel ou troféu, não importa. Em vez de se deixar envolver pelo drama do que os outros estão fazendo ao seu redor, foque nas coisas em que você é bom as coisas que você precisa melhorar, e as coisas que fazem você um dançarino mais feliz.

9. Às vezes você vai falhar. Às vezes, apesar de todo o seu esforço, seguir os melhores conselhos, estar no lugar certo no lugar certo na hora certa, você ainda vai falhar. Falhar é uma parte da vida. Falhar pode ser imprescindível para nossos maiores crescimentos e experiências de vida. Se a gente nunca falhar, a gente nunca vai valorizar nosso sucesso. Esteja aberto para a possibilidade de falhar. E quando acontecer com você (porque vai acontecer) abrace a lição que vem junto.

10. Você nunca vai se sentir 100% pronto. Ninguém nunca se sente 100% seguro quando aparece uma oportunidade. Bailarinos devem estar abertos a se arriscarem. De soltar da barra para o balance, a viajar o mundo com uma companhia nova, a confiar um novo partner a encontrar uma forma nova de dançar, dançarinos têm que ser flexíveis na mente tanto quanto no corpo. As maiores oportunidades das nossas vidas nos forçam a crescer além da nossa zona de conforto, o que significa dizer que você não se sentirá totalmente confortável ou pronto para elas.

Essa listinha foi adaptada de um texto publicado pela própria professora em seu blog, Ballet Pages. No original, são 15 ‘verdades’, mas selecionei apenas as 10 com as quais me identifiquei mais! O link para o original, em inglês, está aqui.

Sustente suas pernas

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Você tem bom alongamento mas não consegue sustentar a perna no adagio? Levanta bem, mas na hora de mantê-la paradinha no développé ela mal passa dos 90º? Ou então até consegue sustentar, mas super en dedans? Tudo isso é bem comum, mas tem jeito! A gente dá umas dicas para você deixar seu adagio nos trinques e ficar com a perna alta.

A primeira coisa que você tem que pensar é que, para quem está dançando, o foco para sustentação de perna no adagio não é na que sobe, mas na de base. A perna de base tem que estar MUITO sólida, e todo o peso do corpo tem que estar bem colocado nela – senão nem adianta levantar a perna de trabalho.

A força não pode estar na perna que sobe, senão ela pesa. Especialmente na frente e ao lado, a força que vai ajudar a manter a perna alta vem do abdômen. Com o core bem trabalhado, fica mais fácil sustentar a perna na altura que você quer e ainda dá liberdade para movimentação, como um fouetté ou um grand rond de jambe no centro.

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Natalia Osipova e nosso développé sonho de consumo! (Foto: Reprodução / Royal Ballet)

Outra coisa que funciona muito para mim: pensar no dedinho do pé esticado. Se a gente pensar em subir a perna, concentra a força nos músculos dianteiros da coxa – e o que acontece? Ela pesa! A perna fica mais leve com os pés bem esticados, e fica mais fácil de levantá-la e mantê-la na posição.

Se seu problema é manter o en dehors na segunda posição, uma dica é fechar a  amplitude um pouco. Pode ser que você esteja levando a perna muito ao lado, o que dificulta manter o en dehors. Leve um pouquinho para frente (só um pouquinho!) e veja se melhora o turnout e, também, a sustentação de perna.

Abaixo dois vídeos bacanas: um para fortalecer o core e facilitar deixar a perna alta e sua manutenção no alto, e outro explicando a teoria anatômica do adagio (esse é com a maravilhosa Kathryn Morgan!). Apesar dos dois serem em inglês, tem muita demonstração!

Exercícios para sustentar a perna mais alto:

Anatomia do adagio:

Gostou dessas dicas? Veja mais na nossa seção Para o Corpo!